Quinta-feira, 27 de Setembro de 2007
Choque educacional
Formação Cívica, Área de Projecto, Estudo Acompanhado, Educação Sexual, Educação para a Saúde e Alimentação, Educação de Género e o que mais se verá não traduzem apenas a instrumentalização do sistema de ensino como meio de doutrinação e propaganda progressista. Algumas das pseudo-disciplinas que vêm sendo gradualmente introduzidas nos currículos servem também para dar mais poder às diversas clientelas de extrema-esquerda que controlam as áreas respectivas (especialmente a nível universitário, onde as novas pseudo-disciplinas são essencialmente uma coutada de bloquistas e outros socialistas progressistas).

Ironicamente, as pseudo-disciplinas e a mediocridade educacional em que se inserem - juntamente com a ausência de efectiva liberdade de educação - são também as melhores garantias de que os colégios privados dirigidos a segmentos com poder de compra suficiente para pagar duplamente a educação (impostos mais propinas do ensino não estatal) funcionarão cada vez mais como um poderoso factor de distinção social e profissional.

A ausência de liberdade de escolha na educação e o triunfo da longa marcha progressista sobre as instituições de ensino são dois dos mais poderosos inimigos da mobilidade social.

publicado por André Alves
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Comentários:
De Rui Carlos Gonçalves a 28 de Setembro de 2007 às 19:25
"Por este andar, basta ter (alguma) disciplina e ensinar a ler e a contar para ser vastamente superior a muitas escolas estatais. Infelizmente."

Parece-me que está a querer comparar as melhores escolas privadas com as piores escolas públicas.


De Rui Carlos Gonçalves a 28 de Setembro de 2007 às 19:23
"Acho que diz isso por não conhecer o sistema universitário português, mas pronto…"

Conheço um caso particular, e parece-me que existe uma maior proximidade à extrema-esquerda por parte dos alunos do que por parte dos professores (aliás, nunca notei proximidade por parte dos professores). Mas estou mais ligado à parte das ciências "exactas", e não às ciências sociais e semelhantes (que talvez seja um meio mais propício a essas ideologias).
Mas, se não estou enganado, algumas dessas disciplinas podem ser leccionadas por professores de qualquer área, e não me parece que a "clientela de extrema-esquerda" seja assim tão abrangente...


De André Azevedo Alves a 28 de Setembro de 2007 às 15:00
"E fiquei com ideias para um post."

Venha ele... :)


De André Azevedo Alves a 28 de Setembro de 2007 às 15:01
"Também não percebo a utilidade de muitas disciplinas (que felizmente só começaram a existir quando abandonei o secundário), mas parece-me que essa ligação às “clientelas de extrema-esquerda” é um pouco absurda"

Acho que diz isso por não conhecer o sistema universitário português, mas pronto...

Em todo o caso, aproveito para esclarecer que não me refiro - obviamente - a todos os docentes, especialmente se estivermos a falar do ensino não universitário em que muitos dos professores são também vítimas dos absurdos da nomeklatura do establishment do eduquês.


De André Azevedo Alves a 28 de Setembro de 2007 às 15:03
"Quanto ao ensino privado, tenho muitas dúvidas quanto à sua qualidade. Na maior parte dos casos, parece-me que o seu objectivo é fazer com que os alunos tirem boas notas e não que aprendam mais."

Há de tudo, mas quanto piores e mais transformadas em instrumento de propaganda progressista ficarem as escolas públicas, maior será o diferencial médio.

Por este andar, basta ter (alguma) disciplina e ensinar a ler e a contar para ser vastamente superior a muitas escolas estatais. Infelizmente.


De André Azevedo Alves a 28 de Setembro de 2007 às 15:05
"Em Portugal não há liberdade de educação, nem mobilidade social, de qualquer forma, uma vez que a imensa maioria dos colégios privados é elitista, isto é, rejeita inscrições de alunos que não venham da classe social mais alta."

Não creio que isso seja verdade para a "imensa maioria" mas, ainda que assim fosse, havendo procura e acabando a concorrência completamente desleal das escolas estatais (não necessariamente as escolas estatais elas mesmas), nova oferta certamente apareceria.


De pedro picoito a 28 de Setembro de 2007 às 12:06
André, concordo em absoluto. E fiquei com ideias para um post.


De Rui Carlos Gonçalves a 28 de Setembro de 2007 às 12:23
Também não percebo a utilidade de muitas disciplinas (que felizmente só começaram a existir quando abandonei o secundário), mas parece-me que essa ligação às "clientelas de extrema-esquerda" é um pouco absurda, mas pronto...

Quanto ao ensino privado, tenho muitas dúvidas quanto à sua qualidade. Na maior parte dos casos, parece-me que o seu objectivo é fazer com que os alunos tirem boas notas e não que aprendam mais.


De Luís Lavoura a 28 de Setembro de 2007 às 11:04
Em Portugal não há liberdade de educação, nem mobilidade social, de qualquer forma, uma vez que a imensa maioria dos colégios privados é elitista, isto é, rejeita inscrições de alunos que não venham da classe social mais alta.

Não bastaria dar às crianças mais desfavorecidas possibilidades financeiras de aceder aos colégios privados; seria também necessário garantir que estes não faziam discriminação.


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