Quarta-feira, 27 de Junho de 2007
Uma discussão que importa recuperar
No passado mês de Fevereiro o secretário de Estado da Administração Pública enunciou aquelas que seriam, para o governo, as "funções nucleares do Estado". Confesso não me recordo (possivelmente por falta de atenção) de outro político que tivesse enunciado de forma tão clara e não avulsa aquilo que seria a sua visão do Estado.

Conforme alertou na altura o Henrique Raposo:

[O] PS dá um sinal: “estas áreas sociais não são exclusivas do estado”. O PS não pode fazer mais que isto. Senão deixa de ser de esquerda. Cabe à direita ir mais longe e defender mais ainda a educação e a saúde no privado. Se o PSD e o CDS estão a estudar reformas e privatizações na saúde e educação, então, que passem do estudo para o discurso. Porque quando ouvimos o Marques Mendes não se ouve nada reconfortante. Ouvimos, com frequência, um homem que está mais à esquerda que Sócrates.


Possivelmente por ter surgido nas vésperas do referendo sobre o aborto este assunto pouco ou nada foi discutido. Nenhum membro do governo voltou a focar o tema e ainda hoje o Ministro Vieira da Silva falava em "reforçar o nosso Estado Social". O PSD continua sem uma linha de rumo ora exigindo privatizações e reduções de impostos ora exigindo "mais estado". Do CDS idem.

Importa recuperar o assunto. Não podemos estar condenados a esta triste social-democracia que nos (des)governa (*).

(*) A minha consciência obriga-me a informar-vos que esta frase é quase integralmente roubada ao André Alves.

publicado por Miguel Noronha
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A ceia
http://www.v-generations.com/v/images/stories/Movie/the%20killing%20fields.jpg

Não, não gosto deste filme porque mostra os crimes da ditadura que o Chomsky gostava de branquear. Gosto do filme porque é "a" estória da amizade. E mostra como a culpa é a nossa salvação.

publicado por Henrique Raposo
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Se bem me lembro

Numa outra vida participei em reuniões entre “parceiros sociais” sobre a questão do fecho dos hipermercados aos domingos. Recordo-me bem de que nas primeiras em que participei o representante do Governo enunciou uma série de argumentos para o encerramento onde se destacavam a necessidade de protecção aos pequenos comerciantes e a necessidade de “dar” os domingos aos empregados das grandes superfícies.


Claro está que para se proteger uma ínfima parte da população (os pequenos comerciantes) se ia prejudicar gravemente a esmagadora maioria (que apenas tem dois dias para fazer as suas compras) privando-a de espaços onde se poupa, pelo menos, tempo. Mas a verdade não era bem essa. O que os pequenos comerciantes queriam era os hipermercados fechados para que eles também pudessem fechar (o que mais tarde se veio a verificar) cerceando completamente a possibilidade aos cidadãos de se abastecerem.


Da parte dos sindicatos os argumentos eram ainda mais extraordinários. Dentre os vários que ouvi destaco os que envolviam a obrigação de ir à missa ou (na altura) de idas ao futebol. Isto apesar da abertura aos domingos gerar novos postos de trabalho e dos actuais trabalhadores serem melhor remunerados e terem direito a igual descanso.


 



publicado por Pedro Marques Lopes
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Caldo verde


Como acabei de ouvir a fantástica Maria de Lourdes Modesto na RCP e como o Pedro Correia se demonstra preocupado no Corta-Fitas com a possibilidade de o caldo azedar aqui pelas margens deste blogue, quero agradecer-lhe a simpática mensagem, mas esclarecê-lo que - até ver - não existe esse perigo. O caldo por vezes transborda ligeiramente, os ânimos exaltam-se, mas nunca nada chega a azedar, porque a diferença de opiniões faz parte da gastronomia política e editorial da casa.
Já agora, em honra da minha querida amiga MLM, deixo aqui uma das suas receitas para um excelente caldo verde. No caso, era para combater o frio, mas também se pode comer no Verão.
Sem entornar, sff.

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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Mérito

Acabo de vir do colégio dos meus filhos onde decorreu uma pequena cerimónia em que foram distinguidos os melhores alunos do ano. Os bons alunos foram enaltecidos em frente a toda a comunidade escolar - pais, colegas e professores - e foi-lhes entregue um documento a enaltecer os seus méritos.


Já abandonei a escola há uns anitos (a bem da verdade acontece o mesmo ainda hoje nas escolas que os meus filhos frequentaram anteriormente) mas recordo-me que havia uma espécie de cultura de desprezo pelos melhores e de desculpabilização dos piores.


Claro está que esta atitude face ao mérito - desde muito cedo - tem contribuído para um clima geral de mediocridade com as consequências que todos conhecemos.



publicado por Pedro Marques Lopes
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Amanhã nas bancas
Atlantico.28
colaboram.28

Espero não me ter esquecido de ninguém, desta vez. Muito para ler, como sempre.

