A vergonha já chegou ao país dos brandos costumes (II)
Escrevi ontem que a vergonha já chegou ao país dos brandos costumes, Portugal, a propósito de uma notícia do "Público" em que a comunidade israelita de Lisboa denunciava "a vandalização de 20 túmulos no cemitério judaico da capital, em cujas lápides 'foram cravadas suásticas nazis'". Julgava que seria aceite por todos como consensual a vergonha internacional que é o antisemitismo, uma das formas mais cruéis de racismo e xenofobia, evocado agora nas campas de judeus através do símbolo daquele que é o mais odioso regime totalitário da História, apenas a par do estalinismo. Um regime serial-killer que pretendeu promover a extinção de um povo inteiro. Escrevo, por isso, que a vergonha chegou a Portugal.
Engano meu, nenhum consenso. Alguém que se assina Daniel Oliveira (não posso garantir que seja o próprio, desta vez, porque não linca para o blogue dele) e o comentador Luís Lavoura, resolveram aparecer numa caixa de comentários para me dar as habituais lições de moral democrática. Para Daniel Oliveira, a ocasião parece ser para festejos: "Finalmente!" - escreve - "enquanto foram imigrantes e comunas falava-se de liberdade de expressão e comparava-se com a extrema esquerda". Já segundo Luís Lavoura, "enquanto era matar negros, o Paulo Pinto Mascarenhas assobiava para o lado. Agora que é defecar em campas de judeus, o Paulo Pinto Mascarenhas preocupa-se muito."
Não comentando o fino estilo escatológico de Lavoura, peço-lhes encarecidamente que vão dar lições de moral a outro. Sempre escrevi contra o racismo ou a xenofobia, fosse contra quem fosse. Sempre ataquei as manifestações da extrema-direita contra os imigrantes - e sempre fui contra qualquer tipo de violência política, fossem ou não "comunas" as vítimas. Claro que o Lavoura e o Oliveira podem dizer que não me leram. Mas convinha que fizessem alguma pesquisa na internet, pelo menos nos blogues de que fiz parte, antes de dirigirem mentiras particularmente ofensivas, mesmo que seja em caixas de comentários.
Esta mania de apelidar de "boa moeda" o baronato dos partidos e as eminências pardas "de alto gabarito" é uma das coisas mais idiotas da política portuguesa. Primeiro, porque são elas as primeiras a saltar fora quando o barco começa a afundar. Segundo, porque são os últimos a dar a cara quando a lama começa a espalhar-se por todo o lado. Ao contrário do que diz o grande Tomaz Morais, eles têm medo de pôr a cabeça onde outros põem os pés.
Não nos iludamos. Esta "boa moeda" não passa de um conjunto de cagões com a mania que são imprescindíveis ao país. O país dispensa gente desta. Mas eles vão voltar a aparecer logo que o poder lhes volte a cair no colo. Mérito político? Nenhum. Arrogância insuportável? Toda.
Há o proteccionismo económico. E depois há o proteccionismo político. É assim em Portugal: o Estado português protege os partidos políticos tal como outros estados protegem certas indústrias ou a agricultura. O Estado Novo fazia proteccionismo económico. Este regime semi-constitucional e semi-democrático que temos desde 1982 faz proteccionismo político. Os partidos portugueses são entidades arcaicas que subsistem porque recebem dinheiro do Estado. O nosso regime político é como aquelas economias que continuavam a proteger a indústria da carroça quando o mundo já ia no comboio.
Os nossos partidos não pararam no tempo, estão fora do tempo. Vivem num tempo paralelo ao nosso, porque simplesmente recebem dinheiro do estado para isso. Os partidos portugueses são partidos do estado, pelo estado e nunca contra o estado. Não dizem nada à população, estão desligados do nosso dia-a-dia. A minha geração está endividada ou está bloqueada por uma lei das rendas que só beneficia quem tem 50 ou 60 anos. Mas o que discute o PSD? Quotas e investimento público. Sabem que mais? Porra p’ra isto, que hoje não estou p'ra epistemologias sofisticadas. Porra p'ra isto. Não tenho uma ponta de respeito por estes partidos e sinto a minha costela populista a saltitar: "deixa-me sair, deixa-me partir isto, deixa-me dar porrada".
