Quinta-feira, 17 de Abril de 2008
Tomem conta do vosso rebanho e deixem-me em paz
Ligo a televisão e vejo um padre a vociferar contra o projecto de lei sobre o divórcio. Mas porque mafarrico se mete a Igreja Católica na discussão sobre as possíveis alterações a esta legislação? Alguém está a tentar interferir no sacramento do matrimónio? Alguém está a tentar forçar a Igreja a alterar o carácter indissolúvel do casamento católico? Que é que a Igreja tem a ver com o meu casamento e com a forma de o constituir ou de o acabar?
E porque será que os media vão perguntar a opinião a padres e outros membros da hierarquia religiosa sobre coisas que não lhes dizem respeito?


publicado por Pedro Marques Lopes
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Comentários:
De rresende a 17 de Abril de 2008 às 09:01
Mas então quem é que tem direito a opinar sobre as leis em discussão?
Políticos filiados, podem? Claro!
Cidadãos anónimos? Claro!
Cidadãos simpatizantes de um partido? Claro!
E advogados? Sim!
E pasteleiros? Obviamente!
Padres? NÃO!
Engenheiros? Podem!
Ateus? Sim!
Católicos? Metam-se na vossa vida!

As opiniões valem pelo que valem ou por quem as dá?
Belo exemplo de liberalismo!


De Gabriel Silva a 17 de Abril de 2008 às 15:21
Caro Pedro,

E o que é tem o Pedro a ver se a Icar dá opinião ou deixa de dar sobre o que ela bem entende?


De Pedro Marques Lopes a 17 de Abril de 2008 às 17:29
Caro Gabriel,
Logo assumo que pensa que se eu hipoteticamente dissesse que os padres deviam ter uma vida sexual activa, que as mulheres deviam poder celebrar missa ou que a Igreja devia apelar ao uso de anti-concepcionais estaria a exercer o mesmo direito. Penso saber que o Gabriel acha que sim, que eu tenho esse direito. Porém, e sabendo que o tenho não o exerço por um motivo muito simples: os valores e regras da Igreja não me dizem respeito a não ser que tentem interferir nos meus direitos. Agradeço, assim sendo, que a Igreja não tente interferir nos meus e é isso que ele está a tentar fazer.
Cumprimentos


De Pedro Sá a 17 de Abril de 2008 às 09:37
Há que distinguir duas coisas: por um lado, há liberdade de expressão para toda e qualquer pessoa, e os ministros de qualquer religião não podem ser excepção. E qualquer assunto público (pois, porque infelizmente o estado civil ainda não foi abolido) está sob discussão.

Por outro lado, é de certa forma esquizofrénico para a Igreja a tomada dessas posições. Precisamente pelo que diz. Porque essas opiniões demonstram que não confiam na exequibilidade das suas próprias normas para os próprios crentes.


De Duarte a 17 de Abril de 2008 às 10:17
Tal como o Pedro se permite opinar sobre a alteração da lei do divórcio também me parece legítimo que outras pessoas ou instituições o façam.
Não vi esse comentário, mas certamente que esse padre não se pronunciou sobre o sacramento do matrimónio. Pronunciou-se, como é legítimo qualquer cidadão fazer, sobre uma lei que vigorará no ordenamento jurídico onde vive.
O casamento civil tem implicações na estrutura social e esse facto é suficiente para que as diferentes correntes de pensamento presentes numa sociedade se pronunciem sobre ele.
Esse "direito à opinião" é uma das maiores expressões de liberdade. E bem sei quanto o Pedro a preza!
E não deixa de ser paradoxal que uma pessoa que emite opiniões no espaço público diariamente, se insurja contra o facto de outros o fazerem.
Um abraço,



De Augusto Emilio a 17 de Abril de 2008 às 10:20
Caro Pedro,

Costumo perder a paciência com o seu jacobinismo, e ódio visceral que tem à fé dos outros. Mas neste caso tenho que lhe dar razão. Só uma coisa que não entendo, porque tenho eu que casar sob a tutela do estado se só pretendo ser abençoado pela Igreja?

Bem-haja!


De FuckItAll a 17 de Abril de 2008 às 13:00
Porque a Igreja requer essa validação civil, ou porque quer também estar casado perante o Estado. O Estado não o obriga a casar, de certeza.


De Pedro Marques Lopes a 17 de Abril de 2008 às 17:03
Tem toda a razão. Devia-lhe ser facultado esse direito


De FuckItAll a 17 de Abril de 2008 às 10:32
Bless u, Pedro.