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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A verdadeira democracia
A força de uma democracia está no Parlamento. Num Parlamento que é duro na crítica ao governo, mas caloroso quando se despede de um primeiro-ministro.

publicado por André Abrantes Amaral
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Faleceu Bruno Tolentino
Bruno Tolentino +, 12.11.1940 - 27.06.2007

publicado por André Alves
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O “moderno” condicionamento industrial
Há já algum tempo que a APED anda a recolher assinaturas para que, no Parlamento, seja discutido o fim da limitação dos horários dos hipermercados. Segundo o DN, terão até agora conseguido recolher cerca de 250 mil.

O encerramento das grandes superficies aos Domingos e feriados, uma questão que deveria apenas respeitar à oferta (os hipermercados) e á procura (os consumidores), foi imposto pelo governo de António Guterres e justifcada com argumentos que fazem lembrar a tristemente célebre Lei do Condicionamento Industrial.

Não se sabendo a posição do actual governo e do PS (o que vai dar ao mesmo), a da oposição varia entre ainda maiores limitações (PCP e BE) e a manutenção da situação actual (PSD). Resta esperar que o governo e o PS sejam menos socialistas que a oposição e corrijam o erro do passado pondo fim a esta lei vergonhosa.

publicado por Miguel Noronha
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Notas Constitucionais
Para discussão da Constituição da República Portuguesa segundo uma perspectiva liberal: Notas Constitucionais.

publicado por André Alves
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Deal with it
Diogo Vaz Pinto, que me trata amigavelmente por «rapaz», deixou um comentário no meu anterior post (“Ofendidinhos”) sob o nickname de "Muçulmano". E publicou um texto todo catita no seu blogue. Batendo-me forte e feio (assim é que é!), alinhou-me na «nova direita», pôs-me palavras na boca (“Um par de estalos nesses filhos da puta é o que eles precisam para se deixarem de merdas, não? Porque não há jeito nenhum a dar, é bater ou apanhar”), exigiu «compreensão» e considerou o meu texto «inutilmente agressivo», capaz, pasme-se, de incitar ao ódio e à intolerância. Porquê? Porque eu sugeri que desprezássemos (leia-se «ignorássemos») as burlescas e estapafúrdias reacções da «rua muçulmana» face a actos, comportamentos ou manifestações do «lado de cá» que, objectivamente, não ofendem a religião muçulmana. Pelo meio, confessou, ou reconheceu, a nossa «superioridade» enquanto civilização (curioso tê-lo feito) e, como «superior» que é, entende que deve ser a primeira a condescender face aos bárbaros, aos incompreendidos ou às vítimas. Sim porque, das três uma: ou o Ocidente os pôs a pão e água (vítimas), ou estagnaram no tempo (bárbaros) ou, ainda, cultivam um estilo e um comportamento próprio e ninguém tem que ver com isso (incompreendidos).
Vou repetir o que escrevi:
”Há uma ostensiva cultura de ódio no mundo muçulmano, disseminada em muitas franjas (so they say…), contra o estilo de vida ocidental e, em particular, contra aquilo que a liberdade (de expressão, religiosa, sexual, etc.) parece permitir.(…)
As recentes reacções à condecoração de Rushdie pela rainha de Inglaterra, atestam na perfeição até onde a cegueira fundamentalista pode chegar. Do lado de cá, espera-se uma só posição: desprezo. Uma coisa ter-se-á que aprender, nem que seja na escola e desde tenra idade: não podemos ficar pendentes de fatwahs, birras ou iminentes indignações do mundo muçulmano, por suposto delito de opinião.
A matriz moral, as garantias e os direitos adquiridos e sedimentados ao longo de séculos, não podem ser postos em causa pelos próprios. Sobretudo, ou tão só, quando não há razões objectivas - de facto e de júri - para tal acontecer (já a reacção de Khomeini aos Versículos Satânicos tinha sido, então, absolutamente ridícula). A capitulação moral e mental do ocidente face à reacção dos «ofendidinhos» tem limites. E tem de acabar.

