Quarta-feira, 25 de Julho de 2007
Oportunidade de negócio político
Homeless. Por João Noronha.

Ora, cerca de 1,5 milhões de eleitores votaram “Não” no último referendo. (Curiosamente, a percentagem de votantes no “Não” (40%) foi superior à soma da percentagem de votos obtidos pelo CDS e pelo PSD nas últimas legislativas (36%), enquanto que a percentagem de votantes no sim foi quase idêntica à soma dos votos do PS, PCP e Bloco de Extrema Esquerda).

Suponhamos que existe uma pequena percentagem destes votantes (5%, por exemplo), que se sentem suficientemente motivados para votar de acordo com as suas posições sobre a vida e a família. Suponhamos ainda que esta minoria está minimamente organizada e pode, desta forma, ser mobilizada eleitoralmente. Estas hipóteses são bastante conservadoras… ;)

Suponhamos ainda que existe um empreendedor político suficientemente astuto para compreender que existe aqui uma “oportunidade de negócio político” – sempre seriam cerca de 75.000 votos…


publicado por André Alves
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Comentários:
De João P. Noronha a 26 de Julho de 2007 às 13:32
Nas eleições legislativas de 1995, a soma dos votos da UDP e do PSR - a base eleitoral do bloco de extrema esquerda no momento da sua criação em 99 -, foi de 71.514 votos. (http://facaseluz.blogspot.com/2007/07/homeless.html)


De josé Manuel Faria a 25 de Julho de 2007 às 17:25
Sabe também escrever Bloco de Extrema Esquerda!!, é mais provocatório.


De Pedro Sá a 26 de Julho de 2007 às 09:22
Essa gente já vota CDS...


De Miguel Madeira a 25 de Julho de 2007 às 20:12
"sempre seriam cerca de 75.000 votos"

O que, numa eleição com 5 milhões de votantes (votação em 2005 - 5,747,834) daria 1,5% dos votos.


De João P. Noronha a 26 de Julho de 2007 às 16:30
Mas é exactamente essa a minha questão. Esses votos da extrema-esquerda só passaram a valer deputados (pós- 1980) no momento em que surgiu uma força política que os conseguiu congregar. E, aparentemente, essa força política conseguiu até mobilizar votos de gente que em eleições anteriores, ou não tinha votado, ou tinha votado em outros partidos.

Os 75.000 votos correspondem a roughly 2,5% do voto "Não" e foram arbitrariamente calculados para serem mais que os votos pré-bloquistas.

Mas suponhamos que em vez de 2,5% são 5% ou 10%... A questão é que basta uma pequena minoria que seja activamente pro-vida para começar a contribuir para eleger deputados.

Quanto à questão do círculo eleitoral, é possível que influencie os resultados embora o número de votos "não" em Lisboa tivesse sido considerável. (Já agora, eu ache que a 'simpatia' dos media pelo louçã terá contribuído mais para os resultados obtidos do que geografia eleitoral). De qualquer forma, esse eventual partido não estaria limitado a ser apenas pró-vida e portanto poderia captar votos de outras 'minorias' mal representadas.


De Miguel Madeira a 26 de Julho de 2007 às 15:50
E em 1991 foi de 77.000 votos (PSR+UDP+FER); em 1987 foi de 132.000 (PSR+UDP+MDP*+PC(R)); em 85, 120.000 (UDP+PSR+PC(R)); e em 83, 77.000 votos (UDP+PSR+UDP/PSR+LST).

Ou seja, esses 75.000 votos potenciais podem passar quase 20 anos sem valerem nada - o que déu lugar no sistema BE não foram os 71000 votos de 95, mas os 132.000 de 99 (o facto de esses votos estarem concentrados no maior circulo eleitoral - o que não sei se aconteceria com o grupo que João Noronha identificou - também deve ter ajudado).


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