Caro Bruno, sem retirar um grama de verdade ao seu raciocínio, dou mais esta achega.
Muito provavelmente, Pina Moura foi contratado pela Prisa com base num raciocínio deste tipo: “é bom termos alguém benquisto nos círculos do poder executivo. Porque não só vem aí a televisão digital terrestre, como a PTM vai mudar de mãos e temos de estar preparados para o que der e vier. A bem do futuro do nosso negócio é preciso ter alguém que conseguirá persuadir o poder da bondade dos nossos argumentos”.
É, a meu ver, e deste ponto de vista estrito, uma decisão legítima. Uma decisão que revela uma certa sobranceria castelhana, mas legítima.
A bondade dos argumentos da Prisa a que aludi, visa, pelo menos, a eficiência económica.
Se visa outras coisas, vão dar-se mal.
Na minha opinião, consubstanciada com algum conhecimento técnico do mercado dos media e da publicidade, é impossível termos projectos ideológicos de media, por causa das dimensões do mercado natural do negócio. De facto, todos os nossos media têm de ter qualquer coisa de albergue espanhol.
Não obstante, concedo, pode haver quem tenha opinião diferente e julgue possível dar um colorido político-ideológico a um determinado media e/ou a um determinado grupo de media.
p.s. do tal ponto de vista de agradar ao chefe, é muito mais certeiro tirar Manuela Moura Guedes da antena que ter Pina Moura como chairman.
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