As notícias da morte da blogosfera são manifestamente exageradas
A propósito de um poste de Luís Rainha no 5 Dias aqui citado pelo Afonso Azevedo Neves, fui ler os textos recomendados pelo Paulo Querido, reparando também que este autor vai dedicar a sua comunicação no IV Encontro de Blogues ao "fim da blogosfera". Posso estar enganado, mas presumo que Paulo Querido irá defender que os blogues hoje não existem ou estarão à beira do fim sem o recurso a outro tipo de ferramentas e instrumentos, como o Twitter, por exemplo. Fora da blogosfera, sobretudo quando falo com outros jornalistas, apesar de as conversas se iniciarem quase sempre com críticas ao blogue x ou ao autor y, apercebo-me de que nunca a blogosfera foi tão forte e tão influente nos meios de comunicação tradicional. O mesmo acontece com os bloggers com quem me dou mais.
É normal que os que por cá andam há mais tempo tenham aquele tipo de nostalgia do "no-meu-tempo-é-que-a-blogosfera-era-boa". Ai, tão selvagem que ela era. Como não sou dado - ainda? - a esse género de saudades de terceira idade, mas também não concordo com uma certa tentativa de normalização ou cientificação da coisa, o que vejo é uma cada vez maior e mais diversificada adesão ao fenómeno. Se existe uma "blogosfera mainstream", coexiste com ela um cada vez maior número de blogues em estado bruto à espera de serem descobertos. E não é o Twitter ou outros instrumentos que alteram esta evidência. Uns fecham, há os que estagnam, outros abrem, mas quase nada se perde e tudo se pode transformar. As notícias da morte da blogosfera são manifestamente exageradas.

