Terça-feira, 5 de Fevereiro de 2008
A falência da esquerda (II)
The image “http://www.geocities.com/CapeCanaveral/Lab/5328/FTribuna12.jpg” cannot be displayed, because it contains errors.

João Marques de Almeida escreve na edição de Fevereiro sobre a crise generalizada da esquerda na Europa. Mas como uma revista mensal leva o seu tempo entre a escrita e a publicação, excluia ainda a Itália, juntamente com a península latina, dessa falência dos socialismos europeus. Com a dissolução do governo de Prodi, só Espanha e Portugal resistem à onda. Até quando?


Quinta-feira, 3 de Janeiro de 2008
O futuro da futurologia
Will Osama bin Laden be caught in 2008? Only a 15% chance, said Newsfutures in mid-October 2007. Would Iran have nuclear weapons by January 1st 2008? Only a 6.6% chance, said Inkling Markets. Will George Bush pardon Lewis “Scooter” Libby? A better-than-40% chance, said Intrade. There may even be a prediction market somewhere taking bets on immortality. But beware: long- and short-sellers alike will find it hard to collect.

The World in 2008, The Economist


publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
link do poste | comentar | ver comentários (1)

Quarta-feira, 26 de Dezembro de 2007
2007 em revista
[Revista Atlântico de Julho de 2007 . Nº 28]

28.jpg</span>

Figuras de Estilo

Sarkozy disse muita coisa de direita

Francisco Mendes da Silva

A eleição de Nicolas Sarkozy foi a confirmação de uma improbabilidade. A improbabilidade de um candidato, estruturalmente de direita, desenvolver um programa e um léxico de ruptura aparentemente visceral e com isso beneficiar de uma votação de proporções históricas  


 É provavelmente a cena mais célebre de Nanni Moretti, o cineasta-político. Em Aprile, Massimo D’Alema debate com Silvio Berlusconi na televisão. Berlusconi está por cima, numa das suas comuns diatribes contra a magistratura e o “estado dos juízes” que terá escolhido a missão de o importunar. Moretti, sentado no seu sofá vermelho (a cor não será um pormenor), tapa os olhos com a mão, remexe-se desconfortável e levanta-se impaciente: “D’Alema, reage! Responde! Diz qualquer coisa! Não te deixes enredar na justiça do Berlusconi! D’Alema, diz uma coisa de esquerda!”.Cena famosa e instantaneamente simbólica. Nesse “dì una cosa di sinistra”, a esquerda europeia encontrou a verbalização de todas as fúrias e frustrações do pós-Guerra Fria, quando viu a grandiloquência dos seus valores, dos seus modelos e retórica, remetida a uma dieta envergonhada de social-democracia e terceiras-vias. Bem lá no fundo, a esquerda, mesmo a mais resignada, acha que Blair e respectivos agentes sucedâneos são uma espécie de direita disfarçada ou, pelo menos, uma direita que ainda não percebeu que o é. E, por isso, não se contenta em ganhar eleições.Confesso que, para além de ingrato e demasiado exigente, sempre achei este palavreado completamente deslocado da realidade. O mundo recusou (nem sempre com cortesia) as engenharias da pior estirpe que o socialismo produziu. Mas o século XX enraizou para muito tempo a grelha mental da esquerda e isso reflecte-se hoje no espírito político vigente na Europa. Marx e Rousseau estão vivos nos corredores dos estados porque habitam também a cabeça da mole governada. Se a amplitude política “correcta” é a do estatismo, da progressividade e do igualitarismo é porque a mentalidade triunfante é a da telenovela – do ressentimento classista, do maniqueísmo contra “os ricos”, do “bom selvagem”. Neste cenário, não parece que haja por aí muita gente com desejos eleitorais a pregar um evangelho verdadeiramente de direita.Daí a importância dos resultados das recentes presidenciais francesas. A eleição de Nicolas Sarkozy foi a confirmação de uma improbabilidade. A improbabilidade de um candidato, estruturalmente de direita, desenvolver um programa e um léxico de ruptura aparentemente visceral e com isso beneficiar de uma votação de proporções históricas. Não julgo que este facto tenha sido devidamente celebrado ou, pelo menos, assinalado. À esquerda, foi o que se previu: pirotecnia e diabolização. À direita, muita prudência – houve quem preferisse sublinhar o percurso errante e calculista da personagem, a incoerência do discurso (alegadamente menos liberal que o alardeado), ou a inclinação desbocada e securitária. Não contesto as dúvidas. Lembro apenas alguns pormenores básicos. Em primeiro lugar, para bem da sanidade e estabilidade dos regimes, é bom que os políticos se adaptem às solicitações da circunstância – de percursos errantes e calculistas está a vitrina das glórias da história justamente cheia (Churchill: será preciso outro exemplo?).Depois, alguém com ambições governativas deve fazer-se acompanhar de um programa abrangente, unificador e, em certa medida, contraditório. Aliás, se é para sermos verdadeiramente cépticos, comecemos por nós próprios: por mim, acharia no mínimo estranho que a eterna felicidade na Terra fosse o exacto resultado das minhas humildes ideias sobre o assunto. Finalmente, quanto à questão “securitária”, já ia sendo tempo de superarmos o preconceito. Não há temas proibidos; há, isso sim, soluções democráticas, humanistas e liberais, e soluções que não o são. Sarkozy foi o único a perceber que, no choque de 2002, o regime perdeu por falta de comparência. Le Pen fora o único a tratar (errada e desumanamente) uma das preocupações reias dos franceses e era necessário esvaziar-lhe a mensagem. No 22 de Abril último, percebemos o que a democracia deve ao ex-ministro do Interior francês.Goste-se ou não de Sarkozy, a verdade é que este conseguiu o que quase pensávamos impossível neste torpor europeu pós-moderno: ganhar eleições com um discurso que desafia o consenso ideológico politicamente correcto socialista/social-democrata, falando da reforma do estado social, do liberalismo, reabilitando noções democráticas de autoridade e não tendo medo do confronto ideológico com a situação soixante-huitard – a qual, conforme o próprio escreveu no Le Monde em 2002, «abandonou o terreno do sofrimento social pelo das reivindicações identitárias». A adesão popular ao seu projecto entusiasma, não só a direita, mas todos os que gostam do debate incisivo entre ideias e mundividências opostas. A vitória de Sarkozy anunciou o regresso da Política. Até Moretti devia estar contente.