Em primeiro lugar, não percebo por que razão o Sr. Diogo Vaz Pinto chama para a discussão a Direita (nova, velha, whatever). Esta questão tem muito pouco que ver (ou nada) com dicotomias ou espartilhos ideológicos. Mas, tudo bem. Parece-me desnecessário e inglório estar aqui a explicar isto. Que seja a má da Direita, então. Passemos à frente.
Em segundo lugar, tive o cuidado de falar em «franjas», ou seja, tal como Christopher Hitchens, ainda acredito que não é a maioria que se esperneia na passeata ou que queima bandeiras dinamarquesas na rua ou que quer matar o maior número de infiéis para que estes aprendam a lição.
Em terceiro lugar, falei em «desprezo», ou seja, em «ignorar» as reacções que me parecem (posso?) estupidificantes e ridículas. Não incitei ao ódio, não propus sevicias de vária ordem, não acenei com estalos, murros, prisões, câmaras de gás, campos de concentração, 24 horas seguidas de O Preço Certo, etc. Perante aquele tipo de reacções (na rua e não só) e face ao que estava em causa (a condecoração de um escritor), não há grande compreensão ou diálogo a encetar. Não vale a pena. É conversa de surdos. Parece-me que a atitude mais sábia e óbvia é virar costas. Ignorar. Por cansaço, entenda-se. Cansa ver a forma como certos muçulmanos se ofendem por tudo e por nada (já os seus podem fazer o que querem que não ofendem ninguém, como implodir estátuas, destruir monumentos, explodir mesquitas «inimigas», etc.). E cansa ver como certos articulistas, intelectuais e senadores, na ânsia de «compreender» e «justificar» o pateta e o patético, esquecem valores supostamente universais – o direito à diferença, o direito à liberdade de expressão, o direito à liberdade religiosa – acabando por tratar a generalidade dos muçulmanos como atrasados mentais. Porque é isso que Diogo Vaz Pinto faz, perante uma questão que é simples e pacífica. O que Diogo Vaz Pinto parece querer dizer é mais ou menos isto: “coitados, há que ter pena, há que ser tolerante, há que compreender os bárbaros/desgraçadinhos/pobrezinhos porque eles não sabem o que fazem e na maior parte dos casos a culpa é nossa que somos superiores e, vejam bem, ainda ajudamos Israel e etc e tal. Venha de lá um contentor de má consciência para a mesa do canto, se faz favor. Olhemos os manifestantes aos gritos e gritemos, em uníssono: “there but for the grace of god go we”!"

Mais. Diogo Vaz Pinto esquece que há um cada vez maior número de muçulmanos – proeminentes ou não – que se envergonham e criticam a reacção dos seus, por vezes de forma bem mais acintosa do que a minha, reclamando uma espécie de «renascimento» para as suas sociedades. São estes os «tolerantes» que devem ser apoiados. Porque carregam consigo o tipo de tolerância e o espírito crítico que nos permitiu avançar em termos civilizacionais. O qual deveríamos cultivar orgulhosamente, mas sem esquecer os limites. Como em tudo na vida, a tolerância e a compreensão têm limites. Parece-me claro, isto. As reacções coléricas e violentas por parte de certos muçulmanos em relação à decisão da rainha de Inglaterra inscrevem-se no grupo das «intoleráveis». Com isto não quero dizer que esbofeteemos ou violentemos os manifestantes. Diogo Vaz Pinto recorre à má-fé quando vislumbra estas conclusões no meu post. Com isto quero dizer que, tal como outras, no passado, não há que pedir desculpa, retirar revistas ou jornais de circulação, emitir desagravos ou explicações. Não pode haver lugar a uma espécie de capitulação cobarde face ao que não tem desculpa. São «eles» (os fundamentalistas e os intolerantes) que estão tremendamente errados e equivocados. Eles que «compreendam» isso.

publicado por Carlos do Carmo Carapinha
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Não há almoços de graça

António Costa na ânsia de tentar mostrar aos alfacinhas que a sua candidatura é uma espécie de junta de salvação de Lisboa vai trazendo para o seu “projecto” toda a espécie de gente e de vários interesses. Apesar de todos nós acreditarmos que todas as personagens em causa são pessoas dum altruísmo completo que é apenas movida por um intenso amor apaixonado à cidade teremos que convir que é possível que a grande maioria delas terá “visões” diferentes do caminho a seguir...


Infelizmente estas pessoas – desinteressadas, claro está – vão querer ter alguma relevância depois das eleições e vão, claro está, querer implementar as suas ideias e já agora fazer valer os seus interesses – repito, não egoístas.   


Ou muito me engano ou vai ser Lisboa a pagar os favores a esta gente toda.



publicado por Pedro Marques Lopes
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(in) Justiça



De 1 a 10 dou à justiça portuguesa um 10.  


Dez esperante.



 

publicado por joao moreira de sá
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Post musical


São da Damaia mas têm uma banda amadora.



 

publicado por joao moreira de sá
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Post com abertura fácil


Comprei uma lata de salsichas com abertura easy doro.



 

publicado por joao moreira de sá
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10 Tony Blair (VI)

Para finalizar esta série, se tivermos em conta que o discurso norte-americano após o “11 de Setembro” foi, em grande medida, fracturante para o concerto de alianças tradicional, preferindo coligações ad-hoc ou flutuantes, Londres não poderia vê-la embarcar em iniciativas unilaterais, isolacionistas ou potencialmente desagregadoras da relação transatlântica. Foi o que promoveu, mesmo que o Kosovo e o Iraque tenham mostrado resultados distintos, levando sempre em linha de conta, sob a liderança de Blair, que a hegemonia anglo-americana pode trazer benefícios à Europa, à segurança internacional e ao desenvolvimento do “mundo livre”.



