Terça-feira, 28 de Agosto de 2007
Questões verdes
A presença ontem na SIC Notícias a Gualter Baptista, porta-voz do movimento Verde Eufémia, fez-me recordar a estupefacção de Seymour Levov, o ‘Sueco’ da Pastoral Americana de Philip Roth. Como não sou uma personagem da tragédia americana, dei-me conta de algumas questões que, independentemente da forma excelente como Mário Crespo conduziu a entrevista, ficaram por responder.
1 – Gualter Baptista afirma ser o direito colectivo superior aos direitos individuais. O que é o direito colectivo? Existindo, como se interpreta esse direito colectivo? Quem o decifra? Terá Gualter Baptista o direito individual de interpretar o direito colectivo, dando-lhe um entendimento que considere ser benéfico para todos? Se sim, será o direito individual do Gualter Baptista para interpretar o direito colectivo superior ao próprio direito colectivo? Será Gualter Baptista um deus?
2 – Gualter Baptista diz que o futuro dirá da legitimidade, ou não, da acção do Verde Eufémia em Silves. Qual futuro? Quando? Daqui a dois dias? Dois anos? Cinquenta anos? Ou apenas quando Gualter Baptista tiver a certeza que os membros do Verde Eufémia nunca poderão ser julgados pelo crime que cometeram? E se esse ‘futuro’ nunca chegar, estarão os homens e mulheres como Gualter Baptista acima da lei? Serão eles o novos deuses?
3 – Quais as próximas campanhas dos Verde Eufémia? Quais as próximas vítimas? Os utilizadores de carros a gasóleo? Será que Gualter Baptista nos considera dignos de não podermos utilizar carros a gasóleo? Vai queimar um carro a gasóleo para servir de exemplo, para dar início ao debate para se lamentar que se discuta a liberdade de utilizar carros a gasóleo ao invés da poluição que estes provocam? Por que será que Gualter Baptista se espanta que se discuta mais a liberdade que a poluição?
4 – Gualter Baptista diz não conhecer os actos de todos os membros do Verde Eufémia, pelo que não os pode explicar. Mas não é o seu porta-voz? Não aceitou ele a missão mesmo sabendo o que tinha acontecido? Se não se consegue explicar porque não procurou explicações? Se não concorda com elas porque se manteve no papel de esconder a violência?
5 – Como é a cidade de Moscovo? Verde ou vermelha?
De
JPG a 30 de Agosto de 2007 às 15:24
O vídeo dessa entrevista acaba de ser publicado (http://apdeites2.cedilha.net/?p=621), pelos próprios.
De
JPG a 28 de Agosto de 2007 às 19:50
Claro que a lista de questões seria infindável.
Como "chegou" GB a "porta-voz" de um movimento inexistente? Por voto secreto? Se sim, de quem? Ah, pois, se se soubesse isso, o voto deixava de ser secreto. Então? Por braço no ar? E quantos foram os votos contra? E que outros candidatos havia? E essa votação foi feita assim numa "munta" fixe, à volta da fogueira, lá no acampamento baril da rapaziada porreiraça? Ou foi na Soeiro Pereira Gomes? Ou foi no Gambrinus? Ou foi, afinal, por voto postal, essa coisa que, como o Melhoral, nem faz bem nem faz mal?
E como é possível "portar" a voz de algo que não existe? Ou existe, mas é apenas constituído pelo próprio GB? Ou não existe de facto, mas existe sem ser de facto? Ou é o próprio GB que não existe? Será GB o porta-voz exclusivo de si próprio?
Enfim, é como se vê. A gente pega por uma ponta e é só dúvidas, até à outra ponta. E questões. E angústias. E ralações.
Uma chatice, isto de não conseguir ver a luz. Uma maçada, esta maldita mania de fazer perguntas em vez de dar respostas, não saber nada em vez de saber tudo, duvidar em vez de militar.
Militar? Que "militar"? O que é lá isso de "militar", hem? Temos aqui militaristas, ou quê?
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