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blogue atlântico

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29
Dez08

Do que se diz sobre a gripe (I)

João Moreira Pinto

No Blasfémias, o João Miranda publicou um post sobre a gripe, onde deixa duas perguntas pertinentes.

 

«1. Porque é que as autoridades de saúde passaram subitamente a apelar ao auto-diagnóstico e à auto-medicação?

2. Houve ruptura dos serviços de saúde porque os médicos estavam de folga de Natal ou porque não existe um plano de resposta para surtos de gripe?»

 

Perguntas acertadas, assertivas, mas retóricas. Ficando sem resposta dão azo ao volume de opiniões ignorantes que encheram a caixa de comentários do respectivo post

 

A primeira tem uma resposta óbvia: o Ministério da Saúde quer resolver o problema da afluência aos Serviços de Urgência Hospitalares do dia para a noite. Como se perceberá, isto não vai acontecer. O auto-diagnóstico e a auto-medicação seriam procedimentos normais numa sociedade minimamente instruída. Existem doenças de apresentação tão básica, como é o caso da gripe, que qualquer pessoa deveria saber diagnosticar. Mais, a mesma pessoa deveria saber que a mesma se trata com repouso, controlo da febre através de antipiréticos tão simples como o paracetamol ou o ibuprofeno e, se necessário, um bom descongestionante nasal. Mais, deveria qualquer cidadão reconhecer os sinais de alarme em si e nos outros. Deveria saber que, para o exemplo dado, se a febre persistir mais do que 3 dias, se houver dificuldade em respirar, se houver prostração marcada ou alterações do comportamento, deveriam recorrer ao seu Centro de Saúde. E seria no Centro de Saúde onde se faria a triagem dos doentes a precisar de observação e eventualmente internamento hospitalar.

 

Mas o cidadão não sabe, nem aprende. Não precisa. O Estado Português é paizinho e quando precisarmos dele, seja porque queremos um Magalhães, seja porque precisamos de dinheiro emprestado, seja porque estamos com febre, corremos logo em seu socorro. Não procuramos saber o que é uma gripe, uma gastroenterite ou um torcicolo. Tão pouco procuramos saber que são doenças que se tratam em casa. Não procuramos saber atempadamente o horário do nosso Centro de Saúde local, para o caso de realmente precisarmos de ajuda médica. Ao primeiro sinal, dispara a sirene e corremos para a Urgência 24h mais próxima, qual loja de conveniência.

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