Quinta-feira, 31 de Janeiro de 2008
Governar à vista

Em traços muito gerais, a “reforma” da saúde tinha 7 questões que me pareciam fundamentais: criação de uma rede de cuidados de saúde continuados, optimização da rede de urgências, redefinição e implementação de um novo modelo de parcerias público-privadas, reforma dos centros de saúde, nova política do medicamento e o novo regime de propriedade das farmácias.


Claro está que este conjunto de medidas tinha por trás a vontade de racionalizar economicamente o SNS de modo a garantir a sua sustentatibilidade.


É bom que se diga que mais detalhe menos detalhe todos os partidos do espectro político português acreditam nas linhas mestras do actual SNS. O que se tem discutido, no fundo, são pormenores. Em abono da verdade todas as iniciativas que Correia de Campos tentou concretizar poderiam ser levadas a cabo pelo PSD.


O mais ridículo disto tudo é que a única que parecia consensual – o fecho de urgências que de urgências só tinham o nome – foi a que fez cair o Ministro. O facto da criação da rede de serviços continuados ainda não ter passado do papel, de em dois anos não ter sido assinado um único contrato no âmbito das parcerias público-privadas, de não ter aberto uma única farmácia que fosse ao abrigo do novo regime de propriedade, da reforma dos centros de saúde não ter sido satisfatória e da nova política do medicamento não ter tido os resultados esperados (nomeadamente em poupança para o Estado) pouca ou nenhuma relevância teve.



publicado por Pedro Marques Lopes
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Comentários:
De Luís Lavoura a 31 de Janeiro de 2008 às 16:38
"todos os partidos do espectro político português acreditam nas linhas mestras do actual SNS"

É de facto muito difícil encontrar em Portugal alguém que se afirme claramente contra o SNS, e ainda mais difícil encontrar quem se declare a favor de um qualquer sistema de saúde baseado na poupança individual.

Mesmo aqueles que se dizem "liberais" fogem de fazer propostas neste sentido. Por exemplo o Compromisso Portugal, que se afirma muito "privatizador" e muito "liberal", declarou expressamente concordar com o SNS.


De Luiz a 31 de Janeiro de 2008 às 17:44
Analise bastante esclarecedora.
Afinal quem "deitou" o ministro abaixo?
O "povo" que lhe vê faltar um médico no momento de aflição, mesmo que se contem pelos dedos o numero de vezes que as tais urgências funcionavam "fora de horas".
Quando é a saúde, todos queremos a urgência à porta.


De Paulo Pinto Mascarenhas a 31 de Janeiro de 2008 às 19:24
Muito bom.


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