Terça-feira, 24 de Julho de 2007
Pussycat e a felicidade

A felicidade é uma cabra dada ao aleatório. Aparece quando lhe apetece. Fazemos programas para sermos felizes. Viagens. Carros. Coisas. Luxos imbecis. A felicidade não se programa; não se aponta no calendário. "ai, entre 15 e 30 de agosto vou ali ser feliz". Esqueçam. Ela aparece quando lhe apetece. É como a gata da minha (ex-)vizinha Laurinda. A pussycat (don’t ask) tinha dias que não aparecia. Dias, quer dizer, semanas. Mas quando aparecia a Laurinda sorria como uma imbecil. E a felicidade tem qualquer coisa de imbecil. Daquela imbecilidade de quem é atropelado por um camião, de quem é controlado por algo que é impossível controlar. 


Ontem fui feliz porque mudei uma lâmpada. Ela apareceu quando estava a mudar uma lâmpada.


 


Não estou a dizer que os deprimidos devem começar agora a mudar lâmpadas como receita alternativa ao valium. Estou apenas a dizer que ninguém é feliz. Ela, a pussycat, é que aparece. Sem avisar.


Caríssimos membros da brigada valium, a vossa depressão é profundamente idiota. É idiota porque parte do pressuposto que podemos controlar a felicidade. Não controlamos. Por isso deixem-se de merdas e just do it. E já agora podem ajudar-me a mudar o resto das lâmpadas? É que tenho medo de voltar a feliz quando mudar a próxima.  


  



publicado por Henrique Raposo
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Isto da laicidade tem muito que se lhe diga
O primeiro-ministro reeleito turco tem as suas filhas a estudar em universidades americanas para que as moças possam usar véu.

"Erdogan a affirmé durant la campagne qu'il abandonnait l'idée d'imposer par une loi l'entrée libre des universités aux jeunes filles portant le voile. Il renonce ainsi à une réforme phare. Père de famille, Erdogan a deux filles qui mènent des études supérieures aux États-Unis pour pouvoir aller à la faculté en portant le foulard."

publicado por Henrique Burnay
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Contributos para perceber a Turquia (post com título de manual de direito escrito por assistente)
"« Le principal défi d'Erdogan va être de maîtriser sa victoire pour en tirer un profit maximal. Un art dans lequel il excelle », note un diplomate turc. Voici quelques jours, le premier ministre a indiqué que son parti va à nouveau se prononcer sur les candidatures. Abdullah Gül, le compagnon de route de toujours, marqué au fer rouge par les militaires car sa femme porte le voile, serait alors sacrifié par réalisme. Il pourrait être remplacé par une personnalité de l'AKP au profil moins polémique. L'armée serait obligée d'accepter sauf à aggraver son image d'institution antidémocratique. Un sage sans appartenance pourrait également être désigné en cas de litige."

publicado por Henrique Burnay
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O capitalismo é bom mas a malta não sermos parvos
Explica o euractiv:

"The Commission will look into introducing checks on takeovers of EU companies by state-controlled foreign investment funds, saying that it is concerned that funds run by countries such as China may be acting on politico-strategic considerations rather than economic motives.

Over the past five years, "sovereign wealth funds" have boomed in countries such as China, Russia and the Middle East and now total around $2.5 trillion.

These state-owned funds aim to channel excess foreign-currency reserves into bonds, stocks, property and commodities, in order to reduce the volatility of government revenues, build up savings for future generations or, in some cases, to finance war efforts or political campaigns.

As these foreign-government funds appear increasingly destined to buy companies in Europe, in sectors as sensitive as defence or energy, there is rising concern that they could be used for political rather than economic motives. "

Agore precebe-se o apetite pelo Benfica.

publicado por Henrique Burnay
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A nova menina está quase nas bancas
E fica já ali ao lado, porque é provavelmente a melhor capa de todas as 29.

publicado por Henrique Raposo
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A lógica era verde, veio o burro e comeu-a

O mesmo estado que recusa ensinar a tabuada aos miúdos de 10 anos, é o mesmo estado que está a dar computadores aos miúdos de 16 anos. Dá os computadores para que os miúdos se preparem para a competição económica da globalização. Pois, e este mesmo estado compra os computadores a países onde os miúdos aprendem a tabuada aos 5 anos. Ninguém é competitivo quando não se aprende a tabuada e demais instrumentos em tenra idade. Os miúdos que não aprendem nada na primária não vão fazer nada com os computadores, a não ser ver MILFs. O que não é mau de todo. O problema é que isso não é para fazer na escola. Na escola, aprende-se a tabuada para que, no futuro, se possa ter uma MILF no quarto e não no computador. 


