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blogue atlântico

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09
Out08

Seu, José Sócrates

Paulo Pinto Mascarenhas

 

Por diversos motivos - uns ideológicos, outros pessoais - houve quem aproveitasse a deixa das audições baralhadas pela ERC para zurzir no director do Público. Vale por isso a pena recordar as palavras exactas que ontem José Manuel Fernandes publicou em editorial. Não se percebe como é que uma clarificação de um erro crasso da ERC pode ser transformado em argumento a favor do primeiro-ministro, José Sócrates. Senão leiam:

 

Relativamente ao caso concreto do telefonema que recebi de José Sócrates, a passagem exacta, a que reflectia o sentido das minhas palavras (que então tinha ainda bem presentes), era a seguinte: durante esse telefonema, "o PM fez uma referência ao facto de ter estabelecido uma boa relação com o Eng. Paulo de Azevedo durante o período que durou a OPA, o que me levou a reflectir sobre o sentido daquela referência e se nela havia alguma mensagem, pois não me pareceu vir a propósito. Qualquer interpretação sobre o sentido da alusão é sempre subjectiva mas, por exemplo, conteria ela alguma referência a uma alteração dessa boa relação? Ou interferiria na relação que tenho com Paulo Azevedo?"


Considerei essa passagem do telefonema como uma pressão. E continuo a considerar. Dei-lhe duas interpretações possíveis, mas o ponto central é que não é normal um primeiro-ministro referir-se às suas boas relações com o accionista de um jornal quando está a falar com o seu director e o tema é outro. O primeiro-ministro poderia ter aproveitado a carta de ontem para esclarecer qual o seu objectivo ao invocar o nome de Paulo Azevedo, mas preferiu dizer que em momento algum fez uma afirmação que pudesse ser mal interpretada.

 

Quantos aos comentários, ideológicos e pessoais, parece-me absolutamente extraordinário que alguém - sobretudo um jornalista - não veja como forma de pressão que um primeiro-ministro refira em conversa telefónica com um director as boas relações que manteve em tempos com o dono do jornal. Sobretudo quando o telefonema ocorre em razão de uma investigação que pôs seriamente em causa o próprio primeiro-ministro.

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