Quarta-feira, 31 de Outubro de 2007
A propósito do Tarrafal

O Tarrafal é, talvez, o maior símbolo do miserável regime que terminou em 25 de Abril de 1974. Por muito que se tente limpar a imagem do salazarismo, mostrando-o como uma espécie de ditadura versão light, os factos são demasiadamente gritantes para que esta visão seja defensável: o salazarismo foi um regime brutal sem o mínimo respeito pelos mais elementares direitos humanos e o Tarrafal foi o maior exemplo disso.


O que me espanta é a incomodidade que a direita tem em lidar com este facto. Em primeiro lugar, porque não há nada naquele patético regime que se assemelhe a um pensamento de direita enquanto defensora do individualismo, lutador pelas liberdades individuais, crente no desenvolvimento da personalidade como referência básica para a igualdade de oportunidades, combatente contra o pensamento único colectivista e contrário à demasiada influência do Estado na sociedade.


A confusão é evidente. No fundo, os defensores de Salazar estão muito mais próximos da extrema-esquerda do que da direita. Para ser franco, não é essa pretensa direita que me incomoda: essa só me dá vontade de rir pelo folclore inútil e ridículo, no fundo fazem apenas de bobos da corte. O que constato é ainda existir um formigueiro em algumas pessoas que identifico como sendo mesmo de direita quando se fala do infeliz beirão.


Caros amigos, vocês estão nos antípodas desse regime, que não vos falte saliva para insultar o biltre.



publicado por Pedro Marques Lopes
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De António Vilarigues a 2 de Novembro de 2007 às 17:56
Como os meus comentários estão há 18 e há 6 horas respectivamente aguardando moderação a resposta, para quem estiver interessado, passa para aqui.
http://ocastendo.blogs.sapo.pt/94619.html


De José Carmo a 2 de Novembro de 2007 às 15:38
Já agora, caro Vilarigues, e uma vez que estamos na presença de um especialista, porque é que a árvore maravilhosa que lhe serve de bandeira, produziu SEMPRE , urbi et orbi, frutos tão indigestos?
Em alguns casos venenosos?
Mortais...se formos a ver bem.

E, tb já agora, quantos dissidente do seu partido acabaram, digamos...descontinuados, por decisão divina do Comité Central?
Quer que lhe diga os nomes?

Bem, se calhar eram apóstatas....e os apóstatas reaccionários merecem a morte, não é?

A questão é...se faziam isto quando não tinham poder de facto, o que faria esta gente se tivesse nas rédeas o poder real?

Você sabe, caro Vilarigues?
Não?
E os exemplos práticos dos outros fiéis, na URSS, em Cuba, no Cambodja, na Coreia do Norte ( ó democracia!), no Leste da Europa, na China, etc,etc, não lhe dão nenhuma pista?


De António Vilarigues a 2 de Novembro de 2007 às 13:02
Caro Pedro ML,
E vão dois comentários meus a aguardar moderação. Repetem-se, portanto basta pôr o mais recente.


De Cascavel a 2 de Novembro de 2007 às 14:06
Sr.Vilarigues,se bem reparou,não o acusei de nada a não ser de andar a contar histórias dos outros quando esquece as da própria "casa",seguramente mais "exemplares" e que deve conhecer como ninguem.Como vê, acuso-o a si e a mais ninguem - nem eu sou lobo nem você inocente cordeirinho - de não contar a história dos seus paizinhos ideológicos.Sem desvios,nem correcções históricas,entenda-se.Seria extremamente útil esse contributo,numa altura em que o comunismo permanece no poder em várias bandas,ao contrário do nazismo e do fascismo.