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
link do poste | comentar

2007 em revista
[Revista Atlântico de Julho de 2007 . Nº 28]

28.jpg

Opinião da Casa

É só perceber

por Luciano Amaral
As portas que Zapatero abriu acabaram por o deixar refém de uma organização de inspiração totalitária, a ETA. O fracasso de Zapatero traz tantas lições para a esquerda como para a direita. É só perceber

Foi motivo de grande namoro da esquerda europeia nos últimos três anos. Enfrentou o sinistro Bush, quando retirou as tropas do Iraque. Enfrentou a hipocrisia da sociedade machista latina, quando legalizou os casamentos homossexuais. Enfrentou as sobrevivências do franquismo, quando quis reescrever a “memória histórica”, fazendo-a regressar ao ponto em que tinha ficado antes da Guerra Civil de 1936-39, e quando se propôs rever os princípios das autonomias regionais tal como consagradas na Constituição de 1978. Foi, aliás, este último aspecto que o conduziu àquela que deveria ter sido a coroa de glória da sua governação: a “paz” no País Basco, de resto permitida pela maneira bastante “liberal” com que foi dando sinais, mesmo contra a Constituição, de que um dia seria possível aceitar a grande reivindicação da ETA, ou seja, a “autodeterminação” da região. Nem a mais insuspeita imprensa anglo-saxónica (o The Economist, por exemplo) escapou ao estranho feitiço, colocando-o do lado da “modernidade” contra os atavismos católicos, franquistas e tradicionalistas. É claro que os ingleses sempre olharam para Espanha (como também para o restante mundo latino e católico europeu) como um horizonte semi-bárbaro, simultaneamente fascinante e repulsivo, carente de luzes protestantes e constitucionais. Mas colocar o problema espanhol à luz da mais estafada e inútil distinção conceptual que existe (a da modernidade vs. tradição) é mesmo receita para não perceber nada.


