Sábado, 29 de Setembro de 2007
Duas correcções e uma teoria
Caro Rodrigo,

Há, no que escreve, um duplo erro. Primeiro, eu nunca disse que tinha esgotado, no caso da eleição de Menezes, os meus “limites de compreensão”. Fico quase envergonhado de ter de o dizer, mas eles ainda vão um bocadinho adiante, e até julgo, como mencionei no post a que se referiu, que compreendo muito bem o que se passa. O que eu disse é que não acho a situação (a eleição de Luís Filipe Menezes) excessivamente grave. Nem o país nem eu vamos sofrer grande coisa com isso – é o principal. Segundo, não tive de modo algum a ambição de inquirir o que se passava na sua excelente cabeça para se regozijar com a eleição em questão. Limitei-me a constatar (pacatissimamente) que não se limitava a uma saudável alegria maligna com o justiceiro castigo da turpitude dos notáveis do PSD. E aí permiti-me exprimir umas (ainda mais pacatas) discordâncias relativamente ao seu entusiasmo.

Acabadas as correcções, uma pequena teoria. Ryszard Kapuscinsky, o óptimo jornalista e escritor polaco morto há pouco, exprime, num livro que está traduzido entre nós, Andanças com Heródoto, a sua fascinação com a ideia do historiador grego segundo a qual o “motor da história” é a vingança. Ora, eu acho que isso exprime magnificamente o impulso por detrás da eleição de Menezes. Há, parece-me, uma muito palpável dose de ressentimento na coisa. Volto a acrescentar que – seja essa a causa, ou seja outra qualquer – não creio que nada disto apresente uma gravidade extraordinária. E, já agora, corrijo: talvez seja exagerado chamar “teoria” àquilo que acabei de referir. “Palpite”, mais uma vez, é bom. Porque é que eu não haveria de emitir palpites nesta matéria? Acha que ela merece verdadeiramente (ou sequer é susceptível de) uma contemplação sub specie aeternitatis? Enfim, pela minha parte não tenho mais doutrina a oferecer no capítulo, e fico-me mesmo por aqui. É uma forma de seguir o seu sábio conselho.

E, quem sabe, talvez o Rodrigo tenha toda a razão do mundo? Talvez Luís Filipe Menezes venha a ser um fulgurante substituto de Marques Mendes e, no futuro, um excelente Primeiro-Ministro? Quem sabe? Eu não. Aqui atinjo realmente os tais “limites de compreensão” a que o Rodrigo se refere. E calo-me. A sério. Não tenho vontade de discutir mais o assunto.

publicado por Paulo Tunhas
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