Quarta-feira, 31 de Outubro de 2007
A propósito do Tarrafal

O Tarrafal é, talvez, o maior símbolo do miserável regime que terminou em 25 de Abril de 1974. Por muito que se tente limpar a imagem do salazarismo, mostrando-o como uma espécie de ditadura versão light, os factos são demasiadamente gritantes para que esta visão seja defensável: o salazarismo foi um regime brutal sem o mínimo respeito pelos mais elementares direitos humanos e o Tarrafal foi o maior exemplo disso.


O que me espanta é a incomodidade que a direita tem em lidar com este facto. Em primeiro lugar, porque não há nada naquele patético regime que se assemelhe a um pensamento de direita enquanto defensora do individualismo, lutador pelas liberdades individuais, crente no desenvolvimento da personalidade como referência básica para a igualdade de oportunidades, combatente contra o pensamento único colectivista e contrário à demasiada influência do Estado na sociedade.


A confusão é evidente. No fundo, os defensores de Salazar estão muito mais próximos da extrema-esquerda do que da direita. Para ser franco, não é essa pretensa direita que me incomoda: essa só me dá vontade de rir pelo folclore inútil e ridículo, no fundo fazem apenas de bobos da corte. O que constato é ainda existir um formigueiro em algumas pessoas que identifico como sendo mesmo de direita quando se fala do infeliz beirão.


Caros amigos, vocês estão nos antípodas desse regime, que não vos falte saliva para insultar o biltre.



publicado por Pedro Marques Lopes
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