Vendo bem, Zapatero tem feito uma governação sobretudo assente em símbolos. Nas matérias mais hard core (finanças e economia), assistiu-se a uma completa “lulização”: persistiu a política de equilíbrio consistente das contas públicas e não se reviram os mecanismos de liberalização do mercado de trabalho, o que aliás tem permitido um invejável comportamento económico. Quanto ao mais, foi tudo simbólico, excepto uma coisa, que será talvez aquela que o irá condenar: o problema do País Basco. Num certo sentido, Zapatero é mesmo o representante da mais recente versão da esquerda. A esquerda, que passou os últimos dois séculos a falar de economia e das suas consequências sociais (a pobreza, a desigualdade), desistiu agora de o fazer, aceitando como final o statu quo social-democrata. A única coisa que não se pode fazer é tocar nele (sob ameaça de regresso ao “capitalismo selvagem”). Ou então só toca quem tem legitimidade para o fazer (a própria esquerda, naturalmente, como o “engenheiro” Sócrates). O “grande combate” (para usar a terminologia do meio) é agora contra as variadas “hipocrisias” da sociedade ocidental (e também, quando dá jeito, os EUA e Israel, que são sempre bons alvos para malhar). O aquecimento global (ou as “alterações climáticas”, já não se percebe muito bem), a homossexualidade, a droga, o aborto, a Igreja são os grandes objectos do zelo transformador da esquerda.

Haverá muita gente que não pertence à esquerda que, farta de se ver sempre do lado do conservadorismo, anda ansiosa por aceitar esta agenda e fazê-la passar pela “modernização” social necessária da sociedade ocidental. O caso de Zapatero, no entanto, ilustra bem as ambiguidades em causa. Todas estas coisas trazem um lastro que não desaparece com facilidade. No caso de Espanha (um país muito complicado, graças a Deus), rever as “hipocrisias” pôs logo em causa os delicados equilíbrios históricos, políticos e regionais, grande parte deles assentes numa espécie de “hipocrisia” que permite manter recalcados motivos de conflito, que vão aguentando aquela comunidade política. E é assim em todo o lado, com as respectivas cores locais. Tomemos o caso das “hipocrisias” dos costumes. Não se pode negar que coisas como o papel da Igreja, o aborto, os casamentos homossexuais ou a liberalização da droga são passíveis de discussão, e até podem ter soluções acomodando propostas vindas da esquerda. Mas o que é interessante, precisamente, é como a esquerda não os quer discutir. Para a esquerda quem defenda a permanência das regras actuais cai logo na categoria do “obscurantismo” (para não falar mesmo do “fascismo”). Porque a verdade é que, assim como pode haver motivos aceitáveis para mudar essas regras, também os há para as manter. Muitas dessas regras não são meras sobrevivências atávicas, mas coisas que fazem parte do próprio código genético da sociedade ocidental, que não se eliminam sem custos.

O que permite terminar com a Espanha outra vez. As portas que Zapatero abriu acabaram por o deixar refém de uma organização de inspiração totalitária, que também não quer discutir nada. Quando a ETA declarou o fim do “cessar-fogo” há umas semanas atrás, expôs dramaticamente a fragilidade de Zapatero. Mas o mal já estava feito e agora vai custar mais voltar a pôr a questão em termos aceitáveis para o país. O fracasso de Zapatero traz tantas lições para a esquerda como para a direita. É só perceber.

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
link do poste | comentar
Categorias: ,

Quinta-feira, 6 de Dezembro de 2007
(um aparte)
Eu aqui sou apenas o “palhaço de serviço”, contribuo com as minhas piadolas que foi para o que me convidaram. Mas não deixo de ler, obviamente, os digníssimos colaboradores deste blog e revista onde tenho também o prazer e honra de colaborar. Por tentações que tenha havido, nunca aqui publiquei um texto sério, mas deixou-me triste ver a “nossa” Atlântico ser motivo de tanto e tão negativo protagonismo nestes últimos dias.

Pessoalmente conheço apenas o Paulo e por isso, e por uma questão de isenção e não querer deitar achas para uma fogueira que, me parece, está demasiado grande para o combustível de que é composta, não faço juízos nem pronuncio opiniões.

Mas não posso deixar de, em nome pessoal, enquanto João Moreira de Sá e não enquanto “Arcebispo de Cantuária”, deixar três frases:

- Fui convidado para escrever no blog e revista Atlântico sem que alguma vez me tivessem sido impostas regras ou limitada qualquer liberdade opinativa ou de expressão.

- Quando o Paulo me convidou para colaborar, não nos conhecíamos, eu até poderia ser do BE. Ele nada me perguntou.

- O Paulo foi a primeira pessoa que me deu uma oportunidade de levar a minha escrita humorística para além das humildes fronteiras do meu blog.

