Segunda-feira, 2 de Julho de 2007
O Médio Oriente somos nós

"Apesar de muitos o preferirem ignorar (...) o Médio Oriente globalizou-se e encontra-se entre nós"
Esta frase termina o meu editorial da edição de Julho da Atlântico, nas bancas. Foi escrita a propósito de uma visita a Israel, mas os atentados frustrados no Reino Unido reforçam a sua actualidade. Diziam-me amigos meus em Jerusalém que já houve tempos em que muita gente se queixava do "clima militar de alta segurança" que se encontrava mal se desembarcava no aeroporto de Telavive - mas que hoje todos reconhecem que afinal nem é tanto assim, comparado com o que se vê nos dias que correm em aeroportos como os de Paris ou Londres. O Médio Oriente internacionalizou-se e todos - ou quase todos - compreendem que o combate contra o totalitarismo moderno da Al Qaeda não pode ter tréguas. Como se pode ver, quase 6 anos depois do 11 de Setembro de 2001, o longo combate começa a dar os seus frutos: a Al Qaeda e os seus operacionais falham os objectivos e são detidos em nome da democracia e da liberdade.
À candidata Helena Roseta
Por que fala tanto dos
cidadãos, mas
nunca defende o uso privado dos espaços públicos?
Movimento Informação é Liberdade a crescer
O grupo de jornalistas abaixo assinados constatando que se encontra em marcha o mais violento ataque à liberdade de Imprensa em 33 anos de democracia, decidiu juntar a sua voz à de todos os cidadãos e entidades que se têm pronunciado sobre a matéria e manifestam publicamente o seu repúdio por todo o edifício jurídico aprovado pela Assembleia da República, ou à espera de aprovação, referente à sua actividade profissional, que consideram limitativo do direito Constitucional de informar e ser informado.
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aqui.
Boas notícias da Grã-Bretanha: eles falham e são apanhados
In Hunt for Bomb Plotters, Britain Sees a Qaeda Link
O novo Pravda
Depois do editorial de hoje do DN não existem mais razões para a existência do Acção Socialista.
Memória e Política

Enquanto nós, europeus, continuamos presos à nossa memória (a Polónia é memória em forma de gente), uma memória que só vai passar em 2017 (se passar), lá fora, os outros fazem política. Isto é o Nimitz (EUA) e o Viraat (Índia) a brincar às guerras no Índico, sítio onde a China anda a fazer mijinhas incómodas nos postes indianos.
Hoje, o Nimitz atraca num porto indiano. Pela primeira vez, um porta aviões americano entra num porto indiano. "Simbólico" é pouco. O dentista do Nimitz é indiano de origem. "Simbólico" não chega para descrever a coisa.
Podemos continuar a discutir os nossos umbigos e a nossa memória europeia. Tudo bem. Mas temos de perceber que lá fora os outros não esperam. E nós contamos cada vez menos. Nos últimos anos, a classe média indiana tem crescido ao ritmo de duas "duas austrálias" por ano, isto é, uma Polónia por ano. Vamos continuar a discutir os gémeos polacos? Ou vamos começar a falar de política?
Team Gordon
A paciência é uma virtude em política. Com um mandato de atraso em relação à sua expectativa, Gordon Brown assume a chefia do Governo britânico com uma tarefa difícil pela frente. Primeiro, porque enfrenta um Partido Conservador com níveis de popularidade únicos na última década. Segundo, porque sucede a Tony Blair, que, para o bem e para o mal, foi um político demasiado marcante.
Brown sabe, porém, que o trabalho feito como ministro das Finanças de maior sucesso no último século britânico joga a favor da sua credibilidade, uma característica que muitos apontam como tendo sido fatal para Blair. Por isto, o novo primeiro-ministro compôs a sua equipa em Downing Street com aqueles que o assessoraram no Tesouro. A máxima recorre ao pragmatismo: em equipa que ganha não convém mexer.