Blair foi indiscutivelmente uma figura marcante na política internacional pós-Guerra Fria: (1) Revolucionou a esquerda moderna, obrigando-a a reformular-se e a questionar-se; (2) colocou na agenda do centro-esquerda britânico o uso da força para a resolução de crises; (3) provou que a NATO é crucial à segurança europeia (Balcãs) e que continua a ser a única com capacidade para combater militarmente as novas ameaças; (4) que a Grã-Bretanha é crucial à União Europeia e que esta só tem a ganhar tendo-a como membro activo (5) que dez anos na política actual parecem uma eternidade. Estar hoje na chefia do governo de um grande país só está ao alcance de poucos políticos, com equipas profissionais e com faro político aguçado. Convém não esquecer isto: a imprensa, a oposição e a sociedade civil inglesas são das mais ferozes em relação ao poder. Os cabelos brancos de Tony Blair que o digam.

publicado por Bernardo Pires de Lima
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10 Tony Blair (V)

Ainda sobre o Iraque, algumas questões podem ser colocadas: Primeira, poderia a Grã-Bretanha ter-se oposto à guerra como o fizeram a França e a Alemanha? Segunda, poderia a Grã-Bretanha ter apoiado os EUA enviando tropas apenas após a operação militar, tal como fizeram a Itália ou a Espanha? Terceira, poderia a Grã-Bretanha ter mantido a unidade europeia? Na nossa opinião, a resposta é a mesma às três perguntas: Não, não podia. Por duas razões simples. Desde logo, porque opondo-se ou mesmo adiando o seu apoio a Washington estaria a contrariar toda a linha internacional que não só Blair defendeu desde o início dos seus mandatos, como da própria política externa britânica desde 1945. Hostilizar os EUA como o fizeram França e Alemanha ou enviar tropas numa fase posterior do conflito seria fatal para o estatuto de potência no espaço euro-atlântico que Londres deseja, além de criar uma cisão profunda com os EUA que, provavelmente, seria fatal em termos de confiança futura. Numa altura de redefinição das alianças internacionais além-Europa, estar do outro lado da decisão sobre o Iraque seria perder o “comboio” da nova ordem internacional em formação. Um erro político tremendo. Blair nunca poderia ter actuado de outra forma.



publicado por Bernardo Pires de Lima
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10 Tony Blair (IV)

Pese embora a crise que o acompanhou, o Iraque demonstrou alguns pontos interessantes. Primeiro, que em tempo de tensões transatlânticas e com uma percepção das relações internacionais semelhante em Londres e Washington, Tony Blair procurou potenciar a sua influência junto das Administrações para que o comportamento destas fosse o menos danoso para as alianças internacionais (aparentemente, sobretudo no primeiro mandato de Bush, sem o sucesso pretendido).


Por outro, Londres percebeu que, numa era marcada por um possível comportamento mais unilateral de Washington na composição das novas alianças (Índia, Brasil, Japão, Coreia do Sul, África do Sul, México, Israel, Indonésia, Chile, Paquistão, Austrália, Nova Zelândia) não poderia perder o estatuto de parceiro privilegiado. Isto é, ao existir um redesenhar de alianças globais, Blair tinha de, em caso de fracassar a construção de uma aliança transatlântica forte para o Iraque, garantir que continuaria a contar para os EUA no futuro, como até aqui.


Mas vale a pena acentuar um aspecto: em bom rigor, a retórica e a predisposição ao longo do processo de decisão para o Iraque, foram diferentes em Washington e Londres. O primeiro, muito mais em volta do regime change; o segundo em redor das armas de destruição maciça. Londres, convém frisar, ao não ter a influência desejada na Administração Bush, foi ainda secundarizada pelas disputas entre o State Department e Pentágono. Estas sim, as verdadeiras causas do desastre do pós-guerra.



publicado por Bernardo Pires de Lima
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10 Tony Blair (III)
No plano teórico, a linha internacionalista adoptada centrou-se em alguns conceitos novos, face à tradicional postura britânica. Primeiro, Blair e Robin Cook assumiram o carácter moralista da sua conduta externa. A adopção de uma dimensão ética, interventiva e recuperadora de alguns princípios da Guerra Justa, convergem na análise que caracteriza a emergência da Grã-Bretanha no sistema internacional através de um papel “internacionalista humanitário”, onde os valores por trás do uso da força acabaram por ser mais relevantes do que qualquer conquista territorial. Blair recuperou, desta forma, alguma da postura tida pelos ex-Primeiros-Ministros Gladstone e Churchill, marcados por imperativos morais na sua condução externa, logo no papel do país no quadro internacional de alianças. Neste sentido, Blair revolucionou a postura do Labour como também da linha internacional da Grã-Bretanha das últimas quatro, cinco décadas.