E termino contando uma pequena “estória”:

A primeira vez que nos encontrámos (na Rádio Europa Lisboa, estavam João Pereira Coutinho e Carla Hilário Quevedo como testemunhas), talvez derivado ao meu “anarquismo mental”, o Paulo perguntou-me com toda a naturalidade, “tu és de esquerda, não és?”, da mesma forma como podia ter perguntado “Benfica ou Sporting?”. Feliz ou infelizmente eu não tenho capacidade para saber ser de Esquerda ou de Direita, sou apenas humano, mas enquanto tal gostava de hoje deixar aqui escrito que o Paulo Pinto Mascarenhas é um ser humano dos bons, dos do bem.

Interpretem este texto como quiserem, menos de uma forma – não é contra ninguém. É apenas a minha forma de dizer, em nome pessoal, bem hajas Paulo, pela tua luta pessoal, pela nossa revista, pelo nosso blog e pelas oportunidades que me deste sem nada pedir em troca.

publicado por joao moreira de sá
link do poste | comentar | ver comentários (21)
Categorias: , ,

Quinta-feira, 1 de Novembro de 2007
Um Nobel alarmista


Já sabíamos que o Prémio Nobel da Paz nem sempre é dado a quem contribua directamente para a paz. (...) A escolha de Al Gore não é inocente, e vai muito além de simbolizar uma causa global importante. Gore foi o candidato democrata derrotado pelo Presidente Bush, ainda por cima numas eleições disputadas e polémicas. Há muita gente que não consegue esquecer o que ocorreu, na Florida, no final de 2000. Um prémio a Al Gore é também uma condenação de Bush. E é obviamente uma posição do comité do Prémio Nobel sobre as suas preferências para as próximas eleições norte-americanas. Resta saber se será uma posição política inteligente.

João Marques de Almeida, na Revista Atlântico de Novembro.

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
link do poste | comentar | ver comentários (6)
Categorias:

Quinta-feira, 25 de Outubro de 2007
Parabéns


Daqui a uns anitos, também tu, Paulo, serás recordado.

publicado por André Abrantes Amaral
link do poste | comentar | ver comentários (3)

PSD de esquerda
Um exemplo interessante do papel da social-democracia no PSD encontra-se num texto publicado no número de Outubro da revista “Atlântico” por Mira Amaral, um membro das elites do partido que não se dá mal com Menezes. O ensaio de Mira Amaral versa sobre “a social-democracia do século XXI”. O que propõe? Grosso modo, propõe a transferência para a sociedade civil das funções sociais do Estado e a adopção do princípio do utilizador-pagador. A proposta de Mira Amaral não consiste em dizer que o Estado deve garantir as suas funções sociais recorrendo à sociedade civil. O que ele propõe é que o Estado deixe pura e simplesmente de garantir muitas dessas funções. Algumas medidas que daqui decorrem são a privatização parcial do sistema de pensões, o fim do acesso universal aos cuidados de saúde e a necessidade de recurso a seguros privados, o pagamento integral dos custos do ensino superior pelos estudantes (ao nível do segundo ciclo), etc. Ou seja, tudo aquilo que Mira Amaral propõe equivale à destruição do legado social-democrata do pós-guerra preconizada pela direita europeia. Note-se que eu não estou a dizer que este discurso não tem sentido. O que não tem mesmo sentido é considerá-lo “social-democrata”.

Julgo que o programa de Mira Amaral será aplicado um dia, quando o PSD chegar ao poder. Será talvez suavizado, como sempre acontece com os programas e propostas políticas, mas não andará muito longe da teoria agora exposta. Como se vê, o PSD pode ter um Menezes e até o indescritível Santana, pode ter elites mais ou menos deprimidas, mas não corre riscos de hesitações à esquerda. A direita liberal e conservadora pode dormir descansada (pelo menos no que diz respeito à ideologia do seu partido; quanto à competência dos actores, nada direi).

João Cardoso Rosas, in DE

publicado por aLaíde Costa
link do poste | comentar | ver comentários (1)
Categorias: , ,

Sexta-feira, 14 de Setembro de 2007
Thatcher, Brown e Cameron
Depois de fazer (rasgados) elogios à ex-primeira-ministra conservadora, Gordon Brown recebeu Margaret Thatcher no n.º 10 de Downing Street. Isto ao mesmo tempo que Cameron se procura distanciar o mais possível do legado de Thatcher.