 


Não há coisa mais idiota neste país do que a política de educação.



publicado por Henrique Raposo
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Se os israelitas acreditam…
Shimon Peres acha que sanções podem parar o Irão... É melhor ler.

publicado por Henrique Burnay
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Segunda-feira, 23 de Julho de 2007
Tudo o que precisa saber sobre a “Europa” em três passos
Os anti-europeístas querem um referendo para que o povo prove que não gosta do projecto europeu;

Os Euroentusiastas querem referendos para convencer o povo de que deve amar com fervor o Projecto Europeu;

Os políticos europeus sabem que os Estados precisam da Europa e acham que a Europa precisa de ser feita sem demasiado povo.

publicado por Henrique Burnay
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O doutor César das Neves é que os topa a todos
O delicioso artigo 11º do Tratado de Tripoli (1796), entre os Estados Unidos da América e o Bei de Tripoli.

"As the Government of the United States of America is not, in any sense, founded on the Christian religion; as it has in itself no character of enmity against the laws, religion, or tranquillity, of Mussulmen; and, as the said States never entered into any war, or act of hostility against any Mahometan nation, it is declared by the parties, that no pretext arising from religious opinions, shall ever produce an interruption of the harmony existing between the two countries." De simples acesso na Wikipedia.

Provocam a Ira, depois queixam-se.

publicado por Henrique Burnay
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Vamos longe

Parece que a Câmara Municipal do Porto se prepara para concessionar a privados a recolha de lixo de algumas zonas da cidade. A propósito disto um dos canais ouviu os trabalhadores camarários adstritos a estas tarefas que estavam revoltados com esta deliberação. Ou não ouvi ou não foi falado se os trabalhadores transitariam para a concessionada, o que retive foram as palavras de um dos entrevistados que afirmou (escrevo de memória) estar muito zangado por estar convencido que quando tinha entrado para os serviços camarários tinha encontrado um emprego para a vida… este senhor, que assim falou, teria vinte e tal anos…



publicado por Pedro Marques Lopes
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Feliz por acaso

A felicidade é sempre um acaso.


 


Não tenho memória de elefante. Tenho memória de cão. Decoro cheiros. Lembro-me do cheiro do meu primeiro estojo. Ia a entrar para a sala da 1ª classe. E não tinha estojo. Mas a minha mãe, num esforço à carl lewis, chegou a tempo. Com os afias, lápis, canetas, tudo enfiado no meio primeiro estojo. O estojo com o tal cheiro que eu reconheceria na China. Um cheiro que me deixa feliz. Reencontrei-o algumas vezes. Mas nunca o fixei. Nunca o isolei.



 

Agora, por obra do acaso, a cortina do meu duche é feita do mesmo material do meu primeiro estojo. Finalmente, e por acaso, fixei aquele cheiro. E está na minha casa de banho. Nunca um gajo foi tão feliz enquanto toma banho.



 O acaso é a única divindade aceitável.  

publicado por Henrique Raposo
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Um império é um império é um império
Eu já sabia que no umbigo europeu cabia muita asneira. Também já sabia que para uns quantos Estados, o seu egocentrismo roça o rídiculo. Esta semana, por terras austríacas percebi como verdadeiramente pensam os pós-impérios: como se nunca o deixassem de ser.

O caso austríaco é sintomático do dilema europeu. Adoram conceitos guterristas como "solidariedade", "diálogo", "unificação", "harmonização", como se isto significasse alguma coisa em política. Pensam como uma superestrutura cultural que se vai espalhando pela vizinhança para criar coisas magníficas e uma "harmonia" entre todos. Um mundo perfeito, cheio de coisas boas. As deles, claro.