publicado por Bernardo Pires de Lima
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10 Tony Blair (II)
Ainda em relação aos conceitos de “ponte” transatlântica e de pivotal power, embora estes tenham sido sempre o traço comum a todas as decisões importantes de Blair, não foram plenos de sucesso. Se no caso do Kosovo os objectivos foram alcançados, no caso do Iraque, não. Mesmo que a sua intenção tenha sido a de levar a cabo uma estratégia semelhante à traçada nos Balcãs (1998-1999), envolvendo os aliados europeus e os EUA numa solução de compromisso – na altura, dando uma nova roupagem à NATO, salvando-a –, Blair não conseguiu eliminar as tensões criadas entre os dois lados do Atlântico, o que também pôs em causa o alcance da sua influência em Washington. Se o Kosovo foi paradigmático da linha Blair nas relações internacionais, o Iraque provou as suas boas intenções mas um insucesso nos objectivos.

publicado por Bernardo Pires de Lima
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10 Tony Blair (I)

O papel de “ponte transatlântica” foi a característica mais forte da sua política externa. Mas neste ponto é importante sermos rigoroso. Por um lado, convém definir o que entendemos por “relação especial”, um chavão que muitas vezes procura colorir as relações internacionais, mas que carece de aplicabilidade. Se a definirmos como um conjunto de mecanismos institucionais alargados no seu âmbito, entre dois Estados, cujo entendimento estratégico é tão aprofundado que não permite quaisquer divergências por motivos de defesa dos interesses nacionais, então este conceito carece de veracidade. Nem mesmo com Tony Blair isso aconteceu, sobretudo no pós-guerra do Iraque. Mais, mesmo no caso das relações anglo-americanas, este conceito teve sempre muito mais importância para Londres do que para Washington, em razão da diferença de poder. Para entendermos a relação bilateral entre os EUA e a Grã-Bretanha como “especial”, então teríamos que alargar o seu âmbito a Israel, à Austrália, à Polónia, entre outros. Se “especial” implica mais qualquer coisa do que a tida por outras relações bilaterais, não nos parece que para os EUA pós-1989, exista um regime de exclusividade com um só país.


Por outro lado,  se uma relação do tipo “especial” permite algum espaço para questões de desavença bilateral, que não põem em causa, em nenhum momento, a convergência estratégica e de valores, então podemos catalogar a relação anglo-americana como sendo o paradigma de um “especial” relacionamento político-cultural no quadro das relações internacionais contemporâneas. Quanto a esta matéria, o consulado de Tony Blair provou o peso que Washington adquiriu no processo de decisão de Londres e a importância que tem na política externa britânica.



publicado por Bernardo Pires de Lima
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Ofendidinhos
Christopher Hitchens colocou o link no seu artigo para a Slate. Nele se pode observar um Professional Protester Jihadi-style. O rapaz chispa ódio e raiva por cada poro. Gostaria de pensar que aquela pose era número. De humor. Ou seja, uma vez disparado o flash, rir-se-iam todos a bandeiras despregadas e dali zarpariam para o pub mais próximo, onde discutiriam a qualidade literária da última obra de Rushdie ou, sei lá, o foreplay entre Miss Scarlett e Mr Murray no filme de Sophia Coppola. Mas não. Há uma ostensiva cultura de ódio no mundo muçulmano, disseminada em muitas franjas (so they say…), contra o estilo de vida ocidental e, em particular, contra aquilo que a liberdade (de expressão, religiosa, sexual, etc.) parece permitir. Para o mundo muçulmano, há por aqui infiéis e regabofe a mais. Ou seja, gente vil que insiste em ofender os «outros» sob a capa protectora das democracias ocidentais. Daí a propensão para o correctivo ou para o castigo dos ignaros.

As recentes reacções à condecoração de Rushdie pela rainha de Inglaterra, atestam na perfeição até onde a cegueira fundamentalista pode chegar. Do lado de cá, espera-se uma só posição: desprezo. Uma coisa ter-se-á que aprender, nem que seja na escola e desde tenra idade: não podemos ficar pendentes de fatwahs, birras ou iminentes indignações do mundo muçulmano, por suposto delito de opinião. A matriz moral, as garantias e os direitos adquiridos e sedimentados ao longo de séculos, não podem ser postos em causa pelos próprios. Sobretudo, ou tão só, quando não há razões objectivas - de facto e de júri - para tal acontecer (já a reacção de Khomeini aos Versículos Satânicos tinha sido, então, absolutamente ridícula). A capitulação moral e mental do ocidente face à reacção dos «ofendidinhos» tem limites. E tem de acabar.



publicado por Carlos do Carmo Carapinha
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Terça-feira, 26 de Junho de 2007
Sobre a Colecção Berardo


Não fiz felizmente parte dos eleitos do regime que tiveram direito a convite para jantar ontem com o primeiro-ministro e o comendador Berardo na inauguração do museu no CCB. Digo felizmente porque não consta das minhas ambições partilhar a mesa ou as conversas de circunstância com os representantes do regime cor-de-rosa. Tenho mais que fazer. Outra coisa é afirmar que não fico satisfeito com a presença da colecção em Lisboa. Bem pelo contrário, só posso aplaudir, independentemente das polémicas, que aliás são habituais neste tipo de negócios. Vou esperar uns dias para a fúria mediática acalmar e, se tudo correr nos conformes, pagar os 5 euros da praxe para ver a respectiva colecção. Em paz e sossego. Sem os foguetes, as lantejoulas e os fatos às riscas dos novos psenhoritos deste país.