Escrevo sobre Brown e Cameron na Atlântico do próximo mês (na que ainda está nas bancas - e cuja compra, naturalmente, se recomenda - o tema do meu artigo é o anunciado duelo entre Boris Johnson e Ken Livingstone).

publicado por André Alves
link do poste | comentar

Sábado, 1 de Setembro de 2007
Vai dade, vai e não voltes.

Como não é todos os dias que temos novidades deste calibre para contar, posso ser vaidoso por um só post na vida? Posso? Obrigado, cá vai:


 

No Domingo 10 de Setembro ás 11h00 este humilde Arcebispo vai estar em conversa com Pedro Rolo Duarte na Antena1, onde se falará também da Atlântico enquanto revista e belogue.


 

Em Novembro, se tudo correr bem, será a minha estreia em Livro, não é a edição do belogue (esse já está escrito, parece um bocado batota), mas por enquanto não digo mais.


 

E, não de somenos, para a semana vou para o Ól’garv porque apesar de tudo sabe sempre bem dar um pulinho ao estrangeiro no verão.


 



publicado por joao moreira de sá
link do poste | comentar | ver comentários (3)
Categorias: , , ,

Segunda-feira, 16 de Julho de 2007
As extremidades deram o nó



Nick Cohen, What’s Left – How Liberals Lost Their Way, London, Fourth Estate, 2007, 405 pp.

Numa entrevista ao Expresso no início de Junho, Mário Soares aconselhou ao governo um pensamento mais à esquerda. O pensamento «à esquerda» de Soares é dominado pelo ódio visceral aos Estados Unidos e ao «neoliberalismo», invenção demoníaca, causa do Mal desde Sodoma e Gomorra. Como consequência, Hugo Chávez surge como uma espécie de campeão em título das lutas dos mais pobres e o multiculturalismo torna-se dogma de fé, resignando Soares à condição social das mulheres islâmicas, em nome do «direito à diferença».
Foi este pensamento mais à esquerda que levou Nick Cohen a repensar o seu lugar e as suas companhias no espectro político. Cohen cresceu na crença da superioridade virtuosa das boas intenções da esquerda. O fim do século XX e o início do século XXI foram para si, nessa medida, um choque.

Nuno Amaral Jerónimo, na Atlântico de Julho, ainda nas bancas. Sobre o livro de Nick Cohen, entrevistado em exclusivo por Nuno Martins, na edição de Agosto.

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
link do poste | comentar
Categorias:

Quarta-feira, 20 de Junho de 2007
Três estreias na próxima edição
Paulo C. Rangel, sobre a claustrofobia democrática.
João Caetano Dias, sobre a OTA e a terceira via: Portela+1.
Carlos do Carmo Carapinha, sobre a esquerda superior.

A não perder. Dia 28, nas bancas.

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
link do poste | comentar | ver comentários (5)
Categorias:

Ler a revista no blogue
TER OPINIÕES

Paulo Tunhas

Os jornalistas são vítimas fáceis. É verdade que produzem diariamente opiniões, à vista de toda a gente (penso sobretudo na televisão), quando, na maior parte dos casos, deviam transmitir, na medida do possível, apenas informação. Por isso irritam. Aquele ar de certezinha satisfeita e virtuosa com que falam de tudo e mais alguma coisa, de Israel à “cultura”, exibindo invariavelmente a opinião comum ao conforto ideológico “progressista”, irrita. Irrita imenso.

Mas é quase sempre uma facilidade dizer mal dos jornalistas. Porque eles são muito parecidos com o resto. Eu ando desde há anos a surpreender-me com amigos – sublinho amigos; não “inimigos” – pela capacidade instantânea de, sem sinalzito de dúvida, mesmo passageira, adoptarem como indiscutível uma opinião sobre um qualquer assunto de que em nada a vida e os interesses do espírito os fazem parentes ou que, pela sua natureza própria, se encontra para lá da possibilidade de inquérito. De vez em quando, lá satisfaço, depois, a curiosidade: vinha no Expresso, ou noutro sítio qualquer. (Por inconcebível que pareça, o escrito impresso goza ainda, para muita gente, da presunção de intimidade com a verdade: certamente um vestígio de analfabetismo.)

