Segunda-feira, 29 de Outubro de 2007
Talvez porque Sócrates o prometeu - e o PSD também?
Não tenho qualquer fúria referendária - bem pelo contrário, tenho sérias dúvidas sobre a viabilidade do instituto do referendo e os portugueses têm demonstrado também algum desinteresse com as reduzidas quotas de participação nos que até agora se realizaram. Como ouvi no outro dia num inquérito televisivo, "é para resolver estas questões que nós os elegemos". Mas no caso do tratado reformador está em jogo mais do que a própria questão europeia. Está em causa a relação de confiança entre eleitores e eleitos. José Sócrates foi eleito com o claro compromisso de marcar um referendo. No programa eleitoral do PSD nas últimas legislativas estava inscrita também essa promessa de vinculação ao referendo. Idem aspas para o CDS - e não vale a pena falar do PCP ou do BE.
Não se compreende aliás as mudanças de opinião no PSD em temas essenciais - como a regionalização ou a questão europeia - apenas porque mudou de presidente: lembre-se que o grupo parlamentar social-democrata é o de Santana Lopes