Sexta-feira, 3 de Agosto de 2007
Entre um swing e uma banhoca
Qualquer produção artística pode ter o nome de propaganda pela simples razão de que expressa os sentimentos ou convicções do seu produtor. Em nenhum momento da História a cultura deixou de estar presa a fenómenos de poder fossem eles políticos, económicos, religiosos ou outros.
A inexistência de uma política de promoção cultural num pequeno país como Portugal conduziria inevitavelmente ao fim da produção cultural. Mesmo no país que é o maior exemplo de liberalismo em nestas questões, falamos, claro está, dos Estados Unidos o Estado gasta uma boa parte do seu orçamento em políticas culturais.
Lembro ao meu querido amigo Rodrigo que os castelos e museus de que fala foram construídos às custas do erário público e que sem uma política cultural articulada daqui a umas gerações já não seria preciso dinheiro para as muralhas e porteiros porque, pura e simplesmente, já não existiriam os tais castelos e museus.
V
Cavaco Silva vetou a lei que transformaria o jornalismo num beija-mão do poder. O meu voto já valeu a pena.
Os comissários e a democracia
Sobre algumas das principais questões levantadas
neste post do Pedro Boucherie Mendes, recomendo a leitura do que escreveu o João Luís Pinto:
Os comissários.
Remate
Vejamos. Estou plenamente de acordo com que este seu
texto Bernando. A Democracia vale muito mais a pena quando há oposição forte, atenta e vigilante. Deter o poder (mesmo em Democracia) implica sempre um certo abuso do mesmo. Decorre da sua natureza e é inútil fingir que não é assim. Quando Sócrates, ou o Manel ou o Joaquim, vai para chefe de Governo eu acho que haverá episódios de abuso de poder. Não sendo astrólogo, eu já sei que em 2008 haverá episódios qualificáveis como sendo de abuso de poder. Como haverá cheias, incêndios, desastres de automóvel.
O que eu já não sei é se a oposição será competente. Mas gostava.
Razões para existir
Do ponto de vista da oposição e do seu papel em democracia, Pedro, chamar-lhe "oportunismo" parece-me no mínimo simplista. O papel de oposição é ingrato por si mesmo, ainda mais quando confrontada com uma maioria absoluta. Deve, por isso, trabalhar mais e melhor. Muito mais e muito melhor do que tem feito, como sabemos.
Eu não discuti a legitimidade da decisão da tutela. Discuto e continuarei a discutir a lógica de um sistema que não premeia os bons resultados, a boa gestão e o mérito das pessoas. Foi também isto que esteve e está em causa numa série de despedimentos, em que este da Dalila Rodrigues se insere. Este país tem de ser denunciado. E cabe às oposições fazê-lo. Caso contrário não vejo razão para existirem.
Ainda a crise do museu
É um bom ponto, o do Bernardo. Mas julgo que se desvia do essencial nesta questão específica. Aquilo que a oposição e os blogues parecem sublinhar (oportunisticamente digo eu, porque não está em causa o Museu de Arte Antiga mas sim malhar no engenheiro) é que a ministra agiu de forma ilegítima. Era apenas disso que eu queria falar. Se em democracia este tipo de decisões (sábias ou nabas) são admissíveis.
E são.
A democracia de um dia só
Pode ser que a minha interpretação esteja errada, mas parece-me que o Pedro Boucherie Mendes defende que não existe oposição em Portugal e que esta, quando aparece é a reboque dos blogues. Não discuto isso. Mas o Pedro parece defender uma "democracia de um dia só", em que só pode haver combate político através do voto: de quatro em quatro anos, a malta vai em carneirada dizer se gostou ou não do governo.
Eu tenho um outro conceito de democracia. Acho que se exige à oposição combate político diário e se no caso de uma demissão como a da Dalila Rodrigues - legítima do ponto de vista da tutela - aquela não se pronuncia (na opinião do Pedro, só deveria pronunciar-se em 2009), então não me parece haver sentido para oposições.
A oposição fez bem em pronunciar-se. E mais: do meu ponto de vista, fazia sentido manter o caso no debate público mais tempo. Primeiro, porque o ministério da cultura não premiou o mérito de quem fez um extraordinário trabalho. Segundo, porque a ex-directora do museu defende para a cultura aquilo que um partido de centro-direita moderno deve defender. Terceiro, porque se é legítima a decisão da ministra, também o é a pressão política feita pelos partidos da oposição (CDS e PSD). A alternativa é o silêncio. Com o que eu convivo mal é com a democracia feita apenas de quatro em quatro anos.
