Quarta-feira, 26 de Março de 2008
Em como a corrução pode não ser o pior mal do mundo



Esta peça que terá passado na Aljazeera é um excelente exemplo de um certo "jornalismo" de causas - ou de sarjeta, para usar as palavras de um conhecido intelectual.
A luta contra a corrupção não tem, necessariamente, que convocar heróis da treta como os senhores do BE aqui apresentados. Este vídeo choca mais do que o da "velha a cair".

publicado por Vítor Cunha
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Comentários:
De sergio_alj a 26 de Março de 2008 às 21:13
Cheira-me a ciumes...
Se não fosse Sá Fernandes, o que se passou na C.M. Lisboa não tinha vindo a conhecimento publico...


De sergio_alj a 26 de Março de 2008 às 21:14
Cheira-me a ciumes...
Se não fosse Sá Fernandes, o que se passou na C.M. Lisboa não tinha vindo a conhecimento publico...


De José Manuel Faria a 26 de Março de 2008 às 21:34
Completamente de acordo.


De Pedro Bizarro a 26 de Março de 2008 às 21:36
O que me mata é a pronúncia do tipo que faz a dobragem... parece o apresentador do "35mm" a entrevistar os actores.


De Nuno Resende a 26 de Março de 2008 às 22:11
Não queria acreditar à medida que via este vídeo. Apologia, feita por portugueses, dobrada em inglês, para servir um partidozeco de um país miserável (imagem construída e consolidada pelo próprio vídeo ), para inglês ver. Será brincadeira antecipada para o 1 de Abril? Esta gente do Bloco do Esquerda não tem espelhos em casa, ou os que tem são daqueles que respondem não à pergunta: espelho meu espelho meu, haverá grupelho ideológico mais provinciano do que o nosso?


De portela menos 1 a 27 de Março de 2008 às 00:57
os meninos não se indignam com a existência de corrupção...mas ficam aborrecidos com a denúncia!


De Nuno Resende a 27 de Março de 2008 às 16:00
Que eu saiba não é preciso ir denunciar a corrupção na Cãmara de Lisboa para a Aljazeera. Bem sei que a justiça funciona mal em Portugal. Mas é escusado ir para o estrangeiro fazer o que pode bem fazer-se cá dentro. Digo eu, mas talvez esteja errado...


De Luís Magalhães a 27 de Março de 2008 às 19:51
Se a memória não me falha parece que entre todos os partidos políticos que desgovernaram a CML o único que denunciou as negociatas vergonhosas que levaram à falência da Câmara foi o Bloco de Esquerda e o seu vereador eleito.
Todos se queixam de que a corrupção é o maior cancro de Portugal, (aliás não é o Bloco de Esquerda e o Sá Fernandes a dizerem isto é o Banco Mundial), mas quando há alguém com coragem para denunciar e actuar contra a essa mesma corrupção é um " ai Jesus" que o denunciante é um "herói da treta"!!!
De facto temos o país que merecemos com "heróis cobardes, cúmplices e calados" .


De cumercindo a 30 de Março de 2008 às 09:11
Não tenho visto as noticias... o que se passou na camara de lisboa?


De Vitor Cunha a 19 de Maio de 2008 às 13:36
( * homónimo do autor do artigo, mas não relacionado com o mesmo)

Julgo que a corrupção não deve ser tomada de ânimo leve, e mais do que algo exclusivo aos "subdesenvolvidos" trata-se de um verdadeiro flagelo mundial que afecta desde a maior economia mundial até aqueles que os nossos estereótipos imediatamente nos indiciam.

Mas mais do que discutir o panorama da corrupção em Lisboa, Portugal, Europa ou no mundo, julgo que desta reportagem se podem tirar indícios importantes para os cidadãos portugueses e a forma como encaram o resto do mundo.

Tendo todos nós vivenciado em primeira pessoa toda esta polémica despoletada a nível nacional, é-me aparente que existe um enorme desfasamento entre aquilo que nós presenciamos e o que é reportado neste especial. Não me pronuncio em concreto ao caso "Braga Parques", porque me falta autoridade, competência e dados para o fazer, mas sim à forma generalizada e abrangente como é passada a imagem além fronteiras de que (pelo menos na capital portuguesa) a corrupção é a única instituição vigente e que tudo e todos vivem da corrupção. Esta é a ideia que fica na cabeça de todos aqueles que não conhecem Portugal e viram essa reportagem.

Dá que pensar precisamente no prisma oposto. Todas aquelas reportagens a que assistimos em Portugal sobre os países da Europa de leste, China e Médio Oriente, em que nos é passada uma imagem extremamente negativa dos mesmos, de pobreza, miséria e "subdesenvolvimento". Perguntem-se agora, como serão estes países vistos ao vivo?

Será que nos estamos a precipitar e deixar cegar pela nossa ignorância, a fazer juízos de valor sobre culturas e sociedades com as quais nunca tivemos contacto, simplesmente com base na experiência já digerida de alguém que não viu ou não quis ver a realidade desses países?

Simplesmente me choca como esses ditos "atrasados" estão consistentemente à nossa frente em rankings de educação e variadíssimos índices de desenvolvimento.

Pode-mos querer justificar as nossas más opções comparando-nos com tudo o que de mau exista nos outros países, mas estaremos deliberadamente a ignorar o facto que estes não estão parados, e que a cada dia que passa estes fazem os possíveis para melhorar ainda mais a sua qualidade de vida.

No fundo há uma desculpa que não temos. A desculpa que não existiram avisos ou que nada fazia prever que a nossa posição estereotipada do resto do mundo estivesse incorrecta, e que a nossa ignorância nos faça virar na direcção oposta à do caminho para a "competitividade" e "primeiro mundo".

Seria "miópico" da minha parte concluir tudo isto de uma simples reportagem, um mero "ponto negro" numa carreira jornalística de alguém. Diga-mos que sei o que ver um país não do átrio de um hotel nem de dentro de um autocarro ou de um grupo em "experiência de cativeiro". Se os portugueses em geral privilegiassem a cultura em vez da praia também o veriam.


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