Esta concepção federalista tem nos EUA o alvo preferido. Ao mesmo tempo que consideram a "harmonização" europeia como única e inatingível, dão umas alfinetadas em Washington: a "harmonização" deles é pérfida. O lado menos "bonito" do espaço-euro-atlântico. Há que educá-los, portanto.

A Áustria, que não faz parte da NATO, contribui com uns soldados (que consideram como "os melhores do mundo") nas operações levadas a cabo pela UE. Além de se considerarem um exemplo de fazer a guerra e a paz, não sabem bem como chegar a todos os pontos do mundo que ambicionam "harmonizar". Sabem que a "UE deve ter um papel global", mas não sabem como. Ah! Os americanos são do pior; mas não conseguimos viver sem eles.

A UE vive um pouco este dilema (com honrosas excepções, claro): quer o mundo, mas não sabe como; ambiciona a "harmonia" e a "solidariedade", mas esquece-se que fazer política é bem mais complexo que os desejos de Natal; quer ser um modelo de prosperidade e segurança, mas não percebeu que o caminho que está a tomar anda a cegar as suas vistas.

 O idealismo europeu é filho do complexo pós-imperial de muitos dos seus membros. Difícil é cair na real. Impossível é deixar de pensar como um império.

ps: Raposo, a luta continua!

publicado por Bernardo Pires de Lima
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Portugal XXI
Regressado de mais uma semana de trabalho no centro/leste europeu, chego à Portela e lembro-me que em Portugal, nas legislativas de 2005, votaram em partidos de extrema-esquerda/esquerda-teia-de-aranha, qualquer coisa como 1 milhão de pessoas em cerca de 5 milhões e meio de votantes. Explicar a um europeu de Leste a força que o partido comunista e os seus apêndices sindicais têm em Portugal no séc.XXI, é ofender as suas almas. Por isso não o fiz.

publicado por Bernardo Pires de Lima
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Livro de reclamações

Burke não me ensinou a fazer bacalhau com natas.


Kant não me ensinou a engomar camisas.

Pulhas.

publicado por Henrique Raposo
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Já pensaram no drama?


As pobres formigas vivem em perpétua ameaça de um Raid aéreo.



 

publicado por joao moreira de sá
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Com versão



- Mas tornaste-te assim religioso por causa duma visão? 


- Bi blia!



 

publicado por joao moreira de sá
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Ou se percebe, ou não



Sky, magoa-se.



 



publicado por joao moreira de sá
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Curiosidades, ou não apenas isso.
Entre 1979 e 2007 o Reino Unido teve três chefes de governo (nem vou ao detalhe de dizer um Chefe de Estado).

publicado por Henrique Burnay
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Domingo, 22 de Julho de 2007
Roteiro Atlântico no Blogue [23 de Julho - 29 de Julho]

encontros-2007.gifENCONTROS DA ARRÁBIDA
PORTUGAL E O ORIENTE ISLÂMICO NA ÉPOCA DA EXPANSÃO PORTUGUESA

 



. 27 de Julho [horário a definir] – Ambivalências missionárias na Corte Indo-Mongol
Com Manuel Lobato  e Hugues Didier

 



. [horário a definir] – Cultura e Artes entre Oriente e Ocidente
Com Adel Sidarus e Nuno Vassalo e Silva

 



. 28 de Julho [horário a definir] – Entre diplomacia e missionação na Pérsia Safávida
Com Dejanirah Couto e John Flannery 

 



. [horário a definir] – Polémicas Islamo-Cristãs na literatura persa
Com Francis Richard 

 



. [horário a definir] – Visões da Pérsia e do Índico na literatura luso-oriental
Com Luís Filipe Thomaz, Rui Loureiro e Vasco Resende 

 



Local: Convento da Arrábida
Apartado 28 – Azeitão
Organização: Fundação Oriente
Contacto: arrábida@foriente.pt



publicado por aLaíde Costa
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Trocadilho quente
- Está calor aqui, o que é que tens aqui para eu me arrefecer?