Entrevista a Monsenhor Gaenswein

Pedro Sette Câmara traduziu um pequeno trecho da
entrevista com o secretário do Papa.
Uma tradução inglesa pode ser lida
aqui.
A chatice da Democracia
1. É pena que os blogs estejam a ditar o rumo da oposição. Que tenha reparado PP e PSD (pela voz do líder!!!) cavalgam a onda da dispensa da directora do Museu de Arte Antiga. Fazem mal.
2. Pelos vistos em Portugal, para blogs e para a oposição, qualquer dispensa de serviços motivada por desacordo com as linhas orientadoras das cúpulas é uma infâmia. Gostava que me explicassem como é que se pode liderar quando quem não quer ser liderado se transforma em herói. Como VPV lembra hoje no Público, não é a directora do museu quem deve prescrever a política do Ministério.
3. O respeito pelas hierarquias, a solidariedade com quem nos paga, ou a simples deposição da nossa confiança nos líderes é indispensável que qualquer empresa ou qualquer organização progrida. Mas não é automático que os nossos chefes sejam competentes. Eles são chefes, ou estão chefes. Se aceitamos estar na organização, devemos reconhecê-los como tal. Os chefes não prestam? Então, vamos à nossa vida.
Neste caso é pior. É a nossa falta de cultura democrática que motiva este circo em torno da dispensa da directora do museu que até abriu telejornais.
4. A democracia não implica o governo dos melhores, mas o governo dos eleitos. O PS ganhou as eleições e desde que governe em legalidade democrática, pode dispensar os directores de museus que entender. O PS, que ganhou as eleições, não está obrigado a ser competente, mas apenas a seguir as regras. Dispensar um funcionário com mandato quando este critica à boca cheia as políticas dos eleitos cabe neste cumprimento das regras.
5. Como se calcula, é irrelevante a questão de quem é mais competente, se a directora se a ministra. Trazer o argumento da competência para cargos de nomeação política é não perceber as engrenagens das democracias. A competência na gestão de museus (ou de outra organização pública qualquer) só seria relevante se Portugal fosse governado por uma aristocracia.
6. Em democracia, a competência é um luxo. Um luxo que se torna mais comum quando há oposições e sociedades civis (desculpem usar a expressão) mais fortes. A ministra foi incompetente em destituir a directora? Talvez. Mas a ministra foi ministra. Não gostamos? Faltam dois anos para as eleições.
A terra a quem a trabalha, pá!
Jovens,
ide ao King ver o que senhores como Cunhal, Otelo "pá" Saraiva "pá" de Carvalho (já repararam na fidalguia do nome?), o camarada Vasco, o major Tomé, Octávio Pato ou Isabel do Carmo queriam fazer do país. Sempre rumo ao socialismo, claro.
ps.
Rodrigo, gosto da subtileza da expressão "à revelia do PCP"...
O (mau) exemplo americano (2)
Infelizmente, creio que
esta frase do BZ resume bem a situação:
O economicamente analfabeto José Sá Fernandes diz que copiou a política de analfabetos americanos
“Cabra Vadia”
Isto é uma crónica
O (mau) exemplo americano
O
analfabetismo económico e a cedência às bandeiras demagógicas da extrema-esquerda só pode dar mau resultado:
"Housing". Por Benjamin Powell e Edward Stringham.
Inclusionary zoning produces all the negative effects of price controls. Price controls restrict the supply of new homes and actually make housing less affordable. Because builders are forced to sell a portion of a development at a loss, inclusionary zoning functions as a tax on new construction. Estimates of the level of the tax in California cities such as Portola Valley are over $200,000 per market-rate home. To maintain normal profit margins, builders end up passing the tax onto landowners and other homebuyers. Elasticities of supply and demand determine exactly how the burden is split, but the result is almost certainly higher home prices.
RIP Obama
Parece que o candidato Democrata Obama meteu o pé na argola. Queria armar-se em durão e ser mais papista que o Papa (leia-se Bush) mas espalhou-se ao comprido. A confirmarem-se as suas declarações -
de que estava preparado para intervir unilateralmente e invadir ou bombardear o território de países aliados se estivesse na posse de informações que permitissem eliminar alvos terroristas - estamos claramente na presença de mais um produto fabricado com graves carências no que à política internacional diz respeito. E este devia ser o ponto de preocupação daqueles europeus que gostam muito de arranjar um candidato nas eleições dos outros países, sobretudo na odiada América. RIP Obama.
