Quarta-feira, 16 de Abril de 2008
O exemplo italiano

Berlusconi não é a minha direita. Bossi muito menos. Os liberais em Itália tiveram 0,28% dos votos. Finni (cujas ambições políticas são evidentes) ficou-se pela chefia da câmara dos deputados. Frattini regressa da Comissão Barroso para os Negócios Estrangeiros. A Itália prepara-se para reforçar o seu contingente no Afeganistão e Berlusco tem agora condições políticas para cumprir a legislatura até ao fim, com a maioria que conseguiu. Será um feito na Itália do pós-Guerra: cumprir uma legislatura, o que, no caso dele, será pela segunda vez.

Mas o dado mais interessante destas eleições foi o desaparecimento parlamentar de partidos-chave da democracia italiana: comunistas e socialistas. Embora muitos deles estejam no Partido Democrático de Veltroni, não existem hoje no parlamento "Partidos Socialistas" ou "Comunistas". Que eu saiba, este é um exemplo único na Europa.

Luca Ricolfi, um sociólogo italiano assumidamente de esquerda e que convinha traduzir por cá, explica este dilema da esquerda com a sua antipatia, o seu apego ao passado, a sua incapacidade de se renovar. Até à derrota final.

A Itália pode não ser um modelo de civismo democrático (à falta de melhor expressão) mas é certamente um país que pode ajudar a antecipar cenários noutros países. Pode é não ser à esquerda.



publicado por Bernardo Pires de Lima
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