- Tenho um leque de opções.

publicado por joao moreira de sá
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Sábado, 21 de Julho de 2007
País real
Pus hoje a cabeça fora da janela, no cruzamento da minha rua com a Rotunda da Boavista, melancólico e receoso de uma coisa ou outra, no intervalo de leituras eruditas. Vi dezenas e dezenas, centenas, de pessoas a passarem a pé e a colar o nariz às montras. Não me pareceu, de cima para baixo, que nenhuma delas andasse – o RAF que me perdoe - muito preocupada com as alternativas dentro do PSD, sobretudo com a sinceríssima e lacrimosa figura do outro lado do rio, a que arquitectou o glorioso plano de transformar Gaia na Londres do Mediterrâneo, na feliz expressão de um adepto próximo. Quando muito, talvez alguma, se informada, manifestasse curiosidade por Maria José Morgado (era preciso explicar quem era) ir processar a irmã gémea de Carolina Salgado, segundo vem no Diário de Notícias. Mais um golpe do muito subtil João Botelho e da grácil Leonor Pinhão? Ninguém diga que está bem. São capazes de tudo para arrebanharem, nem que seja à força, os seis milhões de espectadores que o nicho de mercado à partida lhes assegura. Senti-me próximo da população.

publicado por Paulo Tunhas
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Sexta-feira, 20 de Julho de 2007
Post engraxado



- Porque é que dizes que sou um sabujo, um cachorrinho que lambe as botas do patrão? 

- Olha, para onde vais agora? 

- Para a reunião, ão, ão, ão...

 




 



publicado por joao moreira de sá
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O post socrático do millennium
Teoria da conspiração: 


Resultado ao intervalo:  Maçonaria, 1 - Opus Dei, 0



 

publicado por joao moreira de sá
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Falcão e Abreu Cravo
Hoje, às 19h, na Rádio Europa (90.4), Manuel Falcão e Laura Abreu Cravo dão uma coça à actualidade política do país. Como não podia deixar de ser, as eleições intercalares são analisadas. O Manuel Falcão fez um ataque de rapina sobre a situação da TV Digital em Portugal, e Laura deixou o ego de Saramago em fanicos (’tá a ouvir, ò sôr ibérico?). E o Manuel fez questão de relembrar um facto hoje esquecido: o José Saramago foi um dos maiores inimigos da liberdade de expressão em Portugal. Para acabar, ainda se falou da lei do aborto.   

A Antonieta Lopes da Costa garantiu a imoderação e eu fiz de perguntador.

 PS: Abraço para o nosso PPM, algures no país real no gozo das duas férias.

publicado por Henrique Raposo
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O futuro da direita e os afias
Henrique Raposo salienta a sugestão de José Miguel Júdice, para que um futuro partido da direita utilize as ideias divulgadas na Revista Atlântico. Ao mesmo tempo, anda numa azáfama à procura de um afia. Depois do Corte Inglès e do Monumental, é tentar o Continente do Colombo. Belmiro nunca esqueceu como se fazem contas.

publicado por André Abrantes Amaral
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Spread the virus
José Miguel Júdice sublinha que “a única solução [para vencer o PS] é um grande partido de centro-direita e de direita que congregue os melhores quadros do PSD, do CDS e de grupos de intervenção política como o Compromisso Portugal ou os promotores da revista "Atlântico"


no DE



publicado por Henrique Raposo
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Mudar de casa
O intelectual de direita dá o corpinho ao manifesto: sobe e desce escadas carregando as caixas dos livros. O intelectual de esquerda – que tem sempre mais dinheiro do que o intelectual de direita (mistérios do capitalismo moderno) – contrata os proletários da empresa de mudanças e fica a reler o livro de sempre.

publicado por Henrique Raposo
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SiCKO e as ficções de Daniel Oliveira
SiCKO: a realidade não é um filme.

publicado por André Alves
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Assobiar para o lado

