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blogue atlântico

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26
Out07

BPI e BCP ou BCP mais BPI?

Paulo Pinto Mascarenhas
BPIBCP
Ainda que não me pareça que a fusão entre o BPI e o BCP se possa tornar realidade, por inúmeros factores, incluindo os accionistas maioritários do BCP, não concordo com quem diz que a concorrência poderia estar em perigo - porque felizmente o que não falta é concorrência no mercado bancário em Portugal, assegurada tanto por outros bancos portugueses, como por operadores estrangeiros. Se fosse eu a decidir, manteria os dois bancos separados - até porque sou cliente dos dois e os dois - separados - complementam as minhas necessidades familiares. Não concordo com o Pedro Marques Lopes na visão crítica que tem de alguns capitalistas portugueses - porque estes "alguns" apenas convivem com um Estado omnipresente, desde logo no sector bancário, e jogam com as regras do jogo determinadas por esse mesmo Estado. Parvos seriam se não o fizessem.

Finalmente, como todos sabemos, a proposta de fusão do BCP com o BPI não é de agora - este é apenas mais um episódio de um processo que vem de longe e que certamente terá novos capítulos. Não tendo nada contra os operadores estrangeiros, será sempre positivo que existam bancos portugueses e que os bancos portugueses se fortaleçam para concorrerem no mercado nacional - e sobretudo numa perspectiva de internacionalização.
26
Out07

Contribua para o novo barco do Ricardo Salgado, lute pela manutenção dos “centros de decisão&#

Pedro Marques Lopes
Há duas “conversetas” que aparecem nesta questão da possível fusão do BCP/BPI que só servem para tentar enganar tolos.

A primeira é a de conservar os centros de decisão em Portugal. Pergunta-se: o que é que isto quer dizer e a quem serve essa manutenção?

Presume-se que isto queira dizer que os proprietários das principais empresas em Portugal devam ser portugueses e que sendo portugueses se irão compadecer dos seus concidadãos prestando melhores serviços e sacrificando as suas margens de lucro... alguém acredita nisto?

A verdade é que o aumento de concorrência por parte de operadores estrangeiros faz apertar as margens forçando a melhores preços e a dar melhor serviço e, claro está, estes “patriotas” não gostam disso.

Adivinhem quem sai prejudicado disto?

Acresce a isto o facto de que muitos dos nossos capitalistas passarem o tempo a queixar-se do Estado mas não sabem viver sem ele. Por outro lado o Estado também prefere empresas que ele controle através de distribuição de benesses e outros meios menos claros.

A segunda é de que a existência de um banco grande a nível europeu (o que está longe de ser verdade) iria ajudar à internacionalização das empresas portuguesas. Este argumento é tão absurdo que faz duvidar da saúde mental de quem o expõe. Será que os accionistas desse banco vão anuir em dar, por exemplo, taxas bonificadas às empresas portuguesas que se queiram internacionalizar apenas por que o banco é maior? Ou será por que com o crescimento estariam em meia dúzia de países ajudando empresas que poderiam querer ir para esses destinos? Claro está, que mal um empregado romeno visse um passaporte português imediatamente o passaria passar para a frente da fila...

O primeiro que prefira pagar uma taxa de juro mais cara pelo facto de estar a dar dinheiro a um português levante o dedo?
26
Out07

O Tiago e a fusão

Pedro Marques Lopes
Pedro, não concordo contigo.

Mesmo tendo, como sabes, uma visão enviesada de todo este processo, essa parece-me uma visão muito redutora. Sem prejuízo de que esta proposta do BPI possa ser recusada ou até que possam existir outras ofertas sobre o BCP, esta não me parece uma operação assim tão descabida para os accionistas do BCP e que não mereça uma profunda reflexão.

Primeiro, os accionistas do BCP ficariam com cerca de 70% do valor das sinergias criadas pela fusão. Quando o BCP lançou a OPA sobre o BPI, esses mesmos accionistas estavam dispostos a abdicar de grande parte dessas sinergias (implícito no preço que o BCP estava disposto a pagar pelo BPI) para beneficiar da posterior "criação de valor". Porque não estariam dispostos agora a, pelo menos, pensar e ponderar este cenário em que beneficiam de grande parte das sinergias e dessa mesma "criação de valor" mesmo que isso não implique um ganho/prémio de curto prazo?

Segundo, o BCP atravessa, neste momento, uma crise de liderança forte e não foi a nomeação do Dr. Filipe Pinhal como CEO que o resolveu. Por que razão não ponderariam os accionistas do BCP a hipótese de que um gestor com provas dadas noutro banco, embora mais pequeno, pudesse resolver esse problema de liderança e contribuir decisivamente para essa tal "criação de valor"?

Para além disso, os exemplos de empresas mais pequenas a tentar adquirir empresas maiores são inúmeros por esse mundo fora. Porque não em Portugal também?

Tiago Veiga Anjos
26
Out07

Equívoco contra equívoco

Paulo Pinto Mascarenhas
Rui Ramos [Público 24.10.07]


Já tínhamos um presidente da comissão português. Temos agora um “tratado de Lisboa”. Nada disto, porém, tocou a corda bairrista do povo que escreve e fala na imprensa. Todos perceberam que o tratado é a constituição com outro nome, sem hino nem bandeira. E quase todos, em conformidade, se têm oferecido para ir fazer a cobrança do referendo prometido, há dois anos, pelos dois maiores partidos. Contra o equívoco do tratado levanta-se assim em Portugal o equívoco do referendo.