Sem uma nova relação partido/sociedade, que obrigue (estamos a falar de homens, e os homens têm de ser obrigados) os partidos a fazer da recolha de fundos junto das pessoas a sua base económica, a nossa democracia vai continuar a ser o que é: má, má, má. Este regime atingiu a menopausa. Anda a dar demasiados calores ao país, sobretudo à minha geração que se começa a fartar disto, seriamente. Estou a ficar cheio de calores. E se me aparecer alguém a dizer que "isto tem de mudar", eu estou com ele.
A Comunidade Israelita de Lisboa revelou [...] que foram vandalizadas ontem [terça-feira] 20 túmulos no Cemitério Judaico de Lisboa, em cujas lápides "foram cravadas suásticas nazis".
Santana Lopes teve uma atitude de senhor hoje na SIC Noticias. Quando Ana Lourenço quis interromper a entrevista sobre o PSD para dar em directo a chegada de Mourinho, Santana Lopes levantou-se e foi-se embora. Fez muitíssimo bem.
Mal ou bem, Santana Lopes foi primeiro-ministro de Portugal e líder do PSD, o que lhe fizeram foi inominável.
Amanhã comemora-se o Dia Mundial do Mar. Quem avisa, amigo é. No caso amiga, porque quem o lembra é a Sailor Girl, num blogue homónimo do nosso, mas Azul. Da cor do mar. A música que se ouve é boa e o assunto merece atenção. Já agora, uma reclamação apresentada pela Sailor num poste meu: porque é que existem tantos entraves e obstáculos das instituições públicas às regatas no Tejo e no mar?
É, pois, tempo de, em Portugal, nos deixarmos de preconceitos ultrapassados e de nos adaptarmos aos tempos que vivemos. E de não cercear a liberdade de iniciativa económica nem diminuir a liberdade individual do consumidor.
"É este o problema que temos hoje. Somos uma geração aprisionada. Estamos presos. Atolados num lamaçal de regulamentação que os governos pensam poder resolver, qual passe de mágica, com mais regulamentação que visa explicar e simplificar a regulamentação anterior. A continuar desta forma, com a crise do crédito à porta de um país como o nosso, endividado até à medula, e a geração aprisionada vai começar a gritar por socorro."
Amanhã escrevo para o Meia Hora, o melhor jornal gratuito português.
Sobre as directas no PSD.
PS. Não se pode brincar com o PML. Pedro, deixa lá em paz quem não tem nada a ver com o assunto e não incomoda ninguém. Se ainda evocasses o Bin Laden, o Ayman al Zawahiri ou a جمعية الأخوان المسلمو, podia perceber essa tua fúria anti-religiosa.
Quem lá podia ir dar uma ajuda era um tal de Javier Echevarría
Tem razão, meu caro Paulo. Nos empregados das empresas vendedoras de lugarzinhos no céu só se perdem as bordoadas que caem no chão (o problema é quem as dá e, neste caso, a junta birmanesa, porventura, merece-as mais. Por agora, claro está. Todos sabemos o que aconteceria se os rapazinhos carecas ou outros de outra empresa do sector, noutro qualquer lugar, conquistassem o poder político). Confesso, porém, que preferia outros quadros dirigentes de multinacionais do sector, com mais market-share, a levar os ditos carolos.
