Quinta-feira, 31 de Maio de 2007
Dizer bem de Portugal (X)

Quando me dizem que os portugueses são "racistas", dá-me vontade de rir. Há racismo? Há. De brancos e de pretos (sim, embora venha no dicionário, racismo não é sinónimo exclusivo de branco). Mas não se compara ao que há noutros países europeus. Nenhum povo europeu tem a nossa capacidade de
integrar e de
ser integrado. Somos tolerantes. Os outros tiveram de fazer a tolerância em calhamaços de teoria política. Nós somos tolerantes, abertos, cosmopolitas. O
salazarismo anda a esconder isto tudo há muito tempo. Já chega.
Vivi o Mundial na Alemanha. As pessoas com quem estava (de toda a europa) não percebiam por que razão tínhamos "pretos" na selecção. Ou melhor,
percebiam (alguns sabiam mais da história imperial portuguesa que eu), mas não
compreendiam. Nem compreendiam por que razão eu torcia pela Costa Rica e não pela Suécia. Ali, vi as vantagens de ter sangue fenício, negro, muçulmano, romano, "bárbaro" e não sei mais do quê. A um irritante checo (quando os checos estavam convecidos que iam levar o caneco para Praga), disse apenas "I'm proud to be a mutt".
Quando o Mantorras marca, dá-me vontade de chorar. E como eu, muitos. Nesta simplicidade chorona está uma coisa que não se mede com régua e esquadro. Os países não se medem ao PIB.