Quinta-feira, 27 de Setembro de 2007
Publicado no Meia Hora de hoje
 


Sem alternativa

Se as directas do PSD fossem um filme estaria entre o “Next – Sem Alternativa” e o “Ultimato”. Prefiro o “Next – Sem Alternativa” não porque Luís Marques Mendes tenha alguma semelhança com Nicolas Cage, ainda que não seja de desperdiçar a capacidade de antever alguns minutos do futuro, pelo menos antes dos debates parlamentares com Sócrates. “Sem Alternativa” é como na prática se encontra Marques Mendes no interior do PSD. “Next” porque depois de 2009 as contas serão saldadas e o cenário será muito diferente para o líder do maior partido da oposição.

Luís Filipe Menezes não tem também qualquer comparação com Matt Damon, mas “Ultimato” é o que a sua candidatura está disposta a apresentar ao próprio PSD perante as alegadas irregularidades no processo das directas. A forma como Menezes actua demonstra que não tem perfil para líder da oposição a Marques Mendes no PSD, quanto mais a José Sócrates. Mais relevante é que este modo populista de agir produz danos graves na imagem do partido. É pena. É pena porque seria bastante mais importante para o futuro que o processo das directas fosse notícia pelas ideias e não pela baixa política. Como escreve António Carrapatoso na revista “Atlântico” de Outubro, “o que se verifica é que, de um modo geral, os partidos investem pouco tempo e esforço a desenvolver e a aprofundar os seus projectos políticos”.

Com todo o esforço gasto na pouco digna troca de ataques pessoais, é impossível construir uma alternativa credível ao PS. É pena, sobretudo, porque os portugueses precisam de um projecto político diferente do do actual Governo. Um projecto liberal, que retire o nosso País deste filme.

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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