Mas se o team Gordon transita das Finanças, o executivo mostra novidades interessantes, servindo de indicador à estratégia de Brown para os próximos três anos, altura em que os britânicos o julgarão nas urnas. Mantém Des Browne (estabilidade na Defesa) e promove Alistair Darling da Indústria e Comércio (bastante elogiado no mundo empresarial) a ministro das Finanças. Pela primeira vez, uma mulher comanda os Assuntos Internos, Jacqui Smith, uma tentativa de agilizar a comunicação política para as minorias étnicas, tradicionalmente um eleitorado apetecível à esquerda. David Miliband (41 anos), um delfim de Blair, passa para os Negócios Estrangeiros, dando um sinal claro da prioridade dada à acção externa. Jack Straw, ex-titular do Foreign Office e aliado de Blair na guerra do Iraque, assume o novo ministério da Justiça.
Ed Balls, braço direito de Brown na última década, assume a pasta das Famílias, Escolas e Crianças e, numa jogada que procura afastar o insucesso da recente aproximação aos liberais-democratas, a política da Irlanda do Norte passa a ser chefiada por um ex-conservador, Shaun Woodward, duas opções que encaram olhos nos olhos o eleitorado de centro-direita.
Será, pois, em volta deste núcleo que se jogará o sucesso ou o fracasso de Gordon Brown. O soundbite já pertence ao passado. Agora impera o pragmatismo.
[Pragmatismo oblige, Público, 29 Junho]
Solnado ao telefone
- Exonerado? Mas eu estou desempregado. - Ah, vão-me nomear para depois eu ser exonerado. Por mim tá bem, não tenho assim nada pra fazer. - Pois, e pagam? - Eia, e carr... e telem... e vis... ei. Mas olhe lá, isso depois é pra devolver? - Depende de quê? - Nem desse nem doutro, nunca me meti em políticas. - É quanto por mês? - Não tá caro. - Mandam por correio. Tá bem. E isso serve para quê? - Ai andam a tentar passar o Benfica para entrar pro Gu
iness. - E depois já não tenho que devolver o que gastar. - Então mande lá isso. E é para começar quando? - Amanhã? Chiça! Ainda dizem que funciona devagar. - Mas entro em funções só daqui a três meses... - ... no diário da república. - Mas então porque é que não publicavam logo também a exoneração, assim para sair uma semana depois, eu trazia o telemóvel, que dá-me jeito e o tal cartão de sócio ou de descontos ou coiso... - Tá bem, eu espero. - Até lá o quê? - Ai é segredo de justiça. É justo. - Senão fico arguido? Arguido e mal pago. (já que ao Próprio isto não chega… imagino)
Subscrevo
Alerta ao País
O grupo de jornalistas abaixo assinados constatando que se encontra em marcha o mais violento ataque à liberdade de Imprensa em 33 anos de democracia, decidiu juntar a sua voz à de todos os cidadãos e entidades que se têm pronunciado sobre a matéria e manifestam publicamente o seu repúdio por todo o edifício jurídico aprovado pela Assembleia da República, ou à espera de aprovação, referente à sua actividade profissional, que consideram limitativo do direito Constitucional de informar e ser informado.
Em causa estão, designadamente, os poderes e a prática da Entidade Reguladora para a Comunicação Social, as novas leis da Rádio e Televisão, o recentemente aprovado Estatuto do Jornalista e o anteprojecto de lei contra a concentração da titularidade, ainda em fase de discussão pública e ironicamente apresentado pelo legislador como de promoção do pluralismo e da transparência e “independência perante o poder político e económico”. Acresce ainda o futuro Código Penal - negociado entre PS e PSD no Pacto da Justiça – na parte que se refere à Violação do Segredo de Justiça.
Do conjunto destaca-se, no imediato, o novo Estatuto do Jornalista, recentemente aprovado no Parlamento e prestes a ser sujeito ao escrutínio do Presidente da República.
Tal diploma, ao arrepio da tradição democrática portuguesa, do espírito e letra da Constituição e das regras internacionalmente adoptadas em sociedades livres e democráticas, obrigará os jornalistas a violar o segredo profissional em nome de conceitos passíveis de todas as arbitrariedades; concederá a um órgão administrativo (na prática não independente) o papel de árbitro em litígios entre os jornalistas e as suas entidades empregadoras em matérias de foro ético e deontológico; insistirá em manter na alçada desse órgão administrativo o controlo deontológico da actividade jornalística, reforçando-lhe, além do mais, e, de forma abusiva, os poderes sancionatórios.
