Sexta-feira, 29 de Junho de 2007
Não é por chamar cereja a uma laranja que ela deixa de o ser
Correndo o risco de plagiar o Sr de la Palisse, é evidente que não é pelo facto de alguém se afirmar de esquerda ou direita que o é. As nossas convicções ideológicas definem-se por um conjunto de princípios e valores. Se não é grave na vida de um comum cidadão confundir os conceitos e dizer-se de esquerda quando aquilo que defende são princípios de outra família politica, a coisa muda de figura quando falamos de gente com responsabilidades políticas e, até, de governação.
Já tinha escrito neste local que considerava o mandato de Bagão Félix digno de um verdadeiro homem de esquerda, nomeadamente no que disse respeito à pseudo-reforma laboral que levou a cabo. Nessa altura, levantaram-se vozes dizendo que aquela reforma tinha sido a possível face ao nosso quadro constitucional e que se não fossem esses entraves outro galo teria cantado. Felizmente – e finalmente - Bagão Félix esclareceu qual é a sua verdadeira posição.
Estamos conversados...
Pergunta-se: o CDS tem a mesma posição que o mandatário de Telmo Correia no que diz respeito à legislação laboral?
"- Correio da Manhã – Foi o autor político do anterior Código de Trabalho, de 2003. O que acha destas propostas? - Bagão Félix – Antes de mais, deixe-me dizer que ainda não li o Livro Branco. O conhecimento que tenho é das notícias dos jornais mas estou surpreendido porque algumas das pessoas que me criticaram há quatro anos agora foram ainda mais longe. São ex-marxistas mais neoliberais do que os neoliberais....- CM - O que pensa da questão da adaptabilidade?- BF - Os tempos de trabalho têm um princípio subjacente de ajustar o ciclo de trabalho ao das empresas e nesse sentido admito que se aprofundasse nesse sentido. Mas tem de ser com o mínimo de respeito pelo tempo de lazer, de família e de descanso das pessoas. Reduzir a pausa para meia hora, como se consegue almoçar?
...- CM - O que pensa dos despedimentos?- BF - Concordo que se agilizem os processos, mas já no que diz respeito à despedimento por incompetência... Hoje já é possível despedir por inaptidão, ou seja, por redução na qualidade ou produtividade do trabalho. Parece-me mais um álibi [para despedir]... porque os mecanismos actuais já dão resposta a esta questão. Via Troll Urbano in O Correio da Manhã