Terça-feira, 24 de Julho de 2007
A escola do futuro
José Sócrates, numa apresentação do que será a escola do futuro, com uns computadores óptimos e rodeado por alunos que eram figurantes contratados numa agência recebendo 30 euros pelo desempenho, contentíssimo e sem vontade de voltar ao tempo em que os professores desenhavam figuras geométricas nos quadros, porque o futuro, gloriosíssimo, vem já aí, e os computadores resolvem tudo - é o trivial.
Agora o que não é trivial é ele ter ficado meio interdito por duas vezes: quando uma jornalista lhe notou que os alunos eram figurantes e quando a mesma ou outra jornalista comentou – depois de uma declaração sua particularmente entusiasta sobre o prodígio tecnológico - que ele era um aluno atento. Até foi simpático vê-lo assim: percebia-se que, no fundo, ele próprio era sensível ao fantástico fictício da coisa. Um vago sentido do ridículo e a suspeita que os outros podem não o estar a levar muito a sério apreciam-se num primeiro-ministro.