De António Vilarigues a 2 de Novembro de 2007 às 12:58
Caro José do Carmo (e caro Cascavel também),
Temos obviamente cosmovisões diferentes. A nível político. Mas também a nível ético e moral. É natural que assim seja.
Não foi o vosso pai, foi o meu pai, Sérgio Vilarigues, que esteve preso sete anos (dos 19 aos 26) em Peniche, em Angra e no campo de concentração do Tarrafal (para onde foi na 1ª leva de presos em 1936, QUANDO JÁ TINHA CUMPRIDO A PENA); que passou trinta e dois anos na clandestinidade no interior do país. Que eu apenas vi até aos 3 anos e meio. E depois apenas por 3 vezes em encontros clandestinos de poucas horas, aos 16, aos 17 e aos 19.
Não foi a vossa mãe, foi a minha mãe, Maria Alda Nogueira, que, estando literalmente de malas feitas para ir trabalhar em França com a equipa de Isabelle Curie, pegou nas mesmas malas e passou à clandestinidade; que presa passou 9 anos e dois meses nos calabouços fascistas; que durante todo esse período o único contacto físico próximo que teve com o filho (dos 5 aos 15 anos) foi de três horas por ano!
Não foi a vossa mulher, foi a mãe das minhas filhas, Lígia Calapez, que, com 18 anos, foi a primeira jovem legal, menor, a ser condenada a prisão maior por motivos políticos – 3 anos em Caxias.
Não foi a vossa filha, foi a minha filha mais velha, Sofia Vilarigues, que até aos dois anos e meio não soube nem o nome, nem a profissão dos pais.
Não foram vocês, fui eu que aos dezassete anos, por opção própria (foi-me dada a alternativa de ir estudar para a Hungria ou para a URSS) passei à clandestinidade.
Para lutar para que houvesse paz, democracia e liberdade no nosso país. E para que pudéssemos, entre outras coisas, estar aqui a discutir o óbvio.
Não foram e ainda bem que não foram, esclareça-se.
Já da vossa parte (José do Carmo e Cascavel) espero que não pertençam áqueles que o meu amigo Nuno Ramos de Almeida aqui http://5dias.net/2007/11/01/ha-coisas-fantasticas-nao-ha/ muito bem caracteriza como «Este elogio à utilidade dos campos de concentração e esse apelo à eliminação física dos adversários era usual nos fascistas dos anos 30. Quase 80 anos depois ele repete-se na direita portuguesa. É preciso elogiar a sinceridade dessas pessoas. É bom saber que para eles Salazar e Hitler são justificáveis. Assim quando eles encherem a boca com as palavras liberdade e democracia, ficamos saber que, no fundo no fundo, eles acham que só “o trabalho liberta”» (a frase que encimava os portões dos campos de concentração nazis).
Duas notas finais.
1. Salazar concedeu o direito de voto às mulheres??? Só para rir. Apenas e só às «chefes de família». Repito em 25/4 de 1974 havia 1,2 milhões de eleitors em Portugal. Em 25/4 de 1975. Estavam inscritos perto de 6 milhões!!!
2. Como vê, Cascável, não preciso de sair de casa para catar a prisão e a tortura. E nem referi que logo aos 5 anos fui interrogado no colégio Principe Perfeito, na Rua dos Lusíadas em Alcântara, por uma brigada da PIDE chefiada por Rosa Casaco muito interessado em saber por onde eu tinha andado...
Afinal havia mais uma...
Caro José do Carmo, diga-me quem é que o PCP torturou ou matou. Que campos de concentração abriu. Ou o que é que isto http://www.pcp.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=13&Itemid=39 tem a ver com o seu receio de eu ser «um daqueles “antifássistas”, que nos queriam dar uma receita bastante pior.»???


De António Vilarigues a 2 de Novembro de 2007 às 12:33
Caro Pedro ML,
Pelo menos quando entro nesta caixa de comentários aparece, logo por cima do último post do Cascavel, a mensagem «Your comment is awaiting moderation.».
Mas vou tentar inserir de novo.
Já agora, boca foleira (sua) por boca foleira (minha), ML no seu apelido quer dizer marxista-leninista???...


De Pedro ML a 2 de Novembro de 2007 às 12:41
Touché... meto a viola no saco e declaro-o vencedor do concurso das bocas foleiras.
(a moderação existe para evitar os abusos que conhece)


De Pedro ML a 2 de Novembro de 2007 às 12:19
Caro António Vilarigues,

Não sei o que se terá passado com a resposta mas garanto-lhe não termos o hábito de cortar comentários. Censura e corte de fotografias é em outras paragens.
Cumprimentos


De António Vilarigues a 2 de Novembro de 2007 às 08:56
Carro Cascavel,
Já cá faltava a fábula do lobo e do cordeiro «Se não fostes tu foi o teu pai»!!!
Devo deduzir, pela sua lógica, que Helena Matos, Pacheco Pereira, Durão Barroso, Saldanha Sanches, Maria José Morgado, Jorge Coelho e tuti quanti devem ser responsabilizados, por exemplo, pelo grande salto em frente e pela Revolução Cultural Chinesa.
Devo deduzir que Mário Soares, Vítor Constâncio, Jorge Sampaio, António Guterres, Ferro Rodrigues e José Sócrates devem ser responsabilizados pelos crimes cometidos, por exemplo, pelos socialistas franceses na Indochina e na Argélia.
Devo deduzir que os autores deste blogue, e do Blasfémias, e do Insurgente, quiçá o próprio Cascavel devem ser responsabilizados por todos os crimes cometidos por todas as administrações americanas, por exemplo, desde 1902 e que estão claramente descritos ao abrigo do FOIA neste site da Universidade de Washington http://www.gwu.edu/~nsarchiv/ .
É o Cascavel que o diz. Porque a mim nunca me passaria pela cabeça responsabilizar alguém pelos crimes de outrém. Mais uma diferença, política, ética e moral a separar os comunistas de uma certa direita.
O que se passa com o meu post anterior de resposta ao senhor José Carmo? Violou os princípios do blog?


De Cascavel a 2 de Novembro de 2007 às 00:43
Só a desonestidade política,histórica e moral de um Vilarigues estalinista - e tambem uma imensa lata - lhe permite andar a catar assassínios,torturas e prisões em seara alheia.Vilarigues não precisa de saír de casa para contar por muitos milhões casos que,por razões tácticas e esperteza saloia,pretende encontrar fora.Ninguem matou mais,torturou mais,prendeu mais(dentro e fora da soviécia) que o padroeiro do sr.Vilarigues.O pior é que ele sabe disso e não se confessa.


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