Exausto por uma passagem pelas Finanças do 6º Bairro – onde, de resto, as funcionárias foram simpatiquíssimas -, fui almoçar a um restaurante popular (quer dizer: com televisão) ao lado. Às tantas, o telejornal anunciou a morte de Magalhães Mota. Magalhães Mota existiu politicamente no PPD do pós-25 de Abril (se calhar, isoladamente, antes, não sei: fazia parte da “ala liberal”?), e, depois, perdi-lhe o rasto. Não faço ideia do que fez a seguir – grande parte da vida dele -, mas, como era relativamente miúdo na altura, retive-lhe o nome e a vaga ideia de um cachimbo, que o Pedro Picoito deveria celebrar. Retive isso e outra coisa. Magalhães Mota foi “Ministro sem Pasta” do Primeiro Governo Provisório. Nessa altura, uns anarquistas escreveram numa parede do Porto: “Magalhães Pasta, Ministro sem Mota”. De qualquer maneira, talvez por distracção, é um dos únicos nomes que ligo unicamente ao 25 de Abril – a nada depois -, o que é simpático. “Magalhães Pasta, Ministro sem Mota”. Os trocadilhos com os nomes (eu, é claro, que o diga) são em geral detestáveis. Este, excepcionalmente, não.
Acabado de chegar da Turquia, segui com muito interesse o debate político actual no país.(não em Portugal, na Turquia). Porquê? Pareceu-me no mínimo mais maduro e sério do que o de cá. Ancara discute o rumo do país. As reformas políticas que dotarão a médio prazo a Turquia de instrumentos que façam corresponder a sua capacidade estratégica e a dimensão territorial a um verdadeiro poder económico e político. Porque, como já aqui disse várias vezes neste blog, um império pensará sempre como tal, tem é diferentes caminhos para o fazer passar à prática.
Uma das discussões políticas que fariam inveja a Portugal está neste momento centrada na reformulação da Constituição turca, processo que será sujeito a aprovação parlamentar, muito provavelmente em 2008. O governo está a trabalhar no draft do texto e goza de uma legitimidade reforçada pelos recentes resultados eleitorais. Objectivos? Alargar as liberdades e reforçar os parâmetros democráticos. Parece demasiado simples, não é? Pois bem, ao que parece os governantes não estão ainda satisfeitos e querem mais. Daí estarem a trabalhar numa lei fundamental que enquadre este "novo" país.
A Constituição é um legado do golpe militar de 1980 e foi revista diversas vezes (estamos a falar da Turquia, mas podíamos estar a falar de Portugal). O objectivo, de acordo com os analistas, é retirar do texto o espírito autoritário que ainda perdura. Mais uma vez, podíamos estar a falar de Portugal, mas não...
Os turcos, ao contrário dos portugueses, têm um rumo para o país. Têm tensões políticas, debate, democracia e problemas de fundo para resolver. Sabem que tudo isto faz parte da vida política. Mas não os querem resolver à portuguesa, de forma aleatória, ao sabor de eventos eleitorais ou de outra espécie. Querem um rumo e têm a coragem de, democraticamente, alterar o documento que estrutura a organização política do país. Com este simples exemplo - a que acresce a exigência de diversos sectores por um texto com linguagem simples e perceptível por todos - fiquei com sérias dúvidas sobre quem caminha para a UE, se a Turquia, se Portugal.
Qualquer debate sobre a "ajuda" a África deve passar pela abertura da UE aos produtos africanos. Por outras palavras, sair da redoma proteccionista em que se encontra e definitivamente jogar o jogo do livre comércio internacional. A direita de David Cameron deu o mote e colocou este tópico como uma das dez prioridades políticas do seu manifesto eleitoral. Quem as recomendou? Os think tanks que trabalham no partido, seguida de uma votação online aberta a todos. Parece-me sério. Pelo menos bem mais do que andar a receber os Bob Geldofs deste mundo para fingir que se quer fazer alguma coisa.
Para além da falada contribuição para o debate interno no PS, o que me parece é que os artigos de Manuel Maria Carrilho no "DN" representam sobretudo um novo impulso do antigo ministro da Cultura de Guterres, tendo em vista uma possível remodelação governamental. Carrilho está a lembrar que existe e que até tem acesso aos media. Com todo o direito, é claro.
