Domingo, 3 de Junho de 2007
Wanna Fight?
The Conservative Mind,
Peter BerkowitzThe American right is a cauldron of debate; the left isn't.Um amigo pergunta: "então, o pessoal na
Atlântico está sempre à porrada entre si?!". A pergunta estava a pedir em resposta um "pois, pois é, já viste aquela desgraça". Discordei com um sorriso, e deixei cair apenas um lacónico mas alegre "Cool!". Usei, inclusive, o meu ponto de exclamação do ano.
Ainda bem que o pessoal da
Atlântico anda à porrada entre si. O medo do conflito é uma das marcas da portugalidade. Como escreveu Fátima Bonifácio numa das primeiras
Atlântico, Portugal tem alergia ao choque de ideias. Sempre pensei que uma das razões para o sucesso da alma esquerdista entre nós é esta tendência portuguesa para o consenso, para a unidade de propósito, para se chegar a um único "politicamente correcto" o mais rapidamente possível. À esquerda, não se debate ideias. Aponta-se apenas um inimigo e um destino a seguir. Pode haver muitas famílias, mas há sempre um inimigo impuro que deve ser abatido e que dá o propósito unificado à esquerda. Quem se desviar desse propósito é necessariamente um impuro, um traidor. Este culto da
unidade é aquilo que sempre me afastou da esquerda. Bastaria esta razão para me situar na
biodiversidade que sempre existe à direita. Prefiro uma milícia rag-tag, que se junta numa federação quando é preciso, do que um exército unido, unificado e bem engraxado. É que, dada a minha preguiça, gosto de combater sem ter as botas engraxadas e, de preferência, com os atacadores por atar.
Por isso, não só é cool como também é necessário que os camaradas atlânticos andem à porrada. É sinal de que este espaço está com o ADN certo. Isto não é um comício; é um ringue.
Uma modesta proposta
De acordo com a visão – que, confesso, me parece um pouco simplista – que o Pedro Marques Lopes tem das coisas da religião, proponho que aqui neste blog se condene colectivamente, entre uma lista numerosa, mesmo muito numerosa, de criações humanas: Giotto – todo o Giotto, provavelmente um “idiota útil”; Chartres, da primeira à última pedrinha; as
Confissões de Santo Agostinho e a
Suma Teológica de S. Tomás, produtos de mentes atrasadas que hoje em dia merecem um justíssimo desprezo; a
Paixão segundo Mateus, nota por nota. Isto só para começar, que temos trabalho a sério pela frente. Ah, e que louvores sejam devidamente cantados a Hitler e a Estaline, que alguma qualidade, apesar de tudo, tinham. Depois vamos brincar para o recreio da creche. A Fernanda (Câncio) faz de professora.
(mais) Trocadilhos mesmo, mesmo parvos
- Desculpe, porque é que vestiu as mangas por cima dos sapatos?
- É uma cami sola.
- Resultou, o tratamento capilar?
- Não fiz, a Pilar não pode ir.
- O sexo virtual pode magoar?
- Se for a pagar sim, já se sabe que computador.
- Problemas com as aves acrobatas?
- Esta não que fazer o exercício de atravessar este tubo.
- Eu trato disso. Tu, cano.
Trocadilho veterinário
Sei que está na altura de separar a cadela dos cães quando esta me diz "cio soon".
Cavalheiro
Nunca deixo uma senhora pagar a conta.
Digo-lhe que me passe o dinheiro e pago eu.
Manifestações “pacíficas”
Idiotas anti-G8. Por Rui Oliveira.
E se tivessem sido israelitas?
What if Israelis had abducted BBC man?
A chave da Ota
O melhor artigo que li até agora sobre o mega projecto da Ota:
QUEM PAGA A OTA? Por João Miranda.