Assim, por considerarem que, neste momento, em Portugal, está verdadeiramente em causa a Liberdade de Imprensa, um direito fundamental constitucionalmente garantido;
por considerarem que o exercício da sua profissão passará (no caso de promulgação do diploma do Estatuto do Jornalista), a ser desenvolvido com limitações intoleráveis;
por considerarem que uma informação livre, sem qualquer temor pelos poderes, quaisquer que eles sejam, é um garante decisivo da Democracia;
por considerarem que, tal como sucede em Portugal em outras áreas de actividade, deverão ser os jornalistas a autoregular-se em matérias de Ética e Deontologia e no controlo do acesso e do exercício da profissão;
os jornalistas profissionais abaixo assinados manifestam publicamente a sua total disponibilidade para assumir essa autoregulação e esse controlo, desenvolvendo para tal, desde já, todos os esforços necessários nesse sentido, em articulação com todos os profissionais e com as instâncias também empenhadas em garantir o direito fundamental de informar com liberdade.
Lisboa, 27 de Junho de 2007
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Movimento Informação é Liberdade
Domingo, 1 de Julho de 2007
Ainda a tempo

A frase é de Fernando Adão da Fonseca, presidente do
Fórum para a Liberdade de Educação e um dos principais animadores dos Encontros dos Jerónimos, em entrevista que se recomenda ao "
Público". Pode ler em
PDF.
O “gajo” não é “porreiro”
Eu percebo a simpatia que alguns jornais têm por José Sá Fernandes: é, em grande medida, o reflexo da admiração de alguns jornalistas pela personagem, vista como uma espécie de dom quixote. Não é uma cabala, ou uma campanha secreta que leva Sá Fernandes a ser escolhido para a capa da revista Actual, do Expresso, quando todos os principais candidatos são fotografados - aliás, muito bem fotografados, numa bela peça de jornalismo.
Nada disso, tudo é muito mais prosaico. Não me admira nada que também os jornalistas que se dedicam ao chamado "jornalismo de investigação" simpatizem com o homem, até porque não deve ter sido nada má fonte durante todos estes meses e é o tipo de pessoa que os jornalistas costumam achar um "gajo porreiro", com quem são capazes de "beber um copo". Fixe, baril. Um "gajo porreiro" que consegue ter a seu lado outro "gajo porreiro" chamado Gonçalo Ribeiro Telles, para além do mais monárquico, vejam lá se não é mesmo uma esquerda "porreirinha"? Tenho amigos meus que concordam e que até ajudaram na campanha do "gajo porreiro".
Eu também estaria na disposição de achar Sá Fernandes um "gajo porreiro". Poderia, não fosse o caso de ter sofrido como condutor e peão - e como eu, muitos outros milhares de lisboetas -, as consequências de uma providência cautelar por ele imposta e que atrasou longos meses a fio a abertura do túnel do Marquês. A grande obra de Sá Fernandes durante os dois últimos anos, para além de uma denúncia à justiça - que veremos onde irá levar -, foi uma providência cautelar contra a construção de um túnel necessário.
Sempre que pretenderem pensar nele como um "gajo porreiro", lembrem-se dos atrasos e dores de cabeça que provocou na resolução de um ponto de caos no trânsito em pleno centro de Lisboa. Em nome de enormes perigos que todos, incluindo o próprio, sabem hoje que não existem. Faço questão, sempre que posso, de passar pelo túnel de Lisboa. Como eu, muitos lisboetas, que pelas sondagens conhecidas defendem esmagadoramente que o túnel foi uma obra necessária e relevante. Passar pelo túnel - por baixo ou pelos lados - é a melhor forma de nunca esquecer que o "Zé" pode ser muita coisa, mas não é nada "porreiro".