Nestes dias em que – suponho que para grande felicidade do Pedro Marques Lopes – a junta birmanesa anda a bater em monges budistas (parto do princípio que o Pedro não abre excepções em matéria de religião), li, por inteiro acaso, um texto de Orwell, que conheceu bem aquelas bandas, Shooting an Elephant (1945). O texto, obviamente anticolonialista, vê a complexidade da coisa e não idealiza os locais. Particularmente os monges: The young Buddhist priests were the worst of all. There were several thousands of them in the town and none of them seemed to have anything to do except stand on street corners and jeer at Europeans. A última Economist conta que a Birmânia, junto com a China, a Coreia do Norte, o Egipto e vários países africanos, está no topo da prática da tortura neste mundo, e, por isso, convém simpatizar sem dúvida com os monges e, sobretudo, detestar a Junta. Mas – é o meu momento Pedro Marques Lopes – se calhar o melhor é não exagerar no que diz respeito aos monges. Duvido que os “direitos humanos” e a democracia sejam as suas principais paixões.
Convenciou-se nos últimos tempos que não é a oposição que conquista o poder mas o poder que cai "na rua", "de maduro", "por si próprio". Não há comentador que não use e abuse com ar sapiente desta generalização absurda baseada "nos factos". Que Guterres estava "lá" quando Cavaco Silva saiu, fazendo substituir-se por Fernando Nogueira. Que Durão Barroso estava por acaso no lugar certo quando Guterres fugiu. E que Sócrates estava de novo à espreita quando Barroso saiu para a "Europa", deixando no seu lugar um desacreditado e suicida Santana Lopes.
Estes "factos" servem como lei indiscutível para o futuro - e, perante os factos nada há a fazer. Ou seja, a lei oficial desta maioria dos comentadores garante que o "centro-direita" não tem hipótese alguma em 2009 - Luís Delgado dizia na SIC que se deve começar já a pensar em 2013 - porque José Sócrates está para lavar e durar. E enquanto lá estiver é indiferente o que faz ou deixa de fazer a oposição.
Talvez valha a pena lembrar aos comentadores que nem sempre foi assim e que os "factos" referidos aconteceram exactamente porque a oposição não se preparou devidamente para discutir o poder com um projecto político sólido e consistente que pudesse ser visto pelos portugueses como capaz de se afirmar como alternativa.
Basta lembrar que o actual Presidente da República, Cavaco Silva, foi eleito presidente do PSD em 1985 contra o Bloco Central, com um projecto político que passava por o PSD governar sozinho, sem alianças, conquistando o centro eleitoral. Foi isso que aconteceu: assumiu o poder, primeiro sem maioria absoluta, mas insistindo em governar a solo. Nas eleições seguintes reduziu o PRD e o CDS a cinzas, alcançando a maioria absoluta. O poder não lhe caiu nas mãos. Soube-o conquistar "a pulso" insistindo teimosamente nesta ideia fixa desde o momento em que recusou ser ministro das Finanças da AD de Balsemão.
Basta também lembrar que Francisco Sá Carneiro formou a Aliança Democrática, com o ambicioso projecto político de "uma maioria, um governo e um presidente", contra a "maioria de esquerda" e Ramalho Eanes. Só conseguiria derrotar a primeira nas eleições legislativas intercalares de Dezembro de 1979, após uma dissolução da Assembleia da República, em grande medida provocada pela actividade política do PSD e do CDS na oposição.
Os "factos" parecem assim provar que nem sempre o poder cai na rua, de cansaço - e que o cansaço do poder pode ser provocado, desde que exista uma clara alternativa, constituída com tempo e teimosia, baseada num projecto político que seja compreendido e aceite pelos eleitores. O pior que "a oposição do centro-direita" pode fazer é acreditar em alguns comentadores e deitar-se à sombra da bananeira, sem fazer os trabalhos de casa, à espera que o poder caia de maduro no seu regaço.
Ouvi há poucos minutos uma notícia a propósito das directas no PSD - numa sessão de apoio a Marques Mendes - em que Francisco Pinto Balsemão referia que o seu partido é a única alternativa ao projecto socrático de poder (cito de memória). Já era tempo de dizer que Balsemão tem sido uma das principais figuras da oposição a este "projecto socrático" que se aborrece com a liberdade de imprensa e pretende fechar o jornalismo português num emaranhado burocrático-legislativo. Apesar de ter bastante a perder em afrontar o actual poder, Pinto Balsemão não tem calado a sua voz e, só por isso, merece o aplauso de todos os que defendem a liberdade de expressão como valor essencial da democracia portuguesa.