A chave do negócio do aeroporto da Ota está no destino que o Governo pretende dar à ANA e ao aeroporto da Portela. O Governo pretende usar a ANA para financiar o aeroporto da Ota de duas formas. Por um lado pretende vendê-la abaixo do preço de mercado aos privados que estiverem dispostos a investir na Ota. Por outro pretende incluir no mesmo pacote de privatização todos os aeroportos de Portugal continental. O Estado atribuirá assim dois subsídios aos privados que vão investir no aeroporto da Ota, um igual à diferença entre o valor real da ANA e o valor pelo qual será vendida e outro igual às receitas em excesso que o futuro concessionário conseguirá cobrar por explorar três aeroportos em regime de monopólio. Estes subsídios serão pagos por todos os portugueses, que verão parte do património público ser transferido para os privados, e pelos utentes dos aeroportos, que terão que pagar taxas aeroportuárias mais elevadas.
Sábado, 2 de Junho de 2007
Ego-Post
Aqui está um momento da tarde...
... fotografado pelo mito vivo que é o
Arcebispo de Cantuária
Errata
Afinal, Gavin Menzies está traduzido em Portugal. Pela
D. Quixote. Aproveitem e comprem.
Descobertos mais agentes da conspiração gay
Recentemente, a responsável por um organismo governamental polaco de “defesa dos direitos da criança” suspeitou que o Tinky Winky fosse um perigoso agente do lobby gay: “ Reparei que a personagem usa uma mala de mão para senhora mas não percebi que se tratava de um rapaz”, afirmou a sagaz senhora.
Já antes Jerry Falwell – esse grande herói da luta contra a corrupção dos costumes – tinha chamado à atenção contra esta temível criatura apelidando-o de gay pois a sua cor o demonstrava inequivocamente…
Corre, presentemente, uma análise aos Teletubbies para se perceber se estes incitam ou não a comportamentos homossexuais.
Esses gloriosos resistentes “
ao aborto e a agenda revolucionária do lobby gay” estão atentos e nada lhes escapa.
A pergunta
"Quando será que nos iremos aperceber de que a indulgência do nosso discurso político em relação às crenças religiosas nos impede de mencionar, quanto mais de erradicar, a fonte de violência mais prolífica da história?"
Sam Harris in
O Fim da Fé
De que falamos quando falamos de Política
Acreditar
nisto (em post scriptum) equivale a acreditar que o jogo político é apenas… um jogo. Validar ou pactuar com isto é aceitar que a política serve para tudo, menos para propor ideias e medidas que conduzam ao bem-estar da comunidade. Admitir, sequer, que Marques Mendes troca a defesa de uma ideia para a cidade de Lisboa, ou seja, do que ele acredita ser o melhor para os cidadãos, por possíveis votos para que ele se mantenha como presidente do partido é admitir que Marques Mendes é uma pessoa indigna de estar na política.
Não penso grande coisa de Marques Mendes mas não o acho uma pessoa indigna. Concorde ou não com ele – e quase nunca concordo – ainda penso que ele está na política porque pensa que os seus ideais serão os que melhor ajudariam os seus concidadãos. O que me espanta e me entristece é que possa haver pessoas que acreditando que os seus propósitos não sejam esses, o apoiem. Isso sim, é indesculpável.
Por Causa do humor
Isto é genial!
Boaventura Sousa Santos
Por causa da Sofia Galvão, da
Geração de 60, e do
Francisco José Viegas, fui ler um artigo ("Socialismo Século XXI") de Boaventura Sousa Santos, publicado na
Visão e na
Folha de São Paulo, e ao qual se pode ter acesso no blog do Francisco. Nada me surpreendeu. Li muitos artigos de Boaventura Sousa Santos, e todos eles parecem confirmar uma velha definição do que é um sociólogo, lembrada (ou inventada?) há muitos anos por Vasco Pulido Valente: “o produto do cruzamento de um socialista e de um astrólogo”.
