Sábado, 29 de Setembro de 2007
Um palpite
Confesso que não percebo bem a alegria do Rodrigo Adão da Fonseca com a eleição de Menezes. Se fosse apenas
Schadenfreude por causa das “elites” do PSD, nada a objectar. A
Schadenfreude às vezes faz bem. Mas, patentemente, não é só isso. Ora, a eleição de Menezes – possível apenas pelo facto de não ter havido o forte condicionamento exterior que a visibilidade dos congressos permitia, e que funcionava em parte como “abertura” do PSD ao exterior – é a vitória de um “sindicalista do aparelho do partido”, como Pacheco Pereira escreveu excelentemente no
Abrupto. Querer ganhar eleições a todo o custo, sem programa visível que não seja o de oposição encarniçada a Sócrates – nas fábricas, nos hospitais, nas escolas, etc. –, o puro acto pelo acto, parece-me mais uma coisa de extrema-esquerda do que de um partido responsável: reivindicações, mais reivindicações, mais reivindicações. Sem querer ter graça ou exibir superioridades despropositadas, o PSD é, no nosso querido Portugal, demasiado importante para ser deixado completamente aos seus militantes. Enfim, nada disto me tira o sono. Como dizia o outro, a situação é desesperada, mas não é grave. O PS e o CDS são partidos simpáticos, e se uma pessoa acordar virada para a esquerda ou para a direita pode sempre votar neles. Se achar que deve obrigatoriamente votar, é claro.
Não quero de modo algum polemizar com o Rodrigo. Suponho que ele leva isto muito mais a sério do que eu, e a matéria interessa-lhe mais. Estou só a dar um palpite.