Quinta-feira, 6 de Março de 2008
Atlântico nos jornais
 capa36.jpg

No Público de hoje:

É um libelo, sem contemplações, contra o Governo do PS, a sua "verdade virtual e a suas teorias da conspiração", mas é também a denúncia de "um novo-riquismo político" que vinga, por estes dias, no PSD e que leva muitos dos seus protagonistas "a interiorizar as mesmas fobias do executivo socialista". O diagnóstico, implacável, sobre o défice de confiança que abala a qualidade da democracia é feito por José Pedro Aguiar-Branco, num artigo que será hoje publicado na Revista Atlântico.

Intitulado Da Teoria da Conspiração ao Défice da Autenticidade, o artigo do ex-ministro da Justiça arrasa a governação socialista. "Tudo é simples gestão da crise, sem qualquer rasgo estratégico, sem qualquer horizonte de verdadeira mudança", acusa o deputado. Mas atinge, em cheio, a actual direcção de Luís Filipe Menezes, conotada com "um novo-riquismo" que, à semelhança do actual poder socialista, vê "conspiração onde há expressão crítica", privilegia "o espectáculo efémero mediático" ao projecto e à apresentação de propostas alternativas e "dá o dito por não dito", reforçando o descrédito, em vez do cumprimento da palavra, restaurando a confiança. Exemplos? A alteração da lei das autarquias locais, o mapa judiciário (duas reformas que a actual direcção do PSD se prepara para denunciar, depois de as ter aprovado) e o inquérito parlamentar do caso BCP.
Sobre a nova lei autárquica, negociada entre PS e PSD e votada favoravelmente na generalidade pelos dois partidos, Aguiar-Branco reprova a "indiferença manifestada quanto aos compromisso assumidos livremente em sede parlamentar".
O ex-ministro da Justiça censura, também, que o PSD anuncie que vai romper o Pacto da Justiça sem que tenha apresentado uma proposta alternativa à do Governo que "conduza à absolutamente necessária reestruturação dos meios logísticos e humanos que permita uma resposta mais célere e competente do sistema judicial".
Finalmente, insurge-se contra "o frágil sentido de Estado" que a direcção de Menezes revelou no caso BCP. "Um partido com vocação de poder deve acautelar o prestígio e a importância das instituições, como o Banco de Portugal ou a CMVM, no que elas significam para a segurança do sistema financeiro português, o que está muito para lá da dimensão das pessoas que provisoriamente as representam", argumenta.
Posicionando-se para uma eventual disputa eleitoral pela liderança do PSD, Aguiar-Branco apela a uma mudança de rumo para Portugal em 2009, advertindo que, para isso, "o PSD tem de ser capaz de abater o défice de autenticidade que o Governo e o primeiro-ministro até lá não deixarão, seguramente, de aumentar", construindo uma alternativa credível que comporta "exigências". A começar por uma oposição consistente, "não errática, coerente e respeitadora da palavra dada" e pela "estruturação de um verdadeiro projecto alternativo".
Nessa nova "linha de rumo", considera ainda o ex-ministro da Justiça, caberá a denúncia da "ocupação circunstancial e oportunística do centro político por parte do Partido Socialista", a afirmação do primado da iniciativa privada, e a presença do Estado permaneça "apenas onde ele seja imprescindível". No caderno das exigências, inclui-se ainda a afirmação da liberdade - que vai muito além da denúncia dos tiques autoritários do Governo do PS.

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
link do poste | comentar
Categorias:

Comentários:
De Paulo Pinto Mascarenhas a 6 de Março de 2008 às 13:31
Qual aumento de 50 cent? Veja lá se não o enganaram que o preço é o mesmo.


De Vicissitude(s) a 6 de Março de 2008 às 15:14
Paguei 4€ e estava indicado na capa.

Bom, eu paguei da última vez, creio... que 3.50 €

Ou estava demasiado bêbado.
Mas eram 3.50€

Bom, ainda assim valeu a pena.


De Vicissitude(s) a 6 de Março de 2008 às 13:29
Eu gostei deste texto do Aguiar e gostei da revista deste mês, embora tardia e o aumento de 50 cent.
Quanto ao texto em si, faz-me lembrar umas pessoas.

Bagão Félix a miar ou o Cadilhe a avisar que estamos em recessão.
Ou ainda a sebes advertir para uma "crise" social.

Ui, esta gente iluminada é do camandro e pensa muuuuito muuuiiiittoooooo.

Trinta anos depois é que se lembrar que o poder político anda frágil?


Comentar post

pub
pesquisar
 
linques
blogs SAPO