Demasiado perfeito
João Marques de Almeida, no DE:
Conta-se a seguinte história sobre um concurso para uma cátedra na Universidade de Harvard. A presidente do júri, uma professora, explicou por que razão tinha votado contra uma candidata, negra e homossexual. “Se fosse mulher e negra, teria votado nela; se fosse mulher e homossexual, teria votado nela; mas mulher, negra e homossexual, é demasiado perfeito”.
Lembrei-me da história quando assistia às imagens da Convenção Democrata, em Denver, e, principalmente, quando li um inquérito onde McCain e Obama respondiam a uma pergunta sobre qual é que tinha sido o maior falhanço das suas vidas. McCain respondeu, rápida e simplesmente, “o meu divórcio”. E qualquer pessoa, mesmo quem nunca se divorciou, percebe a resposta. Obama deu uma resposta longuíssima e incompreensível. Basicamente, nunca tinha falhado e nada lhe correu mal. Não só a sua vida, como a sua família e ele próprio são exemplos de perfeição. Sempre se interessou pelas boas causas, seguiu sempre os bons valores na condução da sua vida e praticou, em qualquer circunstância, as boas acções. Como observou a professora de Harvard, será demasiado perfeito para ser verdade?
