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blogue atlântico

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26
Set08

O Debate McCain-Obama: o Antes

Miguel Morgado

Devo confessar que, quando ouvi as palavras de John McCain no anúncio da suspensão (temporária) da sua campanha eleitoral, tudo aquilo me soou a desespero. Não só não me agradou o tom geral, mas igualmente aspectos mais particulares do seu discurso como, por exemplo, a assimilação da crise financeira em curso ao ataque do 11 de Setembro. Depois, acabei por ser persuadido de que, se não se tratou de um golpe de génio estratégico, pelo menos foi uma escolha sensata, porventura a única que, nas actuais circunstâncias, podia manter a sua candidatura viva.

Não é difícil perceber porquê. O trunfo eleitoral de McCain continua a ser a sua postura de "comandante-em-chefe", o homem em quem se confia durante as emergências que necessariamente assaltarão a nação. É por essa razão que todos foram reconhecendo que um ataque terrorista a alvos americanos tenderia a favorecer McCain em detrimento de Obama junto da opinião pública. O primeiro, pelo seu carácter, pela sua experiência, estaria à altura dos acontecimentos, ainda para mais em comparação com o seu jovem e inexperiente adversário. Neste sentido, foi crescendo a disjunção na opinião pública (e no comentário político) entre, por um lado, a situação dos EUA na guerra ao terrorismo, e, por outro, a situação económica. A cantilena da campanha eleitorial rezava mais ou menos assim: um dos candidatos sentia-se mais confortável diante de um desses temas, entregando ao seu adversário o predomínio no outro tema. Assim, as eleições seriam decididas, não pela campanha, mas pela evolução da situação americana: se as preocupações económicas adquirissem primazia, Obama, o "especialista", venceria; se houvesse um agravamento da situação no Médio Oriente, McCain, o "comandante-em chefe", teria a vitória no papo.

Em parte, a cantilena reproduzia a verdade efectiva das coisas. Mas eis que McCain converteu a gravidade da crise financeira numa oportunidade para transformar o carácter desta corrida eleitoral, como nem a escolha de Sarah Palin o poderia fazer. McCain conseguiu transformar a crise financeira numa questão de "segurança nacional". E é verdadeiramente surpreendente como os seus opositores tiveram de aceitar as regras discursivas que McCain implicitamente impôs. Basta verificar como rapidamente se consentiu nessa conversão dramática e no seu corolário, o de que o patriotismo proíbe, pelo menos por enquanto, divergências públicas entre os dois partidos e principalmente entre os dois candidatos. A alegada superioridade de Obama nos assuntos económicos, se não se esfumou, foi pelo menos profundamente afectada.

Seja como for, McCain parte para o debate que se realizará daqui por umas horas numa posição muito mais forte do que aquela de que gozava há três dias. Os estrategas de McCain merecem o que ganham. Quanto a isso, não há dúvidas.

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