E as crenças fortes, mesmo artificialmente induzidas, engendram entusiasmo, o que as torna naturalmente apetecíveis. No princípio do ultraje com aquilo sobre Salazar pensei, na minha ingenuidade, que toda a gente estava maluca – uma suposição, que, de resto, nada tinha de implausível. Só depois percebi verdadeiramente do que se tratava. Era um exercício de entusiasmo colectivo em que se tratava sobretudo de mostrar a força das crenças, e tão mais intenso quanto movido por uma mola poderosa: a indignação. O “operador-indignação”, por assim dizer, não falha. É tratá-lo com jeitinho e ficamos entusiasmadíssimos e muito verbais. E no fundo, no fundo, quem é que não quer andar entusiasmado?

Eu lembro-me. Entre os meus dez e catorze anos fiz a experiência de três crenças irredutíveis, absolutas, sem vestígio de qualquer dúvida. Omito as duas primeiras, por uns restos de pudor (e com pena: a segunda era bem interessante). A terceira posso contar. Era o sentido da história. Provavelmente por causa do Manifesto de Marx e Engels e do espírito do tempo (1974) a coisa não me parecia susceptível de qualquer hesitação. Havia um sentido da história, perfeitamente definido e visível, manifestamente palpável. Não era a evidência das evidências? Negá-lo era como se me dissessem que aquela mesa que estava ali não existia. Literalmente. Passou relativamente depressa, mas lembro-me perfeitamente.
As dúvidas chegam de diversas maneiras e, normalmente, vêm para ficar. Esquerda/direita, por exemplo. Percebe-se que as pessoas digam “ser” de esquerda ou de direita quando querem agir politicamente. Tecnicamente, é um performativo. Eu digo que sou de esquerda (ou de direita) – e torno-me de esquerda (ou de direita), o que é, em parte, condição de acção. Dizer é fazer. Mas, fora da esfera estrita da acção política empenhada – quer dizer: da acção partidária -, os conceitos não possuem qualquer valor descritivo ou explicativo, e muito menos ontológico (“ser” de esquerda, “ser” de direita). São perfeitamente legítimos, é claro – mas, fora desse domínio restrito, espúrios, porque relevam mais daquilo que se poderia chamar “estética política”. Uma espécie de fetichismo. Sobre o qual não fica mal duvidar.

A filosofia talvez ajude. Quando se estuda um autor – digamos: Rousseau, ou Fichte – é-se obrigado a perceber a sua maneira de pensar. Não apenas a doutrina, mas o gesto que a constrói. Mais simplesmente: o que se passa na cabeça dele. O que, se não nos obriga a abandonar completamente uma perspectiva crítica sobre o autor, coisa de resto impossível no caso da cabecita exercer a sua função, exige-nos certamente que a façamos conviver com a reprodução em nós da maneira de pensar que lhe é própria (o que os brilhantes exercícios superficiais de Isaiah Berlin, e do grosso da “história das ideias”, omitem por inteiro). A utilidade das disciplinas não-cumulativas, como a filosofia, ou da arte, reside em elas nos ensinarem que em muitas esferas não há progresso, linear ou outro. Kant não “progride” relativamente a Aristóteles, Manet relativamente a Tintoretto. Newton sim, relativamente a Galileu (pelo menos num sentido banal). Mas, no plano não-cumulativo, os pontos de vista são inúmeros e absolutamente singulares. Convém fazer o périplo.

Qual é a vantagem disto? É que, habituando-nos a conviver com vários pontos de vista, e ao esforço que isso requer, ajuda a ter dúvidas, a ser mais parcimonioso nos entusiasmos e a pensar menos a crédito, como diria Montaigne. O que não é obviamente incompatível com ter opiniões: não digo que, contrariamente a duas teses célebres, no princípio seja a inacção ou o silêncio. É incompatível é com um certo modo entusiasta e delirantemente virtuoso de opinar, que irrita como o diabo. Enfim, pelo menos irrita um bocadinho.

[Atlântico 26 - Edição de Maio 2007]

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
link do poste | comentar
Categorias:

Terça-feira, 5 de Junho de 2007
Pedro Lomba e Pedro Mexia no “Descubra as Diferenças”
Já que estamos em onda de anúncios, serve este só para lembrar que na próxima sexta-feira, logo depois das notícias das 19h, teremos Pedro Mexia e Pedro Lomba em debate na Rádio Europa (90.4 FM), com a supervisão de Antonieta Lopes da Costa e a minha colaboração presencial. A não perder, como é evidente.

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
link do poste | comentar | ver comentários (1)
Categorias: , ,

Quinta-feira, 31 de Maio de 2007
Em nome das relações luso-angolanas


Tenho uma vez mais de discordar do Tiago Mendes. O meu voto no concurso Miss Universo 2007 vai para a representante de Angola, Micaela Reis. Desculpem a insistência.