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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Os apressados do referendo
Gostava que me explicassem o que querem PSD, PCP e BE referendar quando dizem exigir um referendo sobre um tratado que ainda não se sabe o que vai ser. Parece-me ridículo, sabendo aliás que não foi exigido referendo a Maastricht, esse sim fundacional - ou sequer à entrada de Portugal na União Europeia. É um caso em que me parece óbvia a posição do PS ou do CDS: esperar para ver o que será o tratado para depois decidir se deve ou não ser referendado.

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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De bates


Dizem que temos maus políticos mas ao ouvir as entrevistas aos candidatos à Câmara Municipal de Lisboa fico com vontade de votar em todos.

(versão completa aqui nesta minha outra casinha)

publicado por joao moreira de sá
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Aquilo é desde que anda com aquele coraçãozinho na lapela


Já não posso ouvir o Joe aos gritos e berardos



 

publicado por joao moreira de sá
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Continuam a haver coisas que me parecem estúpidas



A expressão "a olho nu". 


Eu pessoalmente nunca vi um olho vestido.



 

publicado por joao moreira de sá
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Mas temos mesmo que complicar tudo?


Diz que Lisboa amanhã deve chegar aos 26ºC.


Não deviam ser os 26ºC a chegar a Lisboa?



 

publicado por joao moreira de sá
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Entretanto no Congresso dos EUA
Os democratas tentaram hoje aprovar uma lei que acaba com o voto secreto nos sindicatos. Embora a grande maioria dos americanos seja contra esta medida, não é necessário especular muito para compreender que esta lei é um agradecimento por apoios passados, e principalmente, por apoios futuros.
Senate Republicans on Tuesday rejected a bill to make it easier to form unions, defeating a drive by newly empowered Democrats to shore up a shrinking constituency - organized labor.

The measure would have enabled employees to create a union simply by obtaining the signatures of most of their fellow workers rather winning a federally supervised election.

 (...)

"The principle of a secret ballot is deeply rooted in the American tradition, and workers here have enjoyed this freedom at the workplace by law for 60 years," said Senate Republican leader Mitch McConnell of Kentucky.

"By preserving the secret ballot in union organizing drives, Republicans made sure America's 140 million workers are not intimidated or coerced into siding with either labor or management," McConnell said.


publicado por Bruno Gonçalves
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E agora um exército, não é? É disso que vamos falar um destes dias.
Sobre o Conselho Europeu e o futuro tratado falaremos sexta-feira, na Rádio Europa, e depois na revista - para além do que já aqui se disse. Mas, a propósito do Alto Representante para a Política Externa, vale a pena ler o que a seguir se transcreve, publicado na excelente The New Republic - que não é republicana.




The Treaty of Maastricht, signed in 1992, proclaimed a "common foreign and security policy." But the results were distinctly mixed: European diplomats coordinate constantly, but when hard issues like Iraq divide them, the "common" policy disappears in a puff of smoke.


1998 promised a breakthrough, when Tony Blair and Jacques Chirac promised to add a real military tool to Europe's arsenal. They called for a 60,000-strong European Rapid Reaction Force, deployable within two months and sustainable in the field for a year. Though it wouldn't be a heavy warfighting force, it could nicely complement European national capabilities (and America's) by being effective at humanitarian rescue, peacekeeping, and even the odd bit of fighting to impose and enforce a peace. But the needed troops are available only on paper, and still lack the gear they need to take the field and be effective. European leaders now hope to have this available in 2010.

It seems the most often learned, and then re-forgotten, rule of politics: It is easy to arrange boxes on an organizational chart, to create jobs and centers and ministries, combine them, or shuffle them. But this never solves a problem of insufficient political will and resources to make a policy work. At the EU level, the creation of a foreign representative and a ministry to support him at this weekend's summit is a useful step. But that representative will be limited by the set of tools available: "soft power," of real bit limited use, and military options only when the few capable countries occasionally agree to provide them. Good-cop Europe, modestly reinforced, is here to stay.


Robert Lane Greene is an international correspondent for The Economist.




Independentemente do nome e da caracterização do cargo, o que interessa é o que se segue. Com Alto Representante ou não, a UE só tem política externa numa de duas circunstâncias: ou os países abdicam dos seus interesses - ahahahahah - ou há uma força centralizadora.