A selecção nacional de râguebi perdeu hoje por 14-10 contra a Roménia mas não é por isso que os deixo de aplaudir. De pé. Amadores entre profissionais esta seria apenas a segunda vitória de Portugal sobre a Roménia, em 13 jogos realizados. Portugal, que não jogava com uma das suas peças fundamentais, talvez a mais importante, o capitão Vasco Uva, até começou a ganhar, mas não aguentou o ritmo. No próximo mundial seremos ainda melhores, mas os Lobos merecem ser recebidos em festa pelo excelente nome que deram do nosso país.
Os ocidentais ainda não perceberam que já não mandam como mandavam. Esse fanático dos direitos humanos, G. W. Bush, grita contra os generais da Birmânia. Sócrates idem. Para os ocidentais, a Birmânia é mais um motivo longínquo para fazer este populismo dos direitos humanos. A Birmânia é, aqui, uma realidade discursiva. Somente. Mais uma desculpa para os ocidentais vestiram a camisola "eu é que sou o presidente da junta". Depois, americanos e europeus criticam a China e a Índia. Porquê? Porque Nova Deli e Pequim não pressionam a junta militar da Birmânia.
Ora, se a Birmânia é boa para discursos aqui no Ocidente, é também, e sobretudo, um cenário central na rivalidade estratégica (e não discursiva) entre China e Índia. A China anda a ver se constrói um porto naval e centros de escuta na Birmânia, a fim de meter a pata na região do Índico. A Índia, obviamente, não gosta deste xixi chinês no seu quintal oriental. A Birmânia - tal como ela está e não como deveria estar - é assim disputada pela Índia e China. É que os outros, tal como os ocidentais, também têm direito aos seu sonofabitch. Americanos e europeus sempre fizeram pausas nos direitos humanos quando assim dava jeito. Aliás, se Mário Soares tem direito ao seu sonofabitch privado venezuelano, por que razão a Índia não pode ter o seu também?
Como escrevi a propósito do livro de Fernanda Câncio, não existe jornalismo político em Portugal. Não há reportagem, não há investigação sobre assuntos políticos. O que revela o carácter apolítico do país do mimo, vulgo Portugal (no país do mimo, como tentei explicar a uma bife na semana passada, não pode haver sentido crítico, visto que as pessoas "gostam umas das outras". O mimo fica sempre à frente da inteligência. A bife não percebe e manda dizer que somos um "bunch of babies").
O PSD é neste momento um esgoto a céu aberto. Cheira mal que tresanda. Mas os nossos “jornalistas” políticos vão apenas descrever este caos. E só hoje. Porque amanhã não vão descrever e, sobretudo, não vão analisar o problema. O principal partido desde 1976 parece um gang de sicilianos wannabe, mas os jornalistas não acham estranho. Têm medo de perguntar? Têm medo de investigar? Os jornalistas em Portugal são meninos de recados dos políticos. Nas redacções, X "tem" o PSD, Y "tem "o PS, e assim sucessivamente. Isto não é jornalismo. É ser-se o carro vassoura do regime.
E, depois, no mundo da opinião, vai haver muita indignação, mas ninguém vai analisar o problema a fundo. Porque amanhã já há outra indignação para fazer sentir. É assim no país do mimo: de indignação em indignação até ao circo final.
Do Rap ao Recital, do Stand up comedy aos Jograis, nós somos realmente os tais; vamos do mais clássico ao mais contemporâneo, do mais conservador ao mais irreverente, em tom sério, boémio, contido ou contente: seguimos o rasto da fada transparente que abria a boca fininha e soprava pelo buraco da fechadura: “a poesia nasce na raíz da vida e desagua nas folhas da literatura”.
