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28
Ago08

A Obamania tem destas coisas: o caso de Rui Tavares

Miguel Morgado

Aqui, Rui Tavares assume-se como um "obamaníaco". O facto em si mesmo não merece qualquer comentário. Mas, para dar um ar erudito, retrata o confronto entre McCain e Obama como um confronto entre os dois Roosevelts que ocuparam a Casa Branca. Como McCain admitiu que tinha como modelo de emulação Theodore Roosevelt - o homem que se gabava de sozinho ter derrotado os Espanhóis em Cuba - Rui Tavares sugere que Obama deveria reproduzir a missão e obra de Franklin Roosevelt. Essa, sim, seria a grande resposta para a regeneração da América saída das tenebrosas mãos de George W. Bush. Mas, com sugestões destas, os "Obamaníacos" ainda vão levar o seu ídolo à perdição.

Não vale a pena insistir no esgotamento da tese histórica segundo a qual FDR chegou ao poder "numa altura em que a doutrina económica dominante se revelara disfuncional e os seus fundamentos morais aberrantes", com a implicação de que uma outra doutrina económica, que se presume "funcional", salvou a América do Apocalipse. As experiências económicas de FDR foram tudo menos bem sucedidas, e segundo alguns indicadores o pior ano da Grande Depressão foi 1938, com o "New Deal" em marcha e FDR no poder há 6 (5) anos. E a insinuação de que actualmente se vive uma situação paralela à dos anos 30, com a necessidade correspondente de instaurar uma outra doutrina económica "funcional", é típica de uma certa escola propagandística. Não deve ser levada com seriedade.

Mas as surpresas acumulam-se vertiginosamente se insistirmos na necessidade de ressuscitar FDR e as suas políticas. Tenho a certeza que Rui Tavares abomina o que George Bush fez de Guantanamo. Mas o que Bush fez em Guantanamo pode ser apresentado como um monumento de humanidade quando comparado com o arrebanhamento em campos de concentração de dezenas de milhares de cidadãos americanos de ascendência japonesa (inequivocamente inocentes de qualquer actividade subversiva e sem qualquer possibilidade recorrer a tribunais comuns ou de instância superior) durante os anos 1942-1945. E tudo isso foi obra de FDR. Por outro lado, dizer que FDR, "tal como Obama", "apareceu com um discurso moderado e unificador" é roçar o absurdo. Não preciso de estender os argumentos de tanta gente que já documentou o militarismo retórico de Roosevelt. Deixo aqui apenas umas linhas de um seu famoso discurso de 1936: "We had to struggle with the old enemies of peace — business and financial monopoly, speculation, reckless banking, class antagonism, sectionalism, war profiteering. (…) Never before in all our history have these forces been so united against one candidate as they stand today. They are unanimous in their hate for me — and I welcome their hatred".

Nos últimos 40 anos é difícil encontrar um político americano de envergadura nacional que pudesse dizer uma coisa destas e ficar impune. Digamos apenas que se Obama aceitar os conselhos de Rui Tavares pode dizer adeus não só à Casa Branca em 2008, mas ao resto da sua carreira política.

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