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blogue atlântico

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04
Dez08

Amadorismos à parte...

Afonso Azevedo Neves

Os gabinetes de estudo ou grupos de estudo, como lhes queiramos chamar, de um partido político e sobretudo de um partido político na oposição sofrem grandes dificuldades em afirmar o seu peso numa estrutura partidária, algo que o Instituto Sá Carneiro já não terá, não só porque tem menores dificuldades em obter meios de financiamento como tem mais facilidade em gerir a sua agenda mediática. Em situações como esta, em que um partido está na oposição e enfrenta um governo maioritário, os gabinetes de estudo tem apenas uma moeda de troca para aliciar bons profissionais: exposição mediática.

Ora acontece que no PSD e eu tive essa experiência com Marques Mendes, o espaço mediático disponível é diminuto e existe uma tendência natural para as chefias privilegiarem os seus e não os “convidados”, por assim dizer. Por outro lado, é muito difícil alguns destes “convidados” estarem dispostos a abdicar de tempo para trabalharem gratuitamente em soluções e propostas políticas que não lhes vão ser creditadas e ao que sei no caso dos gabinetes de estudo essa participação cívica nem sequer pode ser pública. Isto é um erro que pelos vistos não foi corrigido mas agravado.

Eu não posso pedir a um profissional competente que trabalhe para mim de graça e nem sequer sonhe em ser reconhecido por esse mesmo trabalho.

Vem isto a propósito da demissão de Sampaio e Mello e da entrevista que este deu ao Expresso, desmentindo a versão oficial (mas quem é que se lembrou de divulgar uma nota daquelas sem falar com a pessoa directamente envolvida?) e confirmando os piores receios sobre este tipo de organizações dentro dos partidos.

A falta de meios, falta de moeda de troca, a dificuldade em estabelecer métodos de trabalho seriam sempre problemas complicados para resolver e diga-se que a contratação de Sampaio e Mello foi o que se pode dizer uma “boa malha” conferindo uma aura de independência e competência a um cargo normalmente exercido por membros da direcção do partido, como passará agora a ser o caso e não está aqui em causa a competência de Sofia Galvão ou de António Borges mas a verdade em que assim voltámos às velhas soluções que não tiveram até hoje grandes resultados.

Infelizmente quando Sampaio e Mello nos diz que "As dificuldades internas do PSD interferiram na capacidade do Gabinete de Estudos ter eficácia, dinâmica de trabalho, estratégia de planeamento, recursos e influência", está a dizer que pouco ou nada mudou neste aspecto no PSD.

 

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