De zedeportugal a 17 de Abril de 2008 às 11:22
O amigo Pedro é um bocadinho limitado na sua apreciação. Infelizmente, para a miopia mental ainda não fazem óculos. Então depois de todas estas polémicas que têm sido divulgadas - até à exaustão - acerca dos (maus) comportamentos dos alunos e dos cidadãos uns para com os outros, o Pedro ainda não percebeu que é tudo uma questão de valores; ou melhor, da falta deles!
Então as questões da família e da sua estabilidade não dizem respeito a todos, incluindo (especialmente, diria eu) os "padres e outros membros da hierarquia religiosa.
Então o Pedro não consegue ver que muito do actual mal-estar social se deve à falta de valores, a esta pseudo-liberdade sem responsabilidade, à desconsideração pelo outro (neste caso pelo próximo, literalmente), ao egoísmo com que se quer viver actualmente, à falta de solidariedade, ... (podia continuar, mas não valerá a pena)
Como diz alguém muito mais sábio do que eu, as gentes dos nossos dias "vivem como se nunca fossem morrer e morrem como se nunca tivessem vivido".
Acho que o Pedro, para além de miopia, sofre também de astigmatismo mental e alguém teria que dizer-lho. Calhou-me a mim. Provavelmente vai ficar a detestar-me, mas dizer a verdade (mesmo a verdade que ninguém quer ouvir) é uma prática de todos os cristão - e não só dos "padres e da hierarquia religiosa".
Às vezes pensar faz doer um bocadinho (especialmente para quem não tem o hábito) mas vai ver que acaba por compensar. ;)


De Pedro Marques Lopes a 17 de Abril de 2008 às 17:20
ó caríssimo zédeportugal, eu detestá-lo? nem pensar. Gosto imenso deste tipo de comentários. Então quando vêem com insultos e tiradas de elevado teor filosófico do tipo "falta de valores" e "pseudo-liberdade sem responsabilidade", ainda gosto mais. Volte sempre.

Um forte abraço (estou com algumas dores provocadas por este exercicio intelectual mas já passa)


De tric a 17 de Abril de 2008 às 12:17
tem toda a razão "pulha" Lopes , a Igreja anda a meter-se em assuntos que não lhes dizem respeito, tais como,

- Aborto
- Divorcio
- Casamentos maricons
- Adopção de crianças por parte dos maricons
- Pedofilia Consentida ( Tema abordado no ultimo festival de Cinema Queer de Lisboa, e que teve como juri desse festival a famosissima jornalista maltratada pelo PSD , Fernanda Cãncio )
- Incesto consentido
- Poligamia
- Eutanasia
- Zoofilia
- Educação


esta Igreja dos "TOINOS" dos cristãos não sabe mesmo qual o seu papel na Modernidade GAY=JACOBINA=JUDAICA !


De Ricardo Duarte a 17 de Abril de 2008 às 10:55
O Pedro acha que não lhes diz respeito. Eu acho que diz; e a igreja, com qualquer um de nos, tem – ou pode ter -uma palavra a dizer (vale o que vale). Por essa ordem de ideias o Papa não se referiria a nada que não fosse de foro teológico e sabemos que não é assim (e ainda bem).
O que acho curioso é estas vozes não se ouvirem quando meio mundo ataca a igreja pelas suas directrizes aos fiéis como por exemplo com “os novos pecados”; ai todos comentam e gozam e repudiam e não sei quê. E ainda bem.


De Pedro Fontela a 17 de Abril de 2008 às 11:02
Finalmente alguém com um pouco de bom senso neste antro.


De Anónimo a 17 de Abril de 2008 às 12:35
benin


De Anónimo a 17 de Abril de 2008 às 12:35
Com todo o respeito, a suas perguntas são completamente estúpidas.
Não interessa se a Igreja tem razão ou não. O que interessa à Igreja é a sociedade e tudo o que lhe diz respeito, leis incluídas.
Cumprimentos.


De Nuno a 18 de Abril de 2008 às 11:42
A ICAR pode e deve opinar sobre o que quiser. Claro que depois tem de se sujeitar às criticas e consequências das posições assumidas! Sem conversas de perseguição à ICAR! Isto deveria ser pacifico!
Não pode é querer impor legislativamente os seus códigos morais e de comportamento pq acham que todos os devem cumprir, crentes e não crentes.
De qualquer forma acerca de casamento e vida a dois os padres serão quem menos experiência tem na matéria!


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