Um bocadinho de totalitarismo faz bem à saúde (2)
England smoking ban takes effect
News from Portugal: to whom may be concerned

[NR: On the first of July, the Portuguese Presidency of the European Union begins, lead by José Sócrates, the socialist Prime Minister. In the cover of the Atlântico magazine, Mr. Sócrates is the face in the picture – it plays on The Scream by Edvard Munch. The main story in this issue is an essay by the social-democrat Paulo Rangel, who writes about the "democratic and political claustrophobic environment" that we are experiencing in Portugal.]
The Portuguese Prime Minister, José Sócrates, leads a government which persecutes people who criticize the way the country is ruled or who make jokes about the Prime Minister himself. In the last two months high ranking civil servants have been punished either because they joked about Mr. Socrates university degree (the alleged joke was made in a private conversation) or because they allowed public criticism over the health policy and its Minister, Mr. Correa de Campos.
In the last few weeks, important industrialists have said that some of the sponsors of a technical report about the placement of a new international airport - which contradicts Mr. Sócrates' decision - wished to remain incognito because they feared retaliation from the government in contracts with their companies.
There have been worrying signs of political harassment by over zealous officials, but until now none of the ministers or the Prime Minister himself have condemned what has happened.
Instead, the Prime Minister decided to prosecute the author of a blog that lead an investigation about his academic degree and the way it was obtained. All of the national press followed the leads in the blog and some newspapers dug further into the story. It became clear that there were contradictions between Mr. Sócrates' official CV and the university archives. Following the investigation, the private university where Mr. Sócrates obtained his degree was shut down by Government decision, put down to poor standards.
Policarpo e Carvalho da Silva, a mesma luta

Obrigado
Carlos Botelho, finalmente percebi qual a razão de termos a nossa notável legislação laboral: é uma questão religiosa.
Claro está que sendo Bagão Félix, pelos vistos, católico, não poderia jamais apoiar uma legislação substancialmente diferente da que hoje temos. Mais, dizendo-se, a esmagadora maioria da população portuguesa, católica, está encontrada a razão para estas leis subsistirem.
Será que ainda vamos ver José Policarpo e Carvalho da Silva de braço dado a descer a Avenida da Liberdade acompanhados da Odete Santos e da Madre Superiora de um qualquer convento?
To: Mrs. Clinton

A senadora e primeira-dama da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, vai candidatar-se à presidência em Outubro, segundo fontes oficiais citadas na edição de domingo do jornal Clarín.
A candidatura da mulher do presidente Néstor Kirchner será anunciada num acto público a 19 de Julho em La Plata (60 km a sul de Buenos Aires), a cidade natal de Cristina Fernández e capital do distrito que representa no Senado, de acordo com o jornal.
No Diário Digital.
Paternalismo Inflamado
O
Pedro Marques Lopes é que "encontrou" o termo acertado para classificar esta discussão que grassa pela blogosfera - inflamar. Foi uma boa escolha. Sinceramente não sei qual a origem deste paternalismo inflamado que grassa pela blogosfera. Eu já nem percebo qual é mesmo o cerne da questão, mas já se chega ao ponto de citar uma ou outra evidência "científica", cujo objectivo e contexto são geralmente dúbios. Porém, essa procura e discussão é completamente secundária, já que o que está em jogo são "valores" mais altos.
Obviamente, cada um é livre de opinar o que bem entender sobre determinado tema, mas causa-me alguma perplexidade, confesso, a mistura e a forma tendenciosa com que a blogosfera liberal anda a discutir certos temas. Eu posso não ter sido completamente inocente, mas tento ser honesto comigo mesmo nos meus textos. E enquanto a discussão continuar assim, nada como voltar a ler
este texto do Tiago.
Aron

[na Atlântico 27]
Isto não uma crítica. É uma celebração. Consta que a primeira palavra que balbuciei foi “Aron” e não “Gu-gu da-da”. Não esperem, portanto, grande contenção nesta prosa. Raymond Aron (1905-1983) foi a maior figura intelectual do século XX e, como diria Borges, encontrou o destino dos grandes: transformou-se num adjectivo, aroniano. Um adjectivo que sintetiza uma atmosfera intelectual própria, uma maneira de ver o mundo.