A crise interna do PSD tem pelo menos um mérito: o de permitir ao cidadão comum perceber melhor o tipo de funcionamento dos partidos. Enfatizo partidos. Como é claro, estes jogos de poder de contornos pouco claros, feita por gente que perdeu, de há muito, a ligação à comunidade não é monopólio do PSD, é sim, comum a todos os partidos, principalmente aos dois maiores.
Permite-nos, por exemplo, perceber quais são os critérios de selecção das pessoas para os mais diversos lugares públicos que, já por si é prova para percebermos a diferença entre o que é normal num partido e o que é normal numa empresa privada, por exemplo. Percebemos que expressões como competência são substituídas, nesta lógica, por lealdade orgânica e que serviço público é traduzido para interesse partidário.
Este período difícil dos partidos pode ter duas consequências: a primeira é a de os cidadãos se tornarem tão cépticos em relação aos partidos que esta situação ponha em causa o regular funcionamento da democracia. A segunda, e muito desejável apesar de improvável, é a de os partidos fazerem uma séria reflexão interna dos seus modelos de funcionamento e recrutamento que lhes permita recuperar a confiança dos cidadãos.
Sem partidos não há democracia. Estas organizações humanas, imperfeitas por definição, nunca estarão isentas de muitos defeitos. A questão é que, tal como ao Estado e demais instituições com relevância para a comunidade, os cidadãos têm o direito e o dever de estarem atentos ao funcionamento interno dos partidos, pois é das suas regras internas e critérios de selecção que saem as pessoas a quem nós confiamos os destinos do país. É fundamental que o cidadão pugne pela boa saúde dos partidos, disso depende em enorme parte a nossa democracia.

 Também no 31 da armada



publicado por Pedro Marques Lopes
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Quinta-feira, 19 de Julho de 2007
O fim de uma Era
The image “http://www.minfo.pt/fotos/produtos/big/1011001_G.JPG” cannot be displayed, because it contains errors.No novo e felliniano Monumental, causei um terramoto. Cheguei à papelaria, e disse: "quero um afia, sff". Pronto, foi o caos. A menina não percebeu. Era tão nova que, de certeza, só viu lapiseiras na vida. Repeti: "quero um afia, sabe, daquelas coisas para afiar o lápis". Por momentos, pensei que ela também não sabia o que era um lápis.

Ela procurou, e nada. Já não há afias.

publicado por Henrique Raposo
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Manuel Falcão e Laura Abreu Cravo no “Descubra as Diferenças”

Amanhã, pelas 19h, na Rádio Europa (90.4), Manuel Falcão e Laura Abreu Cravo dão uma coça à actualidade política do país. Como não podia deixar de ser, as eleições intercalares são analisadas. O Manuel Falcão fez um ataque de rapina sobre a situação da TV Digital em Portugal, e Laura deixou o ego de Saramago em fanicos ('tá a ouvir, ò sôr ibérico?). E o Manuel fez questão de relembrar um facto hoje esquecido: o José Saramago foi um dos maiores inimigos da liberdade de expressão em Portugal. Para acabar, ainda se falou da lei do aborto.   


A Antonieta Lopes da Costa garantiu a imoderação e eu fiz de perguntador.



 PS: Abraço para o nosso PPM, algures no país real no gozo das duas férias.

publicado por Henrique Raposo
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A Alemanha já não está no pódio
La Chine devient la troisième puissance économique mondiale

publicado por Henrique Raposo
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Independentes à portuguesa
Hoje de manhã ouvi Helena Roseta na rádio. Já é a terceira ou quarta vez que oiça Roseta depois das eleições. As nossas editorias leram no resultado das eleições que os portugueses estão fartos de políticos e que os independentes blá blá blá blá. Vai daí, telefonam a Helena Roseta. 

E Roseta aproveita todo o tempo de antena para debitar lugares comuns. Não tem uma ideia que não seja óbvia. Ela é aquela vizinha que nas reuniões de condomínio repete sempre que todos devíamos fechar a porta do prédio, lembrando que é por uma questão de segurança e de respeito e blá blá blá. Normalmente essa vizinha diz isso levantando a voz e metendo um ar meio indignado (que é o ar que se mete quando se diz qualquer coisa que se pensa que é importante).

