Quinta-feira, 17 de Abril de 2008
Títulos
Compro o Público quase diariamente. Entendo que um jornal nunca é neutro - é impossível ser-se neutro, e talvez até indesejável -, e entendo também que os títulos dos artigos não são mais que um anúncio a esses mesmos artigos, um chamariz publicitário. No entanto, confesso que os títulos da secção Mundo são cansativos. Em regra, correspondem a artigos engaged, e, salvo raras excepções (África não desperta grande interesse, por exemplo), altamente opinativos. Um bocadinho mais de facto, e menos de julgamento valorativo, por favor. Artigos factuais não são crónicas ou opinião. Na terça-feira, era "Itália votou e escolheu com clareza: Berlusconi III", tratando a jornalista ao longo de todo o artigo os italianos como débeis mentais, por se terem atrevido a escolher novamente Berlusconi. Hoje, é "Ir a Washington e ver o Papa, ou o dia romano da capital imperial". Mas qual capital imperial? Isso é um facto, uma verdade? Quem decidiu que existe um Império, e que como tal deve ser tratado pelo nome? Não há escolhas inocentes.

publicado por Ana Margarida Craveiro
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Comentários:
De Jacinto Bettencourt a 17 de Abril de 2008 às 16:33
Muito bem. Excelente comentário.


De Carlos Conceição a 18 de Abril de 2008 às 16:36
Muito bem. Subscrevo. Mas as «boas almas» dos escribas que «proclamam as suas próprias virtudes» através de notícias desse género não são apanágio do Público. É só abrir as páginas de outros jornais. Ou sentar no sofá diariamente frente à TV.


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