Sexta-feira, 29 de Junho de 2007
O que é que o público quer?
1. À boleia da escolha das sete maravilhas portuguesas, o Público decidiu tentar escolher o inverso. Ou seja, pretende a nossa ajuda para seleccionar os sete horrores de Portugal. É uma boa ideia sem dúvida, porque nos permite (entre outras coisas) a possibilidade de nos vingarmos daquilo que não gostamos e que nos faz comichão.
2. A lista (
aqui) foi feita com ajuda de especialistas, o que também é uma boa ideia porque iliba o jornal e os ideológos de quaisquer responsabilidades. Os especialistas servem também para isto. Não terem sido consultores já é uma sorte...
3. Há 58 locais/monumentos/edifícios seleccionados. E há muito para concluir sobre o que somos, como somos e de onde não somos capazes de sair. Porque se as
sete maravilhas são antigas e escolhas seguras por causa da patine do tempo - os que as pensaram e construiram já morreram - , a lista de onde podemos tirar as sete aberrações são quase todas o inverso. São quase todas edificações suficientemente recentes para poderem ter sido pensadas e executadas pelos vivos.
4. Há escolhas perfeitamente absurdas, como o Oceanário. Para estes especialistas, o Oceanário é horrível. Não é indiferente, é horrível. Donde, se não houvesse Oceanário teria sido muito melhor...
5. Pela minha parte, já tinha concluído há muito que somos um povo que não suporta o novo, a inovação, o risco e, sobretudo, sobretudo, um povo que acha que tem de haver um gosto maneirinho, modesto e que fique bem nos postais ilustrados.
6. Corrijo, pode haver inovação, risco e gosto desde que seja o nosso. O dos outros é que não!