Boaventura Sousa Santos fala da “construção do socialismo do século XXI”, posta na agenda por Hugo Chávez, e também por Evo Morales e Rafael Correa, com uma piscadela de olhos a Cuba, “um exemplo de solidariedade internacional”. O que ele diz não interessa ao Menino Jesus, e levá-lo a sério é, com toda a boa-vontade do mundo, a mesma coisa que ler o Tio Patinhas com a expectativa de encontrar
Guerra e Paz. Dito isto, há invariavelmente uma coisa muito curiosa - não original, mas curiosa - no que lhe sai da pena. É que se trata sempre apenas de palavras sem qualquer vago vestígio de relação com a realidade, uma pura logomaquia que se processa longe, muito longe, do atrito com o pedestre mundo em que vivemos. Há uns tempos atrás inventou um “conceito”: “epistemologia do sul”. Queria, suponho, dizer que nos países do sul o modo de conhecimento da realidade é – não apenas facticamente, mas de direito - diferente do dos países do norte. Leibniz escreveu uma vez celebremente, numa disputa com Newton, que a lógica não é diferente em Londres e Hanôver. Para Boaventura Sousa Santos ela é, pelo menos, diferente em Helsínquia e Buenos Aires.
E há, infalivelmente, quem lhe leve a sério os “conceitos”. O que também, bem vistas as coisas, não é surpreendente. As palavras, coitadas, servem para tudo. Qualquer um as pode juntar como quiser e produzir “ideias”. Boaventura Sousa Santos junta muitas vezes muitas palavras e há um mercado acolhedor para esse tipo de produtos. A distância para com a realidade e o banal bom-senso ajuda ao prestígio e, já que dispensa inquéritos empíricos, facilita a propagação. Não apenas em Portugal, de resto: em todo o mundo. As fantasmagorias, conceitos vazios sem objecto, seduzem e entretêm. E Boaventura Sousa Santos é um
entertainer profissional. Profissionalíssimo.
Sexta-feira, 1 de Junho de 2007
Aprendiz? São uns queridos
"Cualquier movimiento contrario a la democracia, contrario a la libertad de prensa, contrario a la libertad de expresión debe tener un vehemente rechazo a la altura, y el Senado brasileño lo hará cada vez que eso ocurra", afirmó el presidente de la Cámara Alta brasileña, Renan Calheiros.
Asimismo, el presidente de la Comisión de Relaciones Exteriores del Senado, Heráclito Fortes, tildó de "aprendiz de dictador" a Chávez, y calificó de "pirotecnia" sus críticas a la decisión de los legisladores brasileños de enviarle una petición en favor de la reapertura del canal televisivo RCTV, que dejó de transmitir el pasado domingo.
Hasta ahora, Lula se abstuvo de pronunciarse sobre el caso de RCTV por considerarlo un "asunto interno", pero finalmente los líderes de la oposición y del oficialismo le instaron a manifestar su postura sobre el asunto y sobre las críticas de Chávez al Parlamento.
El Mundo.
Dizer bem de Portugal (XV)

Não parece, mas este livro também é sobre Portugal.
Ainda não está traduzido em Portugal, mas é um sucesso em todo o lado lá fora. Isto diz bem da nossa incapacidade em lidar com o nosso passado grande e grandioso. Este livro desfaz alguns dos nossos mitos, mas não belisca, em nada, a grandeza dos homens que fizeram os descobrimentos. Aliás, ao retirá-los dos mitos grandiosos do costume, Menzies acrescenta grandeza humana, não mitológica, aos nossos homens do XV.
Dizer bem de Portugal (XIV)
Claro
O apresentador do Telejornal da RTP acabou de anunciar que os
israelitas estão a bombardear o campo de refugiados palestinianos no Líbano – aquele que se encontra cercado pelo exército
libanês.
[Acrescentado: não reparei que tivesse sido feita correcção - de qualquer maneira acabam por ser sempre os israelistas, não é?]
Não há desculpas
Os sindicatos, nomeadamente a CGTP, prestaram um péssimo serviço à dignificação, necessária, do movimento sindical. Ao confundir o papel dos
sindicatos com o dos partidos políticos contribuíram para a descredibilização do seu papel junto daqueles para quem foram feitos: os trabalhadores.
Os únicos responsáveis para a evidente crise do movimento
sindicato
português são os próprios sindicatos que têm, neste momento, uma lógica de auto-perservação institucional e não de cumprir o papel de defensor dos interesses de quem representam.
Neste quadro, dialogar com estes senhores é, infelizmente, tempo perdido. Reforço o infelizmente pois é nestas alturas que mais necessário é contar com todos os parceiros à mesa. Mas, como é possível chegar a um mínimo consenso quando existem sindicatos que recusam sequer ouvir falar de avaliação?
