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Para Saramago, a crise é um "crime contra a humanidade" tal qual como o genocídio, o etnocídio, os campos de morte, a tortura, o assassinato selectivo, a fome deliberadamente provocada, a poluição maciça ou a humilhação como método repressivo da identidade da vítima. Não vale a pena comentar esta lista, de que Lenine, lá no Céu de Saramago, com certeza não gostou. Basta perceber que na cabeça deste pensador não há diferença entre Auschwitz e o subprime ou entre o Gulag e a falência de um banco em Nova Iorque. E, como não há diferença, o homem quer castigos. Quer julgar e condenar os criminosos. Para impor a autoridade das regras? Para prevenir um episódio parecido? Para bem do sistema financeiro e, em última análise, da economia? De maneira nenhuma. Para "satisfação" da boa gente que sofre. Saramago não passa sem esse revolucionário gozo.
Vasco Pulido Valente, no Público
