Quarta-feira, 16 de Abril de 2008
Re: A questão religiosa
O Rui Albuquerque voltou ao tema das relações entre a Igreja e o Estado e julgo que não compreendeu o que pretendi dizer nestesposts’. Da mesma forma não terá percebido o que eu e o Adolfo Mesquita Nunes defendemos no ensaio publicado no ano passado na Revista Atlântico.

Não está em causa (nunca o defendi) que o Estado deva pôr de lado a Igreja Católica, afastá-la do espaço público, prejudicá-la de alguma forma, etc. É precisamente o contrário. É a Igreja (e os católicos) que pode pôr o Estado de lado. É o Estado que se deve afastar (o mais que for possível) do espaço público. Não me referi a tirar poder à Igreja. Referi-me, isso sim, em a Igreja ter mais poder. Não através do Estado, mas como consequência directa de mais liberdade de acção e iniciativa. 

A questão coloca-se nos termos em que eu e o Adolfo escrevemos na Revista Atlântico:

“(...) a sociedade de hoje já não é religiosa. Ora, é nessa sociedade laica que os católicos se encontram politicamente na defensiva e é na defensiva que lentamente vêem o Estado abraçar causas com as quais não concordam. A somar à sociedade laica, existe um Estado omnipresente. No ensino, na educação, na saúde, reforma e apoio social. Uma sociedade laica munida de um Estado poderoso, naturalmente exige formas de vida únicas e igualitárias. Formas de vida que agridem muitas crenças católicas.

A melhor forma de os católicos se protegerem da vida igualitária imposta por um Estado que está cada vez mais afastado dos valores religiosos é numa sociedade livre. Onde as decisões mais importantes (em que escola os pais põem os seus filhos a estudar, o que lhes vais ser ensinado, etc. e tal) pode ser decidido pelos pais, de acordo como os seus valores, e não por livre arbítrio de um burocrata na 5 de Outubro, em Lisboa.

Aquilo que se pretendeu chamar a atenção foi para o importante papel da Igreja (e dos católicos) na liberalização do Estado, das políticas sociais e na obtenção de mais e mais liberdade. Como os católicos podem ter um papel importante, indispensável, para que se viva com mais liberdade.

publicado por André Abrantes Amaral
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