Domingo, 29 de Abril de 2007
Claustrofobia constitucional

Paulo Rangel abanou a tenda. Finalmente alguém com tino e com vestígios de brio. Mas aposto que o Sôr Mendes não terá gostado da impertinência do seu deputado. O Sôr Mendes, se pudesse, faria o mesmo que Sócrates. Não pode porque o regime ainda é de esquerda, e só a esquerda pode fazer certas coisas. Mas Mendes e Sócrates são mesmo da mesma escola: a que começa a colocar cartazes e acabar a arruinar o país no poder, sem nunca pensar politicamente. Esta escola só consegue pensar partidariamente. É parecido, mas não é bem a mesma coisa.



Claustrofobia democrática? Não, caríssimo Paulo Rangel. O que há é claustrofobia liberal-constitucional. Democracia é coisa que não falta a Portugal. Aliás, o nosso problema é que há demasiada democracia e pouco constitucionalismo (liberal). O nosso regime permite uma virtual ditadura do PM, como é fácil de ver todo o santo dia. Não há controlo institucional (nunca houve em Portugal; e 33 anos não chegam para meter isso na cabeça das pessoas). Daí que o Oliveira Martins e o tribunal da calculadora sejam, neste momento, os grandes defensores da ideia de liberdade, de democracia liberal. É Oliveira Martins que anda a tentar fazer da democracia portuguesa algo de parecida com as outras democracias ocidentais. Força, homem: é que já chega desta versão tuga de democracia.



 




publicado por Henrique Raposo
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