Domingo, 29 de Abril de 2007
A comunidade das democracias, o Henrique e a Índia
Este já dizia o mesmo Henrique anda tão entusiasmado com uma possível "comunidade  das democracias" que até já me pediu para eu retirar o ponto de interrogação com que eu relativizo a ideia no meu último post. Eu percebo o entusiasmo. A ideia é gira, tem potencial e não é nada nova (tem mais de duzentos anos: Project for a Perpetual Peace). Mas eu, que ando por aqui num destes países que o Henrique e mais alguns vêem como integrando essa comunidade, tenho as minhas dúvidas. Dúvidas que expressei na minha Passagem para a Índia no número de Fevereiro da nossa revista, e que convido o Henrique a (re)ler.



Não está em questão se a estratégia da comunidade das democracias, que Diana Soller comenta no Público de hoje, é ou não um projecto interessante e com pés para andar. O que eu questiono é a forma e os objectivos com que a ideia está a ser posta em prática, a partir de Washington. Questiono mesmo se ela está a ser posta em prática, ou se ela já sucumbiu ao peso da sua utopia e ao peso dos interesses mesquinhos que por trás dela se escondiam (em Washington). Convido os mais optimistas a lerem o ensaio de Jorge Almeida Fernandes, igualmente no Público de hoje, em que este narra a queda dos neocons na figura de Paul Wolfowitz: "Sentem que o seu projecto revolucionário de "exportar a democracia" pelas armas e remodelar o mapa do Médio Oriente "morreu pelo menos por uma geração". Para piorar as coisas, o seu mais notável expoente, Paul Wolfowitz, está sob suspeita no Banco Mundial. Prometeu moralizar o mundo e fez, como de costume, tudo ao contrário".

Claro que o Henrique irá ripostar com um punhado de "democracias não-ocidentais" e lançar-me uns "factos e números" que, supostamente, reflectem a renovada forma com que os Estados Unidos têm procurado uma aproximação a esses países. Mas, novamente, o que eu sugiro é que o Henrique, e demais crentes na tese, vejam o significado de epifenómeno num dicionário. Esta comunidade das democracias, se é que é uma estratégia norte-americana (já alguém a assumiu oficialmente?), não passa disso mesmo: uma ideia embrionária condenada a ser abandonada por outra, logo que assim der jeito.

Passagem para a Índia, Constantino Xavier em Nova Deli (Atlântico de Fevereiro)

REALITY CHECK

Tal e qual um Porsche (ou talvez um Tata), a imprensa portuguesa acelerou dos 0 aos 100 e redescobriu a Índia. A ida de Cavaco Silva a Nova Deli, Goa, Bombaim e Bangalore, e a forte orientação económica da visita, resultaram numa glorificação e caracterização eufórica do país que, ainda há pouco tempo, era imaginado como um pobre feudo espiritual de encantadores de serpentes. De repente, já só vemos um belo e gigante elefante.

Para o meu colega Henrique Raposo, a Índia até faz parte do lote de “democracias tão democráticas como as democracias europeias” e apresenta-se, por conseguinte, como uma séria candidata a um eixo democrático pós-ocidental ou pós-europeu, com centros de poder em Brasília, Pretória (ou Tshwane?), Tóquio, Nova Deli e Canberra.

É louvável haver quem lance um olhar prospectivo, escavando uma possível transformação sistémica da penumbra do actual status quo, mas o processo corre o risco de sucumbir à hipérbole. Equacionar a democracia indiana às suas históricas congéneres europeias reflecte um olhar superficial. De longe, elas (as democracias) às vezes até parecem giras. A constituição indiana é a mais longa do mundo – um lindo tratado democrático – mas os factos, a prática e o terreno dão-nos a conhecer a real natureza infantil da democracia indiana.

O PIB per capita da Índia democrática é duas vezes menor do que o da autoritária China. Enquanto que Pequim está entre os cem primeiros países em termos de índice de desenvolvimento humano (81º), Nova Deli fica-se por um modesto 126º lugar.

Num país em que se gasta pouco mais de 3% da despesa pública na educação (8% na China), e onde mais de um terço da população é analfabeta, é natural que o acesso a posições de poder seja restrito. E quando lá chegam, por vias de quotas, os pés-descalços são submetidos à elite burocrática – os “yes, minister” do poderoso Indian Administrative Service que comanda o destino do país.