O COPO - Poesia de entretenimento científico Nuno Moura e Paulo Condessa
Numa aparição chamada SALADA DE TRUTAS
"Num país que dito de poetas pouco diz os poetas que tem - para não falar dos que tem traduzido (e bem) - sem que os espíritos tremam, antecipando já o bocejo e logo o sono (às vezes os espíritos estão certos: o sono é a única fuga possível), o Copo arrebita (pelo menos) os ouvidos." (Alexandra Lucas Coelho in Público)
[ CASA FERNANDO PESSOA [ 3 DE OUTUBRO [ 21H30
Casa Fernando Pessoa Rua Coelho da Rocha, nº 16 1250-088 - Lisboa Portugal Telf: + 351 21 391 32 75 www.mundopessoa.blogspot.com
A revista "História", única no género em Portugal, deixou de contar com alguns apoios oficiais (porte pago, apoio do IPLB, etc), e deu por terminada a publicação no nº 100 desta nova série. Fernando Rosas despediu-se de director em cargo, mas Luís Farinha procura meios para retomar a publicação. Apoios de qualquer género precisam-se: mecenato de um banco, de uma empresa, de uma fundação, anúncios, recolha de assinantes, apoios estatais, etc. Com cerca de mais 10.000 euros/ano, a revista volta às bancas. É algo de irrisório. Não se pode deixar morrer uma publicação que tem mais de 30 anos de história. Uma publicação que era/é mais publicada pela carolice de alguns (Entre os quais este vosso amigo, colaborador da "História" há muitos anos).
Assinem a petição, no link que aí vai por baixo, divulguem, protestem. Se estiverem de acordo com o movimento.
Juíza mandou destruir escutas entre Arouca, Sócrates e Morais
O teor da maioria dos contactos [das escutas], apurou o PÚBLICO, são conversas entre José Sócrates e Luís Arouca sobre as respostas a dar ao PÚBLICO, na sequência da investigação que este jornal estava a fazer; mas também entre Luís Arouca e António José Morais, que deu quatro das cinco cadeiras com que o primeiro-ministro concluiu o curso na Independente.
António José Morais pertencera ao gabinete de Armando Vara, quando este fez parte do Governo de António Guterres, e foi director-geral do Gabinete de Infra-estruturas e Equipamentos do MAI, já durante o actual Governo PS. Apesar de sempre ter negado ter uma relação pessoal com José Sócrates, este militante do PS trata o primeiro-ministro por "Zé".
Se não acordarmos agora amanhã pode ser demasiado tarde
Como é que é possível só três dias antes das eleições, o conselho jurisdicional do PSD se pronunciar sobre aspectos fundamentais do processo eleitoral?
Que confiança pode o cidadão eleitor ter num partido em que as regras não são claras, em que há acusações mútuas de “chapeladas”, em que se descobre que há membros do partido que precisavam de ter as quotas em dia para votar e outros não e em que militantes vendem os seus votos em troca do pagamento de quotas?
É este o partido que vai pedir votos para que possa governar o país? É esta gente que vai ocupar cargos em ministérios, empresas públicas, autarquias e por aí adiante? É este o partido em que tenho habitualmente votado?
A gravidade desta situação, em muito, transcende o PSD. Em primeiro lugar, porque estou absolutamente convicto que esta situação se passa nos outros partidos, nomeadamente, no PS; em segundo lugar, porque este espectáculo degradante põe em causa a nossa democracia e a fé das pessoas no regime democrático.
Pedro Boucherie Mendes, director da FHM, está de saída da Edimpresa para ingressar nos quadros da SIC, a partir de 15 de Outubro, assumindo a função de Director Coordenador de Conteúdos dos canais temáticos da estação de Carnaxide, até agora ocupada por João Pedro Galveias. "Irei definir e desenhar a estratégia de conteúdos dos canais da SIC, com a excepção da SIC generalista e da SIC Notícias", explica Pedro Boucherie Mendes, o novo responsável pelos conteúdos da SIC Radical, SIC Mulher, SIC Internacional, SIC Indoor, SIC Mobile e Linha Mais Refer.
