Quinta-feira, 31 de Maio de 2007
Chavez
O nosso Ocidente é tão confortável que o que chega da Venezuela não nos tira o sono. 
Hugo Chavez parece de facto saído de um livro do Tintin ou de um filme americano onde há Navy Seals a resgatarem uma médica (belíssima e sexy, claro) dos seus captores pícaros. Infelizmente, ele é real e faz coisas bem reais. Este controle dos media é apenas parte de um ongoing process.

De uma maneira muito perturbadora, homens como Chavez são úteis porque nos lembram que haverá sempre quem queira deter o poder todo.  Quem, tendo poder, procurará engordá-lo como se faz com os porcos. Julgo que nenhum de nós pode dizer que está livre de isso lhe acontecer. Seja como subjugado, seja como aquele que detém, exerce e quer perpetuar o poder.

A vontade de poder demonstra um espírito que poderemos chamar de revolucionário. Demonstra, por conseguinte, intolerância e um denodo particular.

Ao contrário do que se diz, o inferno não está cheio de boas intenções. O inferno está cheio daqueles que foram apanhados por estes ímpetos.

publicado por Pedro Boucherie Mendes
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Comentários:
De Jose Carmo a 31 de Maio de 2007 às 13:03
A propósito de porcos, eu próprio tinha escrito isto há dois dias

"Os porcos triunfam em Caracas


O encerramento de uma estação de televisão venezuelana, por veicular opiniões “contra-revolucionárias”, não surpreende e é apenas mais um passo no caminho da servidão.
A deriva ditatorial está inscrita nos genes do regime chavista e é espantosa a semelhança entre o que aconteceu na Alemanha nacional-socialista e o que está a acontecer na Venezuela bolivariano-socialista.
Em ambos os casos, trata-se de construir o socialismo à escala nacional, recorrendo às iconografias épicas nacionais e regionais.
Hitler inspirava-se em Wagner e nas lendas germânicas, Chavez recria à sua maneira um Bolívar imaginário e as glórias pré-colombianas.
Ambos chegaram ao poder por via eleitoral.
Ambos se podem descrever como demagogos com uma extraordinária capacidade para inflamar audiências com divagações messiânicas.
Ambos se assenhorearem progressivamente de todas as instituições, criaram um partido único e centralizaram a economia, pondo-a ao serviço dos seus objectivos.
Ambos nomearam explicitamente como inimigo externo o “capitalismo” e o “liberalismo”, tendo em vista mobilizar as populações e desresponsabilizar o regime por tudo o que correr mal na vida das pessoas daqui para a frente. A criação de uma tensão externa é uma velha táctica das ditaduras para não terem que justificar os seus próprios erros, criando um estado de excepção permanente que tudo justifique (vide Cuba).
Ambos começaram aos poucos a eliminar vozes críticas, a princípio a coberto de paródias legais, mas progressivamente às claras, por pura prepotência e natural abuso da força.
Ambos trataram de reequipar a máquina militar.
Ambos escalaram a interferência nas questões internas dos países vizinhos, procurando promover a sua agenda.
Ambos manifestaram um anti-semitismo visceral

O guião do que está a acontecer na Venezuela, pode pois ser consultado relendo a história do socialismo nacional ou, mais fácil ainda, relendo o “Triunfo dos Porcos”,
Está lá tudo….neste momento temos a Venezuela na fase em que entram em cena os 9 cães de Napoleão.

O fim, também é, infelizmente, previsível.

O caminho que a Venezuela está a seguir, não conduz à Montanha de Açúcar ou à Ilha de Utopia, mas sim à servidão e à miséria, por muitos petrodólares que neste momento Chavez tenha no bolso."

Afinal não sou o único ouvir cantar em Caracas o "Hino dos Animais de Inglaterra".


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