Terça-feira, 13 de Maio de 2008
A credibilidade em política

O Bruno Alves tem escrito uns oportunos ‘posts’ sobre o PSD explicando o seu apoio a Manuela Ferreira Leite. Fá-lo, e espero ter compreendido bem, defendendo que aquela é a única candidata que pode dar uma imagem de credibilidade ao PSD e que só depois do partido ser tido como credível estará em condições de apresentar um discurso liberal. Acrescenta também que as pessoas são muito importantes e, assim sendo, é preciso ter em conta quem rodeia os diversos candidatos, para saberemos até que ponto estes serão capazes de fazer valer os seus pontos de vista. Até que ponto não subjugarão o seu programa à agenda oportunista de interesses mais mesquinhos.

Tudo certo. Sucede que o Bruno tem se esquecido que a credibilidade não se ganha expondo medalhas e mostrando o curriculum. A credibilidade política ganha-se com o anúncio de um plano e a sua explicação. A credibilidade consegue-se com a fundamentação de um projecto politico, de um programa de governo, porque a política é também a arte da tomada de decisões. Da forma como se defendem as suas vantagens e a forma como se explicam os seus inconvenientes.

A credibilidade política é ainda um conceito mais amplo que a seriedade e a competência. A credibilidade traduz-se também na alternativa que um político representa. Se a democracia consiste na escolha, esta para ser verdadeira tem de conter uma alternativa. Escolher mais do mesmo não é escolher e quem se apresenta na política não implicando mudança não é credível apesar de sério e competente. Quem se apresenta na política não apresentando uma opção não é credível porque não acrescenta nada de novo. Não é credível porque se reduz a uma cópia. Não é credível porque joga com a incompetência dos adversários, ao invés de acreditar nos seus trunfos. Não é credível porque não tem nada de novo para oferecer e não é credível porque consigo a política se reduz à mais insignificante das suas práticas: A discussão doméstica da guerrilha pessoal. 

Vivemos num país socialista, com um governo socialista e uma oposição social-democrata. Não será qualquer pequeno esforço, qualquer pequeno passo no sentido da liberalização do Estado, um passo a valer a pena? Uma oportunidade a não perder?
 



publicado por André Abrantes Amaral
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Comentários:
De José Manuel Faria a 13 de Maio de 2008 às 12:27
" Vivemos num país socialista"!

O caro AAA tem de criar um partido de direita liberal à séria. O CDS é de centro-direita conservador.

Os mesmos conceitos dão para tudo.


De António Carlos a 13 de Maio de 2008 às 14:48
"Se a democracia consiste na escolha, esta para ser verdadeira tem de conter uma alternativa."
Do meu ponto de vista AAA mistura dois planos em que as alternativas podem surgir:
- no plano das propostas políticas;
- no plano dos intervenientes;

No plano das propostas políticas há alternativas, basta só pensar nas propostas do BE e nas do PS (ou PSD). Pode é não existir a alternativa que AAA gostaria (liberal?). Mas isso é apenas uma consequência do mercado: não há uma alternativa liberal porque não há mercado (eleitoral) para essa alternativa. Se estivessemos a falar de um mercado económico o que diria AAA: quem quer alternativas que as crie!
Restam portanto as alternativas de protagonistas. E aí, para a mesma política também é importante que hajam alternativas de protagonistas. É aí precisamente que entra a credibilidade e a capacidade de atrair e motivar equipas.
Resumindo: o PSD não apresenta efectivamente propostas muito diferenciadas das do PS (e vice-versa). É natural: são essas propostas que o eleitorado quer e são essas propostas que a grande maioria dos militantes do PSD querem. Para o PSD (e para o País) é então muito importante que o PSD apresente alternativas credíveis de protagonistas de governação, capazes de competir com Sócrates pelo eleitorado. Dos actuais candidatos só MFL pode constituir essa alternativa.


De António Carlos a 13 de Maio de 2008 às 15:05
Vamos supor, como AAA desejaria, que o PSD passava a defender políticas mais liberais. Não correspondendo essa alternativa ao desejo de uma grande parte da sociedade portuguesa, nem sequer do próprio PSD (ou mesmo do CDS/PP, não esquecer a malograda "Ala Liberal"), acha AAA que as alternativas eleitorais aumentariam?
No plano político certamente que sim. Mas no plano dos intervenientes perder-se-ia uma alternativa a Sócrates. Na verdade, para uma grande parte do eleitorado deixaria de haver escolha, diminuiam as alternativas. Passava a haver apenas um grande partido do "centrão", escolha única para a maioria dos eleitores.
Seria isso preferível para AAA? Sairia a democracia reforçada?


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