O PCP tornou pública uma declaração a propósito da Petição Sobre o Eléctrico. Aparte as palavras de circunstância que salientam as «boas intenções e legítimas preocupações» da petição, o PCP optou por criticar a proposta afirmando que «carece de envergadura e ambições para resolver os problemas». Apesar de entender que a petição pelo Eléctrico não acrescenta verdadeiras mais valias para a solução do problema», o PCP diz que a solução deve «assentar o mais possível em energias limpas (a electricidade por exemplo)». Pois não consta que o Eléctrico seja movido a petróleo ou a lenha!
As 3 leis que bloqueiam Portugal: os “have” e os “have not”
Primeira: a lei que determina que o FC Porto tem de ser campeão todos os anos. Já chega. Isto tira o rendimento ao país. Os benfiquistas não trabalham à segunda (ressaca) e à sexta (já com medo da próxima jornada). Para a produtividade subir, o Benfica tem de voltar a ser campeão todos os anos. O Estado tem de tomar medidas neste sentido.
Segunda: a lei das rendas. Nunca ninguém teve coragem para mexer nisto. Somos um estranho país: sair de casa implica comprar casa, como se todos os portugueses fossem filhos do Sultão do Brunei. Estranho país de tesos/proprietários. A lei das rendas faz com existam os "have" e os "have not". Eu, por exemplo, estou fora do sistema. Sou um "have not". Pago renda ao preço justo do mercado. Mas, do outro lado do bairro, pessoas em casas maiores que a minha pagam rendas ridículas, rendas congeladas no tempo em que se escrevia Farmácia com ph. O resultado desta cobardia dos governos (têm medo de perder os votos daqueles que vivem em executiva pagando turística) é aquilo que temos hoje: as pessoas da minha geração ou estão endividada até ao pescoço ou simplesmente vão ser meninas/meninos o resto da vida e não vão sair de casa. E o ridículo disto tudo é que os pais (os que pagam 30 contos por uma casa de 150) até gostam de ter os "meninos em casa". Os "meninos" que teriam mais chances de sair de casa se as leis não beneficiassem com tanto descaramento os mais velhos, que, por acaso, são seus pais ou avós.
Terceira: lei laboral. Mais uma vez, há os "have" e os "have not". Há os que estão protegidos pelas leis mais jurássicas do espaço europeu. Para ser despedido em Portugal, uma pessoa "do quadro" tem de fazer uma das seguintes coisas: (1) comer a mulher do patrão, (2) comer a mulher e a filha do patrão, (3) comer a mulher e a filha do patrão e, à saída, sodomizar o gato da amante do patrão que vive ao lado. Se uma pessoa "do quadro" não fizer nada disto, ficará para sempre no seu posto de trabalho. Resultado: as nossas instituições e empresas estão cheias de pessoas de meia idade que nada fazem, que não evoluem profissionalmente ("para quê ir à formação profissional, se não me podem despedir NUNCA?"). Mas o pior disto tudo é que esta horda gorda dos "have" bloqueia completamente a entrada e a subida profissional da malta mais nova, a geração recibos verdes, os "have not", aqueles para quem "entrar no quadro" é um espécie de santo graal. Trabalhamos mais e melhor do que os outros, os mais velhos. Mas os contratos acabam e a malta vai-se embora porque as empresas e instituições não podem tocar na aristocracia sindical. Portugal, continua a ser país do respeitinho: os mais velhos, porque são mais velhos, têm direitos que não podem ser modificados. Que se lixe a juventude. Que se lixe a inteligência. O que interessa é o respeito aos mais velhos.
O olho do furacão: aqueles que vivem em executiva pagando turística são os mesmos que não podem ser despedidos e, ainda por cima, são pais e avós da geração lixada.
Ninguém consegue montar “aquelas coisas” que se compram no Ikea sem se ler as instruções. Pois andam todos a discutir o “Médio Oriente” sem terem lido as “instruções”. É mau, muito mau.