Enquanto que a palavra superpotência é reincidente no léxico indiano, em termos de despesa pública para a saúde, as Nações Unidas colocam a Índia atrás da Serra Leoa e do Níger. Quanto às infra-estruturas, bastará lembrar que, enquanto escrevo este texto num subúrbio considerado abastado, na capital do país, já houve cinco cortes de energia – um dia ordinário.

Nem valerá a pena enveredarmos pelo sinuoso caminho que é a tradição democrática da política externa indiana. Ela sucumbiu sempre aos grandes jogos da realidade. Para além dos históricos episódios da independência do Bangladexe, e da invasão soviética do Afeganistão, o presente oferece-nos agora o pouco democrático maquiavelismo com que Nova Deli lida com a ditadura militar birmanesa, bem como o caso do Irão, em cujo programa nuclear se encontraram envolvidas algumas das suas empresas.

Faz tudo parte do drama dos bastidores que o esburacado pano democrático indiano tenta esconder. Mas então, porquê toda esta euforia pós-ocidental? Simplesmente, porque é do próprio interesse do mundo ocidental e ocidentalizado promovê-la, para servir os seus propósitos, principalmente económicos. Referindo-se à futura entrada da multinacional Wal-Mart no mercado indiano, um empresário (indiano!) referia recentemente que “Brazil is done. China is done. This is the last Shangri-La”. É talvez assim que se explique a razão pela qual, há já mais de três décadas, somos confrontados com repetidas “novas emergências”, do Brasil ao Japão. São emergências que nunca realmente emergem.

Manter os sinos a tocar a rebate incessante é também do interesse da imprensa, ciente em inventar novas modas e histórias. Inventa-se uma emergência aqui e, pouco tempo depois, uma outra acolá. Gostamos de ver os outros satisfeitos, mas q.b. e, já agora, à nossa maneira – democrática e ocidental. É assim que se compreende a euforia em relação à Índia de hoje.

Não há dúvida que algo se passa a Oriente e, no caso indiano, é impossível negar o relativo sucesso do seu sistema democrático ou negligenciar o seu crescimento económico e a sua ruidosa voz no panorama internacional. Mas ao abrirmos os olhos para a Índia, e para esse admirável mundo novo que, na realidade, tem idade para ser o nosso tataravô, convêm que o façamos de forma moderada. Sair da escuridão do armário para enfrentar a luminosidade do mundo, pré-, pós-, ante-, sub-, ou o que quer que ele seja, é um processo doloroso porque nos cega. A solução estará algures entre o defensivo oito dos conservadores do Restelo e o histérico oitenta dos catastrofistas que anunciam o fim do nosso mundo e o início de um novo, o dos Outros.

publicado por Constantino Hermanns Xavier
link do poste | comentar
Categorias: ,

Quinta-feira, 26 de Abril de 2007
Informação das bancas


Informamos que a revista Atlântico estará em todas as bancas habituais amanhã sem falta, depois de ter faltado hoje por motivos a que somos alheios. Pelo facto, pedimos desculpa. Agradecemos também ao leitor João Alves pelo comentário que nos enviou.



publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
link do poste | comentar | ver comentários (1)
Categorias:

Mais maoístas, bloggers e empresários
Katmandu

Para quem a minha Passagem para a Índia ("Maoístas, bloggers e empresários") na revista deste mês tenha criado algum apetite, isto é, para quem quiser mais Nepal e mais transição democrática, ver esta minha reportagem.

publicado por Constantino Hermanns Xavier
link do poste | comentar
Categorias:

Hoje nas bancas


publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
link do poste | comentar | ver comentários (3)
Categorias:

Obrigado
Agradeço em primeiro lugar à Lucy Pepper, ilustradora mais que principal da revista Atlântico e responsável pelo grafismo deste blogue e do futuro (próximo) Atlântico Online. Ela também irá postar por aqui. Depois, a todos os bloguiadores que assinalaram a nossa revolução gráfica e a transferência para este fabuloso WordPress - para um liberal conservador a mudança só custa quando não é para melhor e aviso já que o serviço desta casa fica a anos-luz de outros fornecedores.

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
link do poste | comentar | ver comentários (3)
Categorias: ,

Quarta-feira, 25 de Abril de 2007
Quinta-feira nas bancas
Nova tentativa:



publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
link do poste | comentar
Categorias:

pub
pesquisar
 
linques
blogs SAPO