Nestas memórias, Aron oferece-nos uma visita guiada ao seu longo percurso intelectual. O autor recorda os seus livros e polémicas, desde o caos dos anos 30 até às incertezas dos anos 80. A Guerra-Fria («paz impossível, guerra improvável») tem óbvio destaque. Esta foi uma época marcada por uma batalha de ideias na qual «a mente ou o coração dos homens estava em jogo» (p. 206). Aron foi o navio almirante dessa batalha; defendeu os EUA e a NATO contra as hordas de amantes da URSS lideradas por Sartre. E Aron faz questão de recordar algo que já estava fora de moda nos anos 80: sem a NATO e sem a integração da Alemanha na NATO, a França nunca teria participado na construção europeia a par de uma Alemanha novamente soberana e armada. Sem o «egoísmo esclarecido» (p. 549) dos americanos, não teríamos a Europa de hoje («o plano Marshall obrigara os europeus, alemães incluídos, a trabalhar em comum» (p. 236).
Mas, hoje, mais do que a História, o que interessa recuperar é o tal espírito aroniano. E o que é ser-se aroniano? É praticar o cepticismo e, por isso, recusar o papel de intérprete «da consciência universal» (p. 536). É lutar pelo pluralismo («o Ocidente só vive e sobrevive pelo pluralismo», p. 632). É proteger o valor da humildade perante os clássicos («um ano de familiaridade com a obra de Kant curou-me, de uma vez por todas, a vaidade», p. 23). É ser capaz de fazer a ponte entre a teoria e a realidade, entre o jornalismo e a academia. Aron, jornalista e académico, criticava quem vivia apenas no «universo de algodão» académico (p. 191). É desconfiar dos Príncipes (p. 521). É recusar o quentinho ideológico e sair para o frio analítico, ou seja, é ver o mundo tal como é, e não como deveria ser. É criticar revolucionários («pode-se ser marxista-leninista e inteligente, mas nesse caso, não se é honesto», p.629) e reaccionários («nacionalistas ou reaccionários pertencem a um universo no qual eu nunca poderia respirar», p. 588). É ter o gostinho de ouvir os adversários confessar que é melhor errar com Sartre do que ter razão com Aron. É, enfim, recusar «crenças milenaristas ou racionalizações conceptuais» e preferir «a experiência, o saber e a modéstia» (p. 626). Ámen.
Os dias contados
Artigo de Alberto Gonçalves no
Diário de NotíciasAs laboriosas cabeças que reflectem sobre a educação prometem avançar com a obrigatoriedade do ensino a partir dos cinco anos. Eis uma medida consensual. A maioria dos pais não sabe o que fazer com as crianças, donde uma solução que antecipe a passagem do encargo para o Estado será sempre bem-vinda. O Estado, por seu lado, sabe perfeitamente o que fazer com elas, e, desde que a escola trocou a transmissão de conhecimentos pela partilha da ignorância, todo o tempo é pouco.
Nunca é demasiado cedo para iniciar os fedelhos no "estímulo" de "competências", "valências" e outras joviais demências em que a escola democrática se tem especializado. Qualquer idade, tenra que seja, é ideal para se aprender que não há muito a aprender, tirando umas luzes de educação sexual, "aquecimento global", Internet e a convicção de que um chorrilho de lugares-comuns prepara melhor os meninos e as meninas do que os perniciosos resquícios da avaliação tradicional. O relativismo pedagógico não pactua com os factores de desigualdade entre os alunos: aritmética, português, etc. Nem, aliás, com o genérico critério da "exigência", já que tal aberração é susceptível de limitar a "criatividade" e ferir a "auto-estima" da petizada.
No fundo, uma criança é boa na sua absoluta pureza. Por isso não se compreende que o Ministério da Educação não a recrute logo no parto, poupando-a a cinco anos de influência familiar, eventualmente devastadora. É que, incrível que pareça, existem pais mais aflitos com o futuro intelectual e profissional dos filhos do que com a sua "auto-estima", o stress infantil e a construção de uma sociedade sem classes. Por sorte, pais assim são raros, e raramente representados nas respectivas associações. Progenitores conscienciosos não arriscam criar monstros: o Estado que crie idiotas.
Pois é
"There is something even more valuable to civilization than wisdom, and that is character"
Henry Louis Mencken