Evidentemente que Roseta tem toda a razão naquilo que diz. Sem ironias, ainda não a ouvi dizer nada de errado. Mas só diz coisas óbvias. Se alguém lhe disser que pensa abrir um restaurante, de Roseta pode esperar os seguintes conselhos:

"é muito importante haver mesas e cadeiras. As pessoas têm de sentir confortáveis enquanto comem"

"É fundamental aceitar dinheiro e cartões. As pessoas devem ter facilidade em pagar. Nas grandes capitais, todos os restaurantes aceitam dinheiro e cartões".

"Nem pensar em não ter WC no restaurante. Há pessoas que poderão precisar de o usar no tempo que demora a refeição."

"É fudamental lavar sempre a loiça depois de das refeições. É inadmissível colocar pratos sujos e com resto de comida sobre as mesas"

p.s. Roseta keeps on stating the obvious sim, mas também não perde uma oportunidade de se vingar de Sócrates, por este nem ter respondido à cartinha. Independente dos partidos e da politiquice? Hardly...

publicado por Pedro Boucherie Mendes
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é o sistema, pá!
Há por aí umas almas caridosas que fazem lembrar aqueles velhos rezingões do "no meu tempo é que era" e o catano. Passam os dias por trás dos computadores a zurzir nos partidos, nos políticos, nas "estruturas mafiosas", na "podridão do sistema", etc, etc. A conversa é chata e começa a irritar. O pior é que gostavam de lá andar metidos e uns quantos bem o tentaram. Parece é que nunca conseguiram acertar no candidato certo.

publicado por Bernardo Pires de Lima
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Jacques: esse grande homem de esquerda
Quem espera sempre alcança. Bem-vindo Jacques.

publicado por Bernardo Pires de Lima
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O chamado humor rasteiro


Não sei qual é a admiração por, com Marques Mendes, o PSD ter resultados tão baixos...


 



publicado por joao moreira de sá
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Isto é musica para os meus ouvidos



- Nick, cave!


- oh Tom, waits.



 

publicado por joao moreira de sá
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Quarta-feira, 18 de Julho de 2007
Roteiro Atlântico no Blogue
20 de Julho [21h30] - A União Europeia na Encruzilhada: Limites e Possibilidades do Projecto Europeu

Com António Figueira, Nuno TelesRicardo Paes Mamede entre outros

Local: livraria Eterno Retorno - Ler Devagar (Fábrica de Braço de Prata) - Lisboa

Organização: Le Monde diplomatique  e Dinâmia

publicado por aLaíde Costa
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Escritores e comunistas
Entre vários comentários a um post lá em baixo sobre Saramago, há um, de Pedro Oliveira, que merece, e pode facilmente, ser respondido. Pergunta-me ele se há algum “escritor comunista” de que eu goste, e depois insinua que a resposta é “não”, porque a minha conversa (o meu interesse) não é sobre literatura. Ora, a minha conversa é precisamente sobre literatura, e a resposta à questão dele é: sim, admitindo que a expressão “escritor comunista” faça sentido (o Pedro Oliveira costuma falar de “escritores social-democratas”?). Uma lista rapsódica: Gorky (uma boa parte, incluindo A mãe); vário Éluard (a parte bem retratada num poema de O’Neill sobre ele); Steinbeck (um dos autores mais injustamente esquecidos hoje em dia); o Aragon do Paysan de Paris (não tenho tempo para ver se já era do PC quando o escreveu); Malraux quando o era; Vailland quase todo (apesar do muito artificial da coisa); vários ingleses sortidos que por essas bandas andaram nos anos 40; Brecht, às vezes (mas percebe-se sempre que é bom – independentemente de se gostar ou não); e, por cá, o Soeiro Pereira Gomes dos Esteiros (que, por acaso, reli no outro dia, com bom prazer e alguma comoção, apenas embirrando uma vez ou outra com frases como “água que não lavava a tristeza das paredes nuas”); ou José Cardoso Pires. E fico por aqui para não maçar, esquecendo-me de muitos, ou por verdadeiro esquecimento ou por ignorância. Mal puser isto no blog, lembro-me de outros. Se o Pedro Oliveira me perguntasse agora se eu teria paciência para passar o próximo ano só com estes autores, eu teria provavelmente que lhe responder que não, mas ele perceberá que isso não se deveria a razões ideológicas. Acredite ou não, eu estava mesmo a falar de literatura. O comunismo sempre se deu pessimamente mal com a literatura, mas, apesar de tudo, houve alguns bons “escritores comunistas”. Se alguém nesta conversa “ideologiza”, não sou eu.