Mas se algum efeito esta greve teve foi o de passar, praticamente, um cheque em branco ao Governo para fazer reformas, sobretudo, no campo laboral. Nenhum Governo desde o 25 de Abril teve tanta liberdade para mudar o que tem de ser mudado. Não vão existir desculpas para não as fazer. Se não as fizer é apenas porque não as quis fazer. Vai manter José Sócrates a politica de meias-tintas ou, e de uma vez por todas, vai mudar o que tem de ser mudado?
Educação sexual estatizada
Sobre a Educação Sexual. Por JTCB.
5. Um louvor final para a estoicidade da Dra. Margarida Neto. Sem nunca perder a compustura, tentou defender a sua posição, mesmo tendo que aguentar com os comentários verdadeiramente insultuosos de S. Exa o Sr. Prof. Dr. Daniel Sampaio.
Nas bancas (III)

“Na polémica sobre o fumo em estabelecimentos privados abertos ao público foi alegado que o dono do restaurante não possui direitos de propriedade sobre o ar. Este argumento ignora o facto de um restaurante ser uma criação do seu proprietário que não retira direitos a ninguém”
João Miranda, O Céptico, Atlântico 27.
Nas bancas (II)
"É normal, coerente, até corajoso, que a direita mais liberal defenda a construção de um Estado mínimo, distanciando-se também de parcerias com o catolicismo. O que não vejo é grandes privilégios católicos para quebrar."
Bruno Cardoso Reis, À Esquerda, Atlântico 27.
Nas bancas

Uma oposição que ambicione ser relevante, fazer-se ouvir para além do ruído, tem necessariamente de buscar a sua razão de ser no domínio dos conceitos, na asseveração de uma doutrina. Este é o trabalho de fundo que urge realizar. Quem não estiver disponível para este trajecto, não será capaz de descolar, quanto mais de voar com algum alcance.
Gonçalo Reis, Atlântico 27.
Dia da Criança
Dia da Criança
Dia da Criança?
Trocadilho com espinhas
A pesca cansa-me. Esperar horas e hora safio.
Trocadilho com 12 cordas
- Como é que ele faz para a tocar assim guitarra, fazê-la chorar?
- Afina dor.
Trocadilho com cornos
Após a marrada o carneiro ficou com balido
Este post parece sério mas é humor negro
Querem coisas mesmo, mesmo modernas, inovadoras e práticas? Se o meu agregado familiar todos os anos tem um reembolso, não era justo fazerem uma média e “afinar” os nossos descontos? Isto podia ser feito por escalões. Assim diminuía-se um pouco o dinheiro que eu empresto ao estado a juro 0. Mas como isto não pode ser porque faz-vos falta o dinheiro, então porque é que não estabelecemos uma conta corrente? Por exemplo, agora tenho que pagar o Selo do carro (vocês chama-lhe outra coisa, mas nós dizemos assim). Ora eu comprava pela Internet – é o que se pretende, não é? - e recebia
em casa. Depois vocês descontavam isso no meu reembolso. Um programa informático simples e básico pode fazer isto. O reflexo no Orçamento seria quase nulo, porque no fundo só estariam a antecipar uma parte do reembolso – muito provavelmente já coberta pelos descontos efectuados desde Janeiro – e como o dinheiro está sempre do vosso lado, em termos de orçamento anual a teórica perca de entrada de rendimentos é “coberta” pelo menos reembolso posterior. E quem diz Selo do carro diz outras coisas. Multas, por exemplo. Descontavam o valor das multas no reembolso e assim garantiam que elas eram pagas e ainda aliviavam os tribunais. O encontro de contas fazia-se pela Declaração do IRS, no fundo como agora mas com uns extras, e recebia-se ou pagava-se o que fosse devido. A mim parece-me uma boa ideia. (será que nos comentários me vão “dar na cabeça” por eu não perceber nada de economia? Ou será de politica? E se eu enviasse isto pró Arroja, ou mesmo pró Sócrates?)
dizer bem de portugal (xii)