Quinta-feira, 8 de Maio de 2008
afinal a Dra Ferreira Leite tem propostas: estão disponíveis no site da Renascença

Caro Bruno,

 

Existe uma enorme diferença entre ser comentador ou escrever artigos para jornais e ser candidato a primeiro-ministro ou líder de um partido da oposição. Perdoar-me-á, mas tenho demasiada consideração pela sua inteligência para não perder muito tempo com o assunto. No entanto, recordo-lhe que o papel de comentador é quase na íntegra gasto na análise da espuma dos dias, sem que se lhe exija a exposição da análise e defesa das grandes questões nacionais com que se depara um responsável político. Um comentador está longe, na sua actividade, de poder ser um político a sério. Além do mais, convém lembrar que seria, no mínimo, de mau gosto e de falta de consideração pelo eleitorado mandá-lo ouvir os podcast do programa da Renascença ou ir ao arquivo do Expresso.

Congratulo-me não só com o facto de um candidato a líder do PSD defender a privatização da CGD mas também que pessoas como o Bruno também a defendam. E a Dra Ferreira Leite, também será dessa opinião? Não creio. A Dra Ferreira Leite parece ser daquela escola que defende que o Estado deve ter na mão a economia e os agentes económicos. Repito, parece, já que pelos vistos nem um apoiante como o Bruno sabe qual a sua posição.

Felizmente Passos Coelho já falou muitas vezes sobre as suas convicções acerca do papel do Estado na Economia e sobre os incentivos às empresas. Pelo que li e ouvi, nos últimos tempos (não num programa da Renascença de há dois ou três anos) quando Passos Coelho fala de apoios às empresas (foi esse o termo) refere-se a um quadro de desburocratização e facilitação de estabelecimento. Não fala de subsídios ou incentivos. Quando muito falará de benesses fiscais e de ajustes na TSU para desenvolvimento de actividade em zonas fora dos grandes centros urbanos. Se bem venho ouvindo e lendo o o que ele diz e escreve.

O Bruno que me desculpe mas quando ouvi a ex-ministra das Finanças a falar de simplificação do sistema fiscal não pude deixar de rir às gargalhadas. Basta consultar qualquer fiscalista para ser esclarecido daquilo que foi a “tentativa de simplificação” que a Dra Ferreira Leite executou enquanto ministra. Já para não falar da eficácia da cobrança fiscal ao seu tempo.

Pergunto: o caminho que ela defendeu e executou é aquele que defende, caro Bruno? E se ela tem novas ideias, quais são? Analisar o IMI daqui a 3 anos? Prometer analisar a carga fiscal? Não lhe parece pouco?   

P.S. Será que a Dra Ferreira Leite está a pensar entregar a reforma do funcionamento do PSD ao seu apoiante António Preto?



publicado por Pedro Marques Lopes
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