Sarkozy, por exemplo, explicou sábado que é preciso proteger e estimular a indústria de defesa europeia. Pois.

publicado por Henrique Burnay
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Algumas respostas

Meu querido, eu não estava à espera de nada. Estava só a fazer perguntas simples. Oiço falar muitas vezes da Opus Dei, mas nunca nada em concreto. Só mitos de um lado e de outro. Estava só a tentar perceber o que é a coisa, quem é um homem, o fundador, que nunca tinha visto, e o porquê de tantas referências à criatura no blog onde escrevo. Nem estava a dizer mal ou seja o que for. Não costumo dizer mal sobre o que desconheço. Fico a saber, então, que é um entidade privada que estimula e protege os seus membros. Como qualquer grupo de pressão, portanto.



publicado por Henrique Raposo
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A agenda LGBT como arma revolucionária
Bem no alvo. Por Pedro Sette Câmara.

publicado por André Alves
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Um bocadinho de totalitarismo faz bem à saúde
Via A Arte da Fuga:

Rob Reiner: Oh, God-damnit, do I have to explain this again?! Smoking is bad, people! So if we have to be a little extreme to stop it, it's okay!

Kyle: No it isn't, you fat turd! Because, I've learned something today. You just hate- [to Stan] See, I knew it.

Stan: Yup.

Kyle: You just hate smoking, so you use all your money and power to force others to think like you. And that's called fascism, you tubby asshole!

Rob Reiner: GOD-DAMNIT THERE'LL BE NO MORE SMOKING!!

Stan: It wasn't the tobacco companies' fault that we smoked. It was our fault, us! We should all take personal responsibility instead of letting fat fascists like him tell us what to do!


publicado por André Alves
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Escrever para o umbigo
Umbigo

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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Quando ele diz isto, é porque a Cimeira correu bem
"Esta cimeira deu um espectáculo indigno e deprimente, mostrando que demasiados governos continuam a avançar para trás na construção europeia".


Daniel Cohn-Bendit, eurodeputado franco-alemão verde ao jornal francês Libération

ps: "verde", neste caso, quer dizer "melancia".

publicado por Bernardo Pires de Lima
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Esquecimento seguramente acidental (II)
O Rui Castro até já diz que o poder de encaixe no 31 é maior do que o nosso. Não confirmo nem desminto, mas só lhe digo que se esqueceu do tal linque prometido no mesmo poste. Assim, não há lição que se aguente.

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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Mega e Joe
Obviamente, demite-se. A carta de demissão de Mega Ferreira, depois da explosão de Joe Berardo (via Público).

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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Do Portugal Profundo vs. José Sócrates
Do Portugal Profundo


Autor de blogue responde a Sócrates com uma queixa-crime por difamação e denúncia caluniosa.

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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Só umas perguntas
Ok. A Opus Dei é, então, uma organização católica. Mas que tipo de organização? Quem entra? Quem pode entrar? Paga-se com o quê? Quem tem cartão paga qualquer coisa ou a coisa é dependente do Vaticano?

Não estava a perguntar ao site da organização. Estava a perguntar a uma pessoa em concreto que faz questão de assinalar uma data "fundadora". O que representa a Opus Dei, afinal?

publicado por Henrique Raposo
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Correio Atlântico


O Compromisso Portugal convida-o a assistir à conferência de imprensa, que decorrerá na próxima quinta-feira, 28 de Junho, pelas 12h00 no Hotel Meridien, em Lisboa, e em que será apresentada a avaliação de desempenho do XVII Governo Constitucional. Esta apreciação incide sobre áreas como Justiça, Educação, Papel do Estado e Administração Pública e pretende ser um contributo construtivo, visando estimular a Sociedade em geral e o Governo a prosseguirem as reformas necessárias para criar um País de Oportunidades para todos.

Compromisso Portugal



PS: Existirá uma banca à entrada da sala onde poderá adquirir o livro do Compromisso Portugal “Revolucionários” com um desconto de 20% sobre o preço de capa.

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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Um sítio para visitar
The Middle East European Journal. Em inglês, holandês, dinamarquês, italiano, espanhol e português - pelo menos e para já. Também faço parte dos colaboradores, onde se contam jornalistas de vários países que se conheceram numa recente viagem a Israel.

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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26 de Junho (4)
Nunca é tarde para aprender: O QUE É O OPUS DEI

O Opus Dei é uma instituição da Igreja Católica, fundada por São Josemaria Escrivá de Balaguer.

A sua missão consiste em difundir a mensagem de que o trabalho e as circunstâncias habituais são ocasião para um encontro com Deus, para o serviço aos outros e para melhorar a sociedade. O Opus Dei colabora com as igrejas locais, organizando encontros de formação cristã (aulas, retiros, atendimento sacerdotal) destinados a quem tenha o desejo de renovar a sua vida espiritual e o seu apostolado.


Mais informação aqui.

publicado por André Alves
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Um programa imperdível


Pedro Marques Lopes, hoje no Rádio Clube Português (104.3 FM), entre as 6 e as 7 da tarde.

