Segunda-feira, 26 de Maio de 2008
Acerca da crítica do Luís Rainha e os proveitos a tirar do petróleo caro

O Luís Rainha brincou com estes meus dois textos, o segundo dos quais foi publicado na Revista Atlântico, em Outubro de 2007. O tiro parece certeiro com a história dos alarmistas e do preço do petróleo nos 100 dólares, mas falha redondamente o alvo. E falha porque, em ambos os textos, o tema central é a teoria do ‘peak oil’, ou seja, a ideia (para muitos a convicção) de que a quantidade de petróleo disponível atingiu o seu pico máximo e que daqui em diante será sempre a descer.

Peço ao Luís que releia ambos os textos e dê atenção ao que escrevi sobre a Rússia, o Irão, a Venezuela e também o México. Países que vão sentir uma forte redução da sua capacidade de extracção de crude. Ora, se estes estados vão produzir menos petróleo, nada impedirá que os preços subam. Ou seja, de acordo com os textos em questão, a subida do preço do petróleo não resulta deste estar a acabar, mas será consequência de inúmeras outras razões: políticas, especulativas, excesso de procura, adaptação da oferta. Qualquer uma destas mas não o fim do ‘ouro negro’. Este é o raciocínio dos artigos. A sua razão de toque. O seu ponto fulcral.

A crítica do Luís (que recebo com todo o agrado – como tenho recebido outros reparos seus ao longo destes anos) leva-me ainda a chamar a atenção para três vantagens decorrentes da subida do preço do petróleo e que têm sido esquecidas:

Em primeiro lugar, o aumento do preço do petróleo permite mais investimentos nas tecnologias extractivas, o que é indispensável havendo ainda muito petróleo na mãe natureza. Poços novos estão a ser descobertos e a tornar-se atractivos em locais impensáveis há 20 anos atrás. 

Por outro lado, estes novos poços em países habitualmente não conhecidos como ‘produtores’, são uma excelente justificação para a Europa e os EUA procurarem fontes de energia noutros locais, com o Brasil e África à cabeça. As alterações geoestratégicas decorrentes da subida do preço do crude são, pois, imensas. As oportunidades que estas alterações significam para Portugal não são coisa pouca, se pensarmos no papel que o nosso país pode ter nesta viragem, os proveitos que poderemos receber. Além de tudo o mais, significa o fim da obsessão que a Europa tem tido com o Leste.

Por fim, temos a possibilidade de investimento em energias alternativas que, por serem decorrentes de um petróleo caro estará ser iniciada da forma correcta, ou seja, por indicação do mercado, decorrente das necessidades dos consumidores e não pela vontade arbitrária dos Estados. Como consequência, dentro de 10/15 anos poderemos (quem sabe?) ter energias alternativas relativamente eficientes e competitivas porque existiu mercado, houve interesse e iniciativa na sua exploração.

Há ainda uma outra vantagem decorrente da subida dos preços do petróleo e que se prende com a vivência nas cidades e na deslocação das suas populações dos subúrbios para os centros. Mas isso pode ficar para outra ocasião.
 



publicado por André Abrantes Amaral
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Comentários:
De António Vilarigues a 26 de Maio de 2008 às 12:49
Boa tarde,
Uma análise marxista-leninista à formação dos preços dos combustíveis em Portugal: http://ocastendo.blogs.sapo.pt/279907.html
Sem sectarismos alguém discorda?...


De Leonidas a 26 de Maio de 2008 às 15:55
Este André é aquilo a que se qualifica em linguagem técnica das ciências políticas de um tótó. Isto é, um deslumbrado que todos os dias julga que descobriu a pólvora, que gestícula para que o notem, mas que na realidade debita banilidades e vaguidades sem qualuer utilidade teórica ou prática. Dêm-lhe um speakers corner, que é onde ele fica bem.


De Paulo Pinto Mascarenhas a 26 de Maio de 2008 às 16:50
Este comentário do Leonidas é um retrato do próprio Leonidas. Dêem-lhe um speakers corner. Quanto ao André, ele não precisa.


De sar a 28 de Maio de 2008 às 03:28
Eu gostava de saber porque é que refere a "Rússia, o Irão, a Venezuela e também o México", como sendo culpados de não conseguirem aumentar a produção a nosso gosto e não refere os EUA ou o Reino Unido.

Os Eua e Reino Unido, entre outras, foram regiões desenvolvidas sob um regime de propriedade privada, com a melhor tecnologia disponível, sem restrições de maior. A produção nos EUA atingiu o pico em 1971 e hoje é cerca de metade, a produção do RU (mar do norte) atinge o pico em 1999, entra em declínio irreversível.

Ou será que a Texas Railroad Comission foi invadida em 1971 por um grupo de Texanos eco-terroristas neo-marxistas que provocaram deliberadamente um pico na produção?

Um poço petrolífero individual atinge um pico de produção e declina, o mesmo para regiões petrolíferas inteiras e países, no entanto o AAA num golpe de magia afirma que a produção global agregada pode crescer para sempre.
Lembro-o que as descobertas de reservas tiveram o seu pico em 1965, em declínio até hoje. Desde 1980 que gastamos por ano mais do que descobrimos. As exportações líquidas globais decrescem desde 2005.

O AAA tem factos ou faz jorrar o petróleo com wishfull thinking?


De Luis Rainha a 28 de Maio de 2008 às 10:38
André,

Ia responder-te aqui, mas depois a coisa ficou bojuda e passou a post: http://5dias.net/2008/05/27/ha-petroleo-no-atlantico/


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