Quinta-feira, 20 de Março de 2008
Cinco anos

Faz hoje cinco anos que se iniciou a guerra do Iraque. À data, tudo apontava para a sua racionalidade: Saddam e as suas múltiplas guerras, as informações dos serviços secretos – não só americanos e ingleses, mas também franceses e alemães -, etc. Hoje, com tantos cadáveres às costas, e vários erros trágicos evitáveis, é da praxe dizer que não. No entanto, à data era mesmo assim. E, hoje, os inimigos continuam os mesmos. Para os dois lados, é claro.



publicado por Paulo Tunhas
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Comentários:
De david a 20 de Março de 2008 às 16:50
E pronto, temos uma boa dose de maniqueísmo, pois claro, fica sempre bem, à mistura com um tom paternalista, a lembrar, assim, sei lá, um mestre que concede: "perdoa-lhes pois não sabem o que dizem".

Ora fique o senhor Paulo Tunhas sabendo que este humilde observador (juntamente com milhões de outros à época) não via nada de racional ou de justificado nessa guerra e até chegou a escrever, algures, que com ela se estava «a abrir a caixa de Pandora», coisa que, em abono da verdade, o senhor até acaba por reconhecer. Com cinco anos de atraso, mas enfim, acaba por reconhecer.

A preparação para a guerra foi, desde logo, uma farsa, mal montada e que a poucos convenceu. Entrava pelos olhos dentro que Sadam não colocava ameaças de maior à segurança mundial. Nunca se chegou a estabelecer (antes ou depois) a existência de armas de destruição maciça, bem pelo contrário.

Até o insuspeito Richard Buttler se pronunciou contra a invasão e, em simultâneo, o jornal The Guardian, a propósito do estúpido relatório (que levaria à morte misteriosa de David Kelly, pouco depois da invasão) da «ameaça dos 45 minutos», publicava cartoons onde se podia ler: «The end of the World is Near - 45 minutes, acording to the government»...

Por outro lado, se grande parte da opinião pública mundial olhava para a suposta capacidade bélica maciça do Iraque com extremo cepticismo (vide a propósito o embaraço de Colin Powel quando foi às Nações Unidas tentar «to make the case for war»), a verdade é que as alegadas ligações do regime aos terroristas ainda eram encaradas com maior suspeição (confirmada pelos factos).

Assim, a racionalidade da guerra resume-se à ingénua (mas mortífera) tese dos neo-cons: Remova-se Sadam, instale-se uma Democracia e, como por artes mágicas, toda a região se virará automaticamente para os valores do Enlightenment.

Isto, na vertente ideológica. Na vertente prática, outros considerandos também pesaram: ocupe-se a região do Golfo, assuma-se o controlo dos recursos petrolíferos e envie-se um sinal claro aos regimes teocráticos da área de que o Ocidente não está para bricandeiras. Em suma, esta era a racionalidade da Guerra.

Admito, fica bem no papel. Mas a praxis encarregou-se de desmentir a teoria. Para nós, era mais do que previsível. E porquê? Porque este tipo de operações não se faz a brincar. Enviar cem mil homens sem preparação para a realidade cultural, política, linguística e social que iam encontrar era um perfeito absurdo. Ou bem qua coisa se fazia à moda antiga, com no mínimo 500.000 homens, ou estava fadada ao fracasso desde o início. (Repare que estou a admitir que concordaria com a estratégia dos neo-cons). De qualquer modo, mesmo com um presença de um enorme exército, não era líquido que a coisa resultasse. Primeiro, porque o resto do mundo (Rússia, China) não iria ficar impávido; segundo, porque se como é esta guerra é já um fiasco económico, imaginemos o que seria com quatro vezes mais soldados; terceiro e último, porque no século XXI as populações da democracias ocidentais nunca o permitiriam.

Enfim, tudo isto, nos parecia óbvio.

Outros, messiânicos ou apenas ingénuos, achavam o contrário. Talvez esta seja a altura certa para efecturem uma revisão de processos, embora isso me pareça duvidoso: os messiânicos e os ingénuos têm extrem dificuldade em reconhecer os erros.

Quanto ao resto, não tentemos dividir a realidade em «campos» bipolares e antagónicos, pois a realidade é matizada e só interessa negar esse facto a quem com ela estiver compremetido.

A guerra foi um fracasso total e estava votada ao fracasso desde o início, porque as premissas que a originaram eram falsas. Hoje, o debate ultrapassa já esse facto. O que hoje interessa debater são as soluções possíveis para minorar os danos e encontrar saídas airosas.

Cheers


De Solar Moon a 20 de Março de 2008 às 17:24
"No entanto, à data era mesmo assim."

Tanta arrogância, Santo Deus. À data milhões de pessoas alertaram para a tragédia que hoje estamos a assistir. Continuar a afirmar hoje que essas pessoas estavam erradas, é inqualificável. Mas do P. Tunhas não é de estranhar. Na verdade não passa de uma caixa de ressonância do seu guru JPP.


De Solar Moon a 20 de Março de 2008 às 17:29
Mas como se poderia ter a certeza que não existiam armas se não se tivesse invadido o Iraque? Ou seja, as centenas de milhar de mortos até que valeram bem a pena. Santo Deus!!


De José Manuel Faria a 20 de Março de 2008 às 18:28
Bush deveria responder por crimes contra a humanidade no TPI.


De Anónimo a 20 de Março de 2008 às 22:45
Porque é que se esquecem sempre disto ?

http://66.111.34.180/look/english/article.tpl?IdLanguage=1&IdPublication=4&NrArticle=73076&NrIssue=2&NrSection=1&ALStart=40


Vinte Anos:

Arbil, Mar 16, (VOI) – Life came to a standstill for five minutes in the city of Arbil, capital of the Iraqi Kurdistan region, on Sunday over the 1988 chemical attacks on Halaja, where more than 5,000 people were killed.
"This five-minute mourning is observed in recognition of the people who gave their souls for the sake of the anti-Kurds persecution perpetrated by the former regime on that day 20 years ago," a media figure, Hamza Hamed, told Aswat al-Iraq – Voices of Iraq – (VOI).
Halabja, a city 83 km southeast of Sulaimaniya province, came on March 18, 1988 under chemical attacks by the former Iraqi regime, resulting in killing more than five-thousand Kurds and injuring more than 10,000 others.


De Diogo a 21 de Março de 2008 às 09:53
Neste curto vídeo pode confirmar-se que Colin Powell e Condoleezza Rice afirmaram em 2001 que Saddam Hussein não tinha quaisquer armas que constituíssem perigo para o Ocidente ou sequer para os seus vizinhos. (http://vids.myspace.com/index.cfm?fuseaction=vids.individual&VideoID=12058312)


De Diogo a 21 de Março de 2008 às 09:56
Neste curto vídeo pode confirmar-se que Colin Powell e Condoleezza Rice afirmaram em 2001 que Saddam Hussein não tinha quaisquer armas que constituíssem perigo para o Ocidente ou sequer para os seus vizinhos:

http://vids.myspace.com/index.cfm?fuseaction=vids.individual&VideoID=12058312


De André, o campos a 21 de Março de 2008 às 19:45
Dir-se-ia que os "Impasses" se mantêm passados 5 anos?


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