Segunda-feira, 30 de Abril de 2007
ANDANCIO
Talvez por distracção – acontece a qualquer um, em certas fases, pertencer àquela metade do mundo que ignora o que fazem os restantes três quartos, nas palavras imortais do eminente filósofo Bertie Wooster -, não dei até hoje com nenhum artigo tão esclarecedor sobre o caso Pina Moura / TVI e sobre os interesses da Prisa como aquele que Helena Matos publicou hoje no Público. Não por acaso, sem dúvida: Helena Matos é quem, entre nós, melhor conhece e escreve sobre o que se vai passando hoje em dia em Espanha. E a propósito de Espanha: li que por lá, para manter viva a língua, se decidiu que as figuras públicas deveriam “apadrinhar” uma palavra caídaem desuso. Zapatero escolheu “andancio”, que, parece, designa uma doença contagiosa esquecida. Por cá, não seria má ideia tentar a experiência. Mas, atendendo à presumível falta de competência na matéria dos membros do governo – e já agora, democraticamente, da oposição -, a campanha poderia consistir numa sugestão pública de apadrinhamento por parte, por exemplo, dos blogues. Que palavra poderia José Sócrates adoptar? E Luís Filipe Menezes? E Mário Lino? E Louçã? Por mim, tenho algumas ideias.