Quanto ao primeiro equívoco, resta apenas saber onde está o maior engano: se no facto de lhe terem começado por chamar constituição, ou no facto de lhe chamarem agora tratado. Quanto ao segundo equívoco, a única razão para exigir o referendo deriva da promessa feita pelo PS e PSD. Fora disso, só há razões para os portugueses se pouparem ao que seria, nas actuais circunstâncias, um exercício de confusão e humilhação colectiva.



Antes, no entanto, convém afastar uma outra razão. É a daqueles que recomendam o referendo como um meio de “democratizar” a União Europeia. É a maior de todas as ilusões. A UE existe porque foi construída de cima para baixo, por via diplomática. Na Europa, só pode haver impérios ou uniões de estados soberanos, por esta simples razão: não há europeus. Existem portugueses, espanhóis, franceses, e por aí fora, mas não, com a mesma carga identitária, “europeus”. Sem o cimento de uma identidade nacional, há sempre o risco, em democracia, de a divergência de interesses e opiniões surgir como um confronto de nacionalidades, comprometendo a unidade do estado. É o que se vê na Bélgica, apesar de quase dois séculos de história. Convertida num estado democrático, mesmo que federal, a UE acabaria como a Jugoslávia. E não contem com a “globalização”: quanto mais parecidos em estilo de vida, mais importância daremos a distinções como as nacionalidades. É o que se passa no Reino Unido ou na Espanha. Deste ponto de vista, a transformação da constituição em tratado foi um acto de bom senso. Porque mesmo que o texto seja fundamentalmente igual, resistiu-se à pompa e aparato da “fundação de um estado”, que não seria mais do que uma porta aberta para decepções e tristezas. A UE precisa de democracias, não precisa de democracia.

E não precisam as democracias europeias de referendos? Precisarão talvez aquelas onde há alternativas plausíveis e os cidadãos podem escolher. É o caso da Inglaterra, onde provavelmente o tratado acabaria chumbado em referendo. Não é o caso de Portugal, onde todo o bom senso nacional seria recrutado para fazer sentir ao país, de malga na mão à espera da concha de caldo do QREN, que não se pode dar ao luxo de um “não”.

Há quem queira aproveitar o tratado para cumprir o mítico “referendo sobre a Europa”, décadas depois de os nossos governos terem assumido, em nome de todos, os mais graves compromissos. É isto sério? Em vez de um verdadeiro referendo, como foram o da regionalização ou do aborto, teríamos a ratificação plebiscitária da nossa “opção europeia” anos depois de estar consumada e sob pressão, neste momento, de umas finanças avariadas e uma economia parada. É um exercício conhecido na nossa história. No passado, o leque de escolhas foi restringido pela repressão política. Neste caso, sê-lo-ia pela situação de um país que não conseguiu instalar-se na economia globalizada, e não pode arriscar-se a perder os benefícios de andar à boleia no comboio da frente da União Europeia. E estejam certos de que toda a sabedoria nacional vos explicaria isto incansavelmente durante a campanha. Um eventual “sim”, nestas condições, não seria uma escolha, mas uma confissão da impossibilidade de escolher.

Em vez de exigirmos referendos agora, talvez fosse preferível encarar seriamente o esforço de mudança necessário para um dia vivermos num país capaz de avaliar, sem constrangimentos, a conveniência de continuar encerrado no bloco económico que menos cresce no mundo. E nesse caso, haveria vantagem em não estarmos comprometidos por referendos a fingir: para podermos então ter, se quiséssemos, um a valer.

Mas há quem peça referendo com outras vistas. Não pelo tratado, mas com a esperança de que o ressentimento contra os “políticos” e as suas promessas por cumprir seja, em Portugal, mais forte do que a consciência das fragilidades nacionais, e encontre no referendo o escape que não tem tido nas legislativas. O interesse do exercício, nesta perspectiva, é o de poder traduzir o “não” ao tratado como um “não” aos seus defensores (Sócrates, Menezes, etc.). Eis o último quiproquó: um plebiscito à classe política disfarçado de referendo europeu. Um “não”, obtido assim, seria um protesto sem relação com o tratado, e que nos obrigaria num dos próximos anos a votar novamente, para dizer “sim” com a cauda entre as pernas.

Churchill disse que a Rússia era um mistério dentro de um enigma. Portugal parece-se cada vez mais com uma confusão dentro de um equívoco.
25
Out07

A visita do Czar

Bruno Gonçalves



A demonstrar-se a recepção pomposa ao czar Putin hoje em Lisboa, não se espera uma posição forte da UE para fazer face aos interesses da Rússia amanhã em Mafra. Está na hora da UE bater o pé e mostrar a Vladimir Putin que a sua esfera de influência não pode ser o que era e que o gás não pode ser forma de chantagem política.

A instalação de um radar na República Checa e um sistema de misseis na Polónia é cada vez mais essencial, por dois motivos. Primeiro, para acabar de vez com a ideia de que a Europa de leste continua a ser uma região de influência russa (a emergência de democracias de cariz atlântico constitui uma dor de cabeça para o Kremlin). Em segundo lugar, porque a única forma de lidar com esta Rússia não passa por uma estratégia individual de cada estado. Putin tem a lição bem estudada de Maquiavel. Se um imperador deseja manter o seu império intacto, o essencial é que os seus vizinhos se mantenham divididos para que não o ameacem.

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