O meu obrigado…
... à Sandra Felgueiras pela reportagem sobre Cuba.
Quinta-feira, 2 de Agosto de 2007
Raja Mohan
Um dos melhores comentadores políticos do mundo.
Aqui, todas as semanas.
Uma pergunta
Miguel Morgado chamado à recepção,
Posso dizer que a confederação de Montesquieu era "defensiva", enquanto a aliança de Kant era "ofensiva"?
Um mulher de Direita
Dalila Rodrigues foi, na minha opinião, a melhor directora que o MNAA alguma vez teve. Revitalizou o museu, colocou-o no circuito internacional, trouxe gente às exposições. Sobretudo gente nova.
Defendia uma autonomia para o MNAA. Mas não para todos os museus. Foi ela que cativou o actual mecenas (BCP) e preparava-se para captar outros apoios privados. A sua vontade e responsabilidade não podiam estar reféns do estalinista Ministério da Cultura e da sua moscovita titular.
Frontal e acérrima defensora do seu projecto - "
fez um bom trabalho de divulgação e promoção do museu", nas palavras do director do Instituto dos Museus e da Conservação -, pagou caro o excelente desempenho.
Dalila Rodrigues diz-se "surpreendida" com o seu afastamento do cargo e considerou "inacreditável" ter sido
"penalizada por discordar publicamente do modelo de gestão" dos museus nacionais. A purga continua.
Dalila Rodrigues
"Estamos muito longe da
autonomia de que este museu precisa para se desenvolver e
afirmar tanto a nível nacional como a nível internacional".
"Eu reclamo a
autonomia do Museu Nacional de Arte Antiga porque tenho a
responsabilidade de o dirigir e de o defender. Alguns museus deveriam ser entregues às autarquias".
"Enquanto os museus portugueses, e particularmente o grande museu português, o MNAA, enfrentarem problemas como os que enfrentam actualmente, não posso concordar que sejam desviados para outros fins as magras verbas disponíveis no Ministério da Cultura".
Dalila Rodrigues, até ontem Directora do Museu Nacional de Arte Antiga, em entrevista à
Atlântico 27.
Manifesto contra o proteccionismo
1028 economistas americanos assinam uma
petição patrocinada pelo Club for Growth contra a ameaça do proteccismo
As economists, we understand the vital and beneficial role that free trade plays in the world economy. Conversely, we believe that barriers to free trade destroy wealth and benefit no one in the long run.
Quarta-feira, 1 de Agosto de 2007
No 11 de Setembro,
estava a comprar dois filmes do Hitchcock na Fnac. E você?
Novos dramas
O Pingo Doce fechou para obras. E aquele Skip só há ali. Vou levar porrada quando chegar a casa com Xau.
Já chega

Deixa de fazer ensaios, e começa a fazer filmes.
Demasiadas abelhas
Não acredito que vão dissolver uma empresas que EMEL para os cofres da Câmara...
Os riscos da obesidade
Só na semana passada, “um pesado despistou-se na A1”, “um pesado incendiou-se na A2” e, o que ainda me parece mais assustador, “um pesado largou a carga em plena A23”
mais razão, menos coração
O Henrique tem razão quando diz que, no essencial, o
importante se mantém nas relações entre a GB e os EUA. Se as relações pessoais valem o que valem na política entre estados, Brown já percebeu que tem de tornar esta relação mais institucional do que pessoal.
Primeiro, porque os seus "amigos" estão no Partido Democrata e Brown quer sobretudo uma vitória do partido "amigo" do Labour nas eleições do próximo ano. Segundo, porque tem eleições a ganhar daqui a dois/três anos na GB e sabe perfeitamente que um passo em falso na direcção de Washington lhe pode ser fatal na sua não muito famosa popularidade.
Por isso, prudência na linguagem, mais cinzentismo nas relações e, acima de tudo, menos Iraque no debate interno. Tudo isto, sabendo também, que os conservadores apoiaram a guerra em 2003.
Analfabetismo económico na Câmara de Lisboa
O duo António Costa e Sá Fernandes consegue, com apenas uma medida, fomentar a corrupção e encarecer ainda mais o mercado da habitação em Lisboa :
O analfabetismo. Por André Abrantes Amaral.
O analfabetismo (II). Por Miguel Noronha.
"Construtores obrigados a vender 20% das casas em Lisboa a preços sociais". Por Carlos Novais.