Sexta-feira, 24 de Outubro de 2008
A liberdade de imprensa e a mesa de sueca

 

O "Miguel Abrantes" - nome pomposo que procura esconder o anonimato do autor em causa - está de acordo com o João Galamba que está de acordo com o presidente da Entidade Reguladora para a Comunicação Social, Azeredo Lopes: o relatório dos Repórteres Sem Fronteiras que indica que Portugal desceu da 8ª para a 16ª  posição no ranking da liberdade de imprensa não tem qualquer interesse ou relevância.

 

O João Galamba, para começar por quem mais prezo, atribui-me delírios - o que é sempre um argumento de peso. Não há problema nenhum na lei da concentração dos media; o estatuto dos jornalistas é peanuts; as notícias da redução do programa de Marcelo Rebelo de Sousa em nome da ERC ou o facto de a líder da oposição nunca mais ter sido entrevistada por Júdite de Sousa, depois daquela primeira experiência da câmara 1 espalmada na cara, para já não falar das pressões do primeiro-ministro - tudo isto, somado ao relatório dos RSF, não pode ser criticado senão por delírio. Certo, repito, o argumento é de peso.

 

A personagem "Abrantes"  é mais intrigante porque conseguiu antecipar em "poste" - com a ajuda de Eduardo Pitta, é verdade - o que foi dizer o presidente da ERC ao Jornal Nacional da TVI: afinal de contas quem dá a classificação são dez miseráveis jornalistas portugueses, uma pequena porção que nem sequer inclui Estrela Serrano e Fernanda Câncio. Azeredo Lopes disse-o com mais chiste, é um facto: aquela coisa dos Repórteres Sem Fronteiras reduz-se a pouco mais que uma mesa de sueca e tem a presunção de definir o que é a liberdade de imprensa em Portugal.

 

Era o que faltava! Meus senhores, quem define o que é a liberdade de imprensa em Portugal, para além das jornalistas Estrela Serrano e Fernanda Câncio, é o presidente da Entidade Reguladora para a Comunicação Social. Ah, é verdade, e o "Abrantes".



publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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De livra a 25 de Outubro de 2008 às 00:11
Mas de facto, 10 testemunhos pouco ou nada valem. No mínimo a amostra deveria ser de 100 ou 200. 10 não garante qualquer objectividade, sejam eles quem forem.

Mas repare o PPM também que se for perguntado a 10 (ou 100, ou 1000) professores do básico e secundário se são mal pagos, quase todos dirão que sim. Ora, isso não garante coisa nenhuma. Um relatório com base em testemunhos directos terá sempre um valor relativo. Neste caso, como no da liberdade de imprensa (mesmo que fossem entrevistados 1000 jornalistas, um sentimento, mesmo que generalizado, pode muitas vezes não retractar fielmente a realidade).


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