Segunda-feira, 27 de Agosto de 2007
Ler (III)
A verdadeira tragédia de Zita Seabra, e dos milhares de portugueses que seguiram o seu caminho, foi terem ido, em nome da liberdade, para uma movimento político muito mais totalitário do que o Estado Novo. Deixando agora de lado os mistérios da condição humana (como é que se explica que pessoas sérias, decentes, e bem-intencionadas fossem à União Soviética ou à China e vissem a “liberdade”?), uma coisa que não se pode perdoar ao Estado Novo é ter obrigado pessoas que queriam simplesmente ser livres a terem que aderir ao Partido Comunista. No fundo, o que “Foi assim” mostra, tal como muitos outros livros sobre a política do século XX português, é o triunfo das tradições anti-liberais em Portugal.
João Marques de Almeida, no "DE" de hoje