Quarta-feira, 31 de Dezembro de 2008
Post do ano

E o post do ano é mesmo este de Palmira F. Silva.

 

- Texto óptimo sobre as mentiras das escolas pós-modernas e "multiculturalistas".

 

- Só uma crítica: não são neoconservadores. O termo é mesmo reaccionários. Aliás, é assim que Habermas - o verdadeiro progressista - critica a falsa esquerda pós-moderna: são reaccionários. Como muitos autores franceses (Ferry, por exemplo) têm dito, a velha forma de pensar da velha direita (vitalismo irracionalista, culto da comunidade e da tradição, relativismo cultural - chamavam-lhe nacionalismo -  vs. a razão e o indivíduo) é utilizada, há décadas, por sectores que se dizem de esquerda. A esquerda multiculturalista é reaccionária da cabeça aos pés. Dizem que são de esquerda (porque dá jeito para as carreiras), mas pensam como um velho reaccionário. É a grande fraude apontada por Fernando Savater.

 

 - Em Portugal, Boaventura Sousa Santos é o exemplo típico desta esquerda que tem uma epistemologia completamente reaccionária e irracionalista, no sentido da velha direita.

 

- No meio do caos epistemológico - bem criticado por Palmira F. Silva -, autores medíocres como Baudrillard ou Zizek  ganham o seu pão. A sua mediocridade é mascarada, precisamente, pelo caos epistemológico, isto é, "podes dizer o que quiseres, podes misturar o que quiseres; se tiveres uma capa jeitosa, e uns termos obscuros, vais ser considerado um génio porque não há critérios para avaliar x ou y; vale tudo". É por isso que autores que defendem um rigor epistemológico, como Comte-Sponville, perdem no jogo da fama para palhaços epistemológicos como Zizek. Mas o tempo irá fazer justiça.

 

- Além de Paul Boghossian, indicado no referido post de Palmira F. Silva, convém ler, entre outras coisas,  Linguagem e Solidão de Ernest Gellner (tb indicado no post). Aqui Gellner faz um argumento iluminista contra o relativismo cultural. Depois, José Guilherme Merquior continua fundamental na crítica ao niilismo de cátedra de Foucault e companhia. Em jeito de brincadeira, Ubaldo, nos Budas, no meio da Blitz sexual, tem uma passagem linda a gozar com o obscurantismo pós-moderno (se não me engano, o alvo é Lacan). Esta passagem é melhor do que muito escrito académico.

 

PS: No livro indicado, mesmo que Habermas use o termo "neoconservador" - já não me lembro bem -, nunca faz isso no sentido do "neoconservador" americano. "Neoconservador" é um termo preciso que remete para aquele grupo de iluministas convertidos ao poder. Quando usa o termo pouco preciso de "neoconservador", Habermas indica uma posição que renova os valores reaccionários.



publicado por Henrique Raposo
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