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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Um convite irrecusável
convite fumo2

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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Confissão do momento
É mais fácil reunir as várias direitas liberais e conservadoras numa revista mensal do que no blogue desta. Na revista, as pessoas pensam mais antes de escrever. E têm tempo para digerir os comentários.

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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Só uma pergunta
Ok. O Senhor Escribá fundou uma coisa que se chama Opus Dei. Resta uma pergunta: o que é a Opus Dei?

publicado por Henrique Raposo
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Leitura recomendada
Vários posts interessantes de Rui Albuquerque e Pedro Arroja, no Portugal Contemporâneo.

publicado por André Alves
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26 de Junho (3)
Para os interessados em saber mais sobre a vida de S. Josemaria recomendo os textos disponíveis aqui.

publicado por André Alves
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26 de Junho (2)
Vida de S. Josemaria Escrivá de Balaguer (1902-1975), fundador do Opus Dei.


Josemaria Escrivá de Balaguer nasceu em Barbastro (Huesca, Espanha) no dia 9 de Janeiro de 1902. Os pais chamavam-se José e Dolores. Teve cinco irmãos: Carmen (1899-1957), Santiago (1919-1994) e outras três irmãs, mais novas, que morreram quando ainda eram crianças. O casal Escrivá deu aos filhos uma profunda educação cristã.´

Em 1915, faliu o negócio do pai, comerciante de tecidos, e a família teve de mudar-se para Logronho, onde o pai conseguiu outro trabalho. Nessa cidade, Josemaria, depois de ver na neve umas pegadas dos pés descalços de um religioso, intui que Deus deseja alguma coisa dele, embora não saiba exactamente o que é. Pensa que poderá descobri-lo mais facilmente se se fizer sacerdote, e começa a preparar-se para tal, primeiro em Logronho, e mais tarde no seminário de Saragoça.

Seguindo um conselho do pai, na Universidade de Saragoça estuda também o curso civil de Direito como aluno voluntário. José Escrivá morre em 1924, e Josemaria fica como chefe de família. Recebe a ordenação sacerdotal em 28 de Março de 1925, e começa a exercer o seu ministério numa paróquia rural e, depois, em Saragoça.

2 DE OUTUBRO DE 1928

Em 1927 vai para Madrid, com autorização do seu bispo, com o objectivo de se doutorar em Direito. Em Madrid, no dia 2 de Outubro de 1928, Deus faz-lhe ver o que espera dele, e funda o Opus Dei. Desde então, trabalha com todas as suas forças na fundação que Deus lhe pede, ao mesmo tempo que continua exercendo o ministério sacerdotal de que está incumbido naqueles anos, através do qual se encontra diariamente em contacto com a doença e a pobreza em hospitais e bairros populares de Madrid.

Quando rebenta a guerra civil, em 1936, Josemaria encontra-se em Madrid. A perseguição religiosa obriga-o a refugiar-se em diversos lugares. Exerce o ministério sacerdotal clandestinamente, até conseguir sair de Madrid. Depois de ter atravessado os Pirenéus, até ao sul de França, passa a residir em Burgos.

Acabada a guerra, em 1939, regressa a Madrid. Nos anos que se seguem dirige numerosos retiros para leigos, sacerdotes e religiosos. Nesse mesmo ano de 1939, acaba os seus estudos de doutoramento em Direito.

Em 1946 fixa residência em Roma. Faz o doutoramento em Teologia pela Universidade Lateranense. É nomeado consultor de duas Congregações da Cúria Romana, membro honorário da Academia Pontifícia de Teologia e prelado honorário de Sua Santidade. Segue atentamente os preparativos e sessões do Concílio Vaticano II (1962-1965), e mantém um relacionamento intenso com muitos dos padres conciliares.

De Roma desloca-se, em numerosas ocasiões, a diversos países da Europa, a fim de impulsionar o estabelecimento e consolidação do Opus Dei nessas zonas. Com o mesmo objectivo, entre 1970 e 1975, realiza longas viagens pelo México, pela Península Ibérica, pela América do Sul e Guatemala, onde também tem reuniões de catequese com grupos numerosos de homens e mulheres.

Falece em Roma no dia 26 de Junho de 1975. Vários milhares de pessoas, entre as quais muitos bispos de diversos países, – no conjunto, um terço do episcopado mundial – solicitam à Santa Sé a abertura da sua causa de canonização.

Em 17 de Maio de 1992, João Paulo II beatifica Josemaria Escrivá de Balaguer. Proclama-o santo dez anos depois, em 6 de Outubro de 2002, na Praça de São Pedro, em Roma, perante uma grande multidão. “Seguindo o seu exemplo”, disse nessa ocasião o Papa na sua homilia, “difundi na sociedade a consciência de que todos somos chamados à santidade, sem distinção de raça, de classe, de cultura ou de idade”.


publicado por André Alves
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Só uma pergunta
Quem é esse tal Escribá? É escrivão do quê? O meu google não 'tá a funcionar, logo, tenho de perguntar directamente. 

publicado por Henrique Raposo
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