Ah! – e agora respondendo ao Tiago Mendes - : desculpe, Tiago, mas a sua resposta não foi uma resposta; tenho a impressão que não leu o livro em questão com a atenção que proclamou. Nem a mim, de resto: não afirmei que o facto de haver passagens que se repetem textualmente no “Ensaio sobre a cegueira” condenasse a obra ao opróbrio eterno; limitei-me a pedir uma explicação do facto – que me intrigou - a um confesso apaixonado dela. Mas vejo que não lhe apetece perder tempo com meros detalhes estilísticos. Gostou – é genial – e pronto. Está bem.

[Correcção: onde escrevi: "vários ingleses sortidos que por essas bandas andaram nos anos 40", queria obviamente dizer "nos anos 30"]

publicado por Paulo Tunhas
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Sôr engenheiro, já encomendei as faixas

     Cardozo              Bergessio



 

                Simão



 

Rui Costa              Manuel Fernandes



 

                Petit



 

Leo     Zoro       Luisão     Nélson



 

      


 Henrique “Camus” Raposo




publicado por Henrique Raposo
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PAC
O que eu gostava de saber é o seguinte: quando é que os outros países europeus encostam a frança (sim, com minúscula) na questão da PAC? Esta aberração agrícola - que está a empatar as negociações com o Brasil e afins na OMC - é isso mesmo: uma aberração sem sentido. E uma imoralidade, como muito bem dizem brasileiros, africanos, indianos e afins. E esta aberração só resiste porque a frança assim quer. Porque a frança acha que a PAC protege um modo de vida.

E depois é essa mesmíssima frança que tem o hábito de falar em nome do resto do mundo. O resto do mundo que Paris lixa constantemente com a PAC. E depois é sempre o UK que é o mau da fita nas negociações do orçamento da UE.

As negociações na OMC têm mais impacto do que qualquer decisão da ONU. São mais importantes do que qualquer guerra de baixa intensidade (tipo Libano). A OMC é real live, é ali que se constrói a ordem internacional onde vivemos. A ordem mais pacífica de sempre, que faz com que uma guerrinha de verão pareça o fim do mundo. Que na Europa pouco se fale da OMC diz bem no pouco à-vontade europeu para falar de politics a sério.

publicado por Henrique Raposo
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Mudar de casa

A nossa vida cabe numa Toyota Dyna 350.



publicado por Henrique Raposo
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Claustrofobia informática
Quero escrever (Amartya) Sen, mas o word muda sempre a coisa para Sem, sem me pedir qualquer autorização. Se a ERC sabe disto, vai querer copiar os tiques do meu computador e democratizá-los pelo país.

publicado por Henrique Raposo
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Vida de teso
Ir ao corte ao corte inglês comprar um afia e ao lado estar um gajo a comprar um plama, a playstation e a brasileira com quem vai jogar playstation.

publicado por Henrique Raposo
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Cientistas

Vejo no jornal: “há 247 razões que levam as pessoas a ter sexo – diz estudo científico”. Lamento, caros cientistas, mas só há uma razão que leva ao sexo: tesão. E é coisa que não carece de ciência para ser descoberta. Caros cientistas, procurem o fundo do mar, tentem descobrir a cura para o cancro ou SIDA, e deixem a malta em paz



publicado por Henrique Raposo
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Este fado que não nos larga

Há muito pouco a acrescentar a esta excelente análise do Rodrigo.


Resta só lembrar o que se passou com o PS num passado relativamente recente: só com a morte edipiana do pai Mário Soares é que conseguiu reorganizar-se.


O que mais custa é ver algumas das melhores figuras intelectuais da nova direita arrojarem-se aos pés do salvador Cavaco pedindo-lhe que lhes mostre a luz.


Que Cavaco Silva tenha a presença de espírito suficiente para não se converter numa nova espécie de D.Sebastião. Se isso não acontecer a direita em Portugal caminhará inexoravelmente para o abismo.    


 



publicado por Pedro Marques Lopes
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Claustrofobia Now (2)
E da sarjeta se ergueu a Comissária que pôs na ordem o Ministro Censor. Por Adolfo Mesquita Nunes.

É pena que o Governo precise de Comissários Europeus para aprender que as liberdades não são outorgadas pelo Estado. Que não há uma liberdade de imprensa boa e uma má. Que não cabe ao Estado definir o que seja uma sarjeta. Que não cabe ao Ministro que tutela a Comunicação Social interferir na própria edição dos órgãos de imprensa.


publicado por André Alves
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Saramago, II
O Saramago, apesar de algumas frases geniais, é um péssimo escritor. O Lobo Antunes só poderia ser um “grande escritor” em Portugal. Porque, seguindo um critério universal, fora das regras muito específicas do "romance tuga", Lobo Antunes é um escritor mediano, que deixará de importar quando morrer. Idem para Saramago. O melhor que se pode dizer a Saramago é que a sua semente é seca. A obra de Saramago morre no dia em que Saramago morrer. Saramago é a Pearl S. Buck da literatura portuguesa.

E já que estamos de férias, vou ali reler o Sena.

publicado por Henrique Raposo
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Uma felicidade e uma dúvida

Estou felicíssimo por poder aproveitar a feliz circunstância de o Tiago Mendes ter lido de enfiada e gostar muito do “Ensaio sobre a cegueira” para lhe pedir encarecidamente que me explique a profunda razão estilística por detrás da repetição de frases inteiras nas páginas 284 e 295-296. Não creio que, no entusiasmo, ela lhe tenha escapado. Quanto ao que ele diz sobre a reflexão sobre os outros escritores, lamento não conseguir arranjar maneira de dizer que ele não percebeu o que escrevi sem lhe dizer que ele não percebeu o que escrevi. Mas isso não é importante. Fico à espera da resposta à minha pergunta. Não é uma experiência crucial para decidir o que quer que seja sobre Saramago, mas gostava de uma respostinha deste tão abalizado leitor.



publicado por Paulo Tunhas
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Saramago
É engraçado. Quando se escreve algo crítico sobre Saramago, aparece logo alguém que – nem tomando conta de objecções que se façam ao seu modo de escrever – olimpicamente faz notar que não se devem confundir as posições políticas (“detestáveis”) do autor, bem como o seu carácter (“arrogante”), com a dimensão do escritor (“notável”). É engraçado porque obviamente o principal não reside mesmo nas convicções políticas de Saramago – partilhadas por um número infindo de idiotas no mundo inteiro -, nem no seu suposto carácter – a “arrogância” nem sequer é forçosamente um defeito. O essencial consiste num facto palpável para quem não for completamente iletrado e tiver lido um ou dois bons romances ao longo da vida: a dimensão menoríssima da sua obra, que um certo talento – é um mau escritor talentoso, como já escrevi na Atlântico - não resgata da mais patente vulgaridade. É claro que isto tem a ver com as “ideias”, mas não no sentido vulgar normalmente concedido à palavra. Tem, entre outras coisas, a ver com a capacidade que qualquer bom escritor deve ter de reflectir sobre a sua obra e a dos outros, e com o modo como isso se manifesta, de forma mais ou menos perceptível, no que escreve. Por acaso, passei uns dias a ler dois livros de ensaios de Coetzee - Stranger Shores (2001) e Inner Workings (2007) – que, em conjunção com os seus romances, ilustram perfeitamente o que digo. Coetzee é um bom romancista; Saramago não. A ausência de subtileza não se encontra entre os atributos desejáveis de um escritor.

publicado por Paulo Tunhas
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