No dia 1 de Julho deste ano tudo mudou. A infame lei antitabaco chegou às ruas de Londres como um rolo compressor e ignorou tradições, acorrentou a liberdade e a responsabilidade individual. A interdição invadiu aos pubs, sem transigência ou excepções. É triste. Uma cervejaria sem fumo é como uma cerveja sem álcool, é como tremoços sem sal. Eu não fumo, as minhas roupas agradecem no dia seguinte, mas frequentar um pub sem tabaco é uma experiência coxa. A plenitude está perto, mas a beleza da madeira escura, o sabor agreste das ale ou anacronismo das alcatifas não são suficientes para fazer esquecer a ideia do verdadeiro pub. Alguns, enfastiados, e do alto de uma putativa sabedoria, dizem que noutros lugares, como Nova Iorque, já nem se discute esta questão: não se fuma nos bares e ponto final. É verdade, mas essa resignação colectiva não é argumento para encerrar a revolta. E.O. Wilson disse, Doutrinar os seres humanos é de uma facilidade absurda. A resignação de fumadores e não-fumadores é apenas um reforço de peso desta tese.
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