não traduzem apenas a instrumentalização do sistema de ensino como meio de doutrinação e propaganda progressista. Algumas das pseudo-disciplinas que vêm sendo gradualmente introduzidas nos currículos servem também para dar mais poder às diversas clientelas de extrema-esquerda que controlam as áreas respectivas (especialmente a nível universitário, onde as novas pseudo-disciplinas são essencialmente uma coutada de bloquistas e outros
).
Ironicamente, as pseudo-disciplinas e a mediocridade educacional em que se inserem - juntamente com a ausência de efectiva liberdade de educação - são também as melhores garantias de que os colégios privados dirigidos a segmentos com poder de compra suficiente para pagar duplamente a educação (impostos mais propinas do ensino não estatal) funcionarão cada vez mais como um poderoso factor de distinção social e profissional.
A ausência de liberdade de escolha na educação e o triunfo da longa marcha progressista sobre as instituições de ensino são dois dos mais poderosos inimigos da mobilidade social.
"Por este andar, basta ter (alguma) disciplina e ensinar a ler e a contar para ser vastamente superior a muitas escolas estatais. Infelizmente."
Parece-me que está a querer comparar as melhores escolas privadas com as piores escolas públicas.
"Acho que diz isso por não conhecer o sistema universitário português, mas pronto…"
Conheço um caso particular, e parece-me que existe uma maior proximidade à extrema-esquerda por parte dos alunos do que por parte dos professores (aliás, nunca notei proximidade por parte dos professores). Mas estou mais ligado à parte das ciências "exactas", e não às ciências sociais e semelhantes (que talvez seja um meio mais propício a essas ideologias).
Mas, se não estou enganado, algumas dessas disciplinas podem ser leccionadas por professores de qualquer área, e não me parece que a "clientela de extrema-esquerda" seja assim tão abrangente...
"E fiquei com ideias para um post."
Venha ele... :)
"Também não percebo a utilidade de muitas disciplinas (que felizmente só começaram a existir quando abandonei o secundário), mas parece-me que essa ligação às “clientelas de extrema-esquerda” é um pouco absurda"
Acho que diz isso por não conhecer o sistema universitário português, mas pronto...
Em todo o caso, aproveito para esclarecer que não me refiro - obviamente - a todos os docentes, especialmente se estivermos a falar do ensino não universitário em que muitos dos professores são também vítimas dos absurdos da nomeklatura do establishment do eduquês.
"Quanto ao ensino privado, tenho muitas dúvidas quanto à sua qualidade. Na maior parte dos casos, parece-me que o seu objectivo é fazer com que os alunos tirem boas notas e não que aprendam mais."
Há de tudo, mas quanto piores e mais transformadas em instrumento de propaganda progressista ficarem as escolas públicas, maior será o diferencial médio.
Por este andar, basta ter (alguma) disciplina e ensinar a ler e a contar para ser vastamente superior a muitas escolas estatais. Infelizmente.
"Em Portugal não há liberdade de educação, nem mobilidade social, de qualquer forma, uma vez que a imensa maioria dos colégios privados é elitista, isto é, rejeita inscrições de alunos que não venham da classe social mais alta."
Não creio que isso seja verdade para a "imensa maioria" mas, ainda que assim fosse, havendo procura e acabando a concorrência completamente desleal das escolas estatais (não necessariamente as escolas estatais elas mesmas), nova oferta certamente apareceria.
De pedro picoito a 28 de Setembro de 2007 às 12:06
André, concordo em absoluto. E fiquei com ideias para um post.
Também não percebo a utilidade de muitas disciplinas (que felizmente só começaram a existir quando abandonei o secundário), mas parece-me que essa ligação às "clientelas de extrema-esquerda" é um pouco absurda, mas pronto...
Quanto ao ensino privado, tenho muitas dúvidas quanto à sua qualidade. Na maior parte dos casos, parece-me que o seu objectivo é fazer com que os alunos tirem boas notas e não que aprendam mais.
De Luís Lavoura a 28 de Setembro de 2007 às 11:04
Em Portugal não há liberdade de educação, nem mobilidade social, de qualquer forma, uma vez que a imensa maioria dos colégios privados é elitista, isto é, rejeita inscrições de alunos que não venham da classe social mais alta.
Não bastaria dar às crianças mais desfavorecidas possibilidades financeiras de aceder aos colégios privados; seria também necessário garantir que estes não faziam discriminação.
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