Por CMF.
É muito mais que a sua roupa que agradece o não ser fumador e o frequentar lugares livres de tabaco: é a sua saúde e o Sistema Nacional de Saúde.
Não é coisa pouca.
De
CMF a 25 de Julho de 2007 às 17:51
Caro David Silva,
agradeço a sua preocupação com minha saúde, mas julgo que eu sou o juiz mais bem habilitado para tratar dessa causa, ou não?
Quanto ao Sistema Nacional de Saúde, sendo uma imposição central com a qual nem todos os cidadãos estão de acordo, também não me parece ter relevância nesta discussão (e se tivesse, até podíamos falar do imposto sobre o tabaco, e tal, e a sua relação com o tal Sistema.)
De Carlos Conceição a 25 de Julho de 2007 às 18:18
Exactamente, AAA!!!
Subcscrevo integralmente!!!
De Carlos Conceição a 25 de Julho de 2007 às 18:19
Perdão... Queria dirigir-me ao CMF...
De facto a sua saúde não é da minha conta. Nem digo que forçosamente se prejudique frequentando tais ambientes. Eu, consciente e estatisticamentem, também corro tal risco.
E sim, de facto, o aumento do imposto sobre o tabaco talvez fosse uma medida mais... democrática.
Mas parece-me que é relevante o valor que o Estado dispende no tratamento de doenças directamente relacionadas do acto de fumar (directa e indirectamente) e a sua autoridade em legislar da forma como o fez. Lá porque é tradição e alguns acham glamoroso, continua-se a prejudicar a saúde pública...
Diz o CMF que fumadores e não-fumadores estão resignados... permita que discorde: afinal, apenas os não-fumadores andaram anos resignados por não terem direito a espaços livres do tabaco!
Devemos ver a abolição do fumo como um passo em frente na evolução da sociedade. E se alguém tiver saudades dos "bons velhos tempos", sempre pode organizar umas soirées em casa.
De
CMF a 26 de Julho de 2007 às 01:42
"Os não-fumadores têm espaços próprios desde quando?"
Desde que existe propriedade privada.
Não, não gosto de discotecas, mas mesmo que gostasse não me passaria pela cabeça exigir que alguns (ou todos os) proprietários fossem obrigados a interditar o fumo no seu espaço (privado)
"Acha que isso lhes tiraria o encanto?"
Talvez tirasse a "essência", a razão de existir. Mas quem tem que lhes definir o "encanto" são os proprietários, não os clientes, e muito menos alguns clientes. Os clientes influenciam, claro; ou vão ou não vão. Mas isso são as regras do mercado.
"Parece-me que a lei existe porque poucos empresários estão interessados em proíbir o fumo nos seus estabelecimentos. "
Paciência, ninguém é obrigado a jantar num restaurante, e muito menos a beber uns copos num bar ou numa discoteca. De qualquer forma, contra esse argumento de que "não há proprietários que optem pela opção não-fumador" há Espanha. Já lá foi nos últimos tempos? Eu sim, e garanto-lhe que não terá qualquer dificuldade em arranjar um restaurante completamente livre de fumo; e sem leis que a isso obriguem!
Os não-fumadores têm espaços próprios desde quando? Eu não posso precisar, mas parece-me que é de há bem pouco tempo para cá. Gosta de discotecas? Acha que há alguma onde seja proíbido fumar? Acha que isso lhes tiraria o encanto?
Parece-me que a lei existe porque poucos empresários estão interessados em proíbir o fumo nos seus estabelecimentos. E isso é lamentável.
Custa-me defender leis que restringem as liberdades dos cidadãos, mas nos dias que correm, estas não são certamente as que me preocupam.
De
CMF a 26 de Julho de 2007 às 00:49
"E sim, de facto, o aumento do imposto sobre o tabaco talvez fosse uma medida mais… democrática."
Uma medida mais democrática!? Hum, realmente a democracia anda cada vez mais com as costas mais largas, coitada.
"afinal, apenas os não-fumadores andaram anos resignados por não terem direito a espaços livres do tabaco!"
Então os não-fumadores nunca tiveram espaços próprios, privados? É esse o problema? É por isso que agora pretendem invadir o direito de propriedade do próximo? Vamos lá ver uma coisa: um pub, ou restaurante, é propriedade do David Silva? Não me parece. E se não está satisfeito com o rumo que os proprietários dão aos seus estabelecimentos, o David Silva tem um solução que me parece tão evidente: "...pode organizar umas soirées em casa." Ou abrir um bar/restaurante/café para não-fumadores.
"Devemos ver a abolição do fumo como um passo em frente na evolução da sociedade. E se alguém tiver saudades dos “bons velhos tempos”, sempre pode organizar umas soirées em casa."
"Evolução" e "sociedade", dois termos que deviam ser usados com muito cuidado. No segundo caso, é bom lembrar a "velha" Tatcher. Quanto ao primeiro termo, eu, evolucionista convicto (e falo ao nível estético, e nunca no sentido de verdade absoluta), não gosto nada de ver de ver a coisa confundida com "progresso".
"Devemos ver a abolição do fumo como um passo em frente na evolução da sociedade.”! Isto assusta-me. Mas na verdade, é disto que falamos quando falamos de liberdade (ou de servidão).
Meu caro, poderíamos continuar aqui a trocar ideias, mas não chegamos a consenso. Eu considero a lei (que ainda não entrou em vigor por receios do governo - logo este governo que parece não temer nada) benéfica. Limita liberdades, certo. Mas vale a pena. Em Espanha não foi necessário? Desconhecia. Aumenta a consideração que tenho pelos espanhóis.
"Desde que existe propriedade privada." [que os não-fumadores têm direito a um espaço próprio]. Vamos agora trocar de lugar.
Enfim, nenhum de nós vai mudar de opinião.
É uma aceitação consciente e (graças a reflexões como a sua) ciente dos riscos. Mas não me considero resignado nem com atitude servil. Nem o serei em relação a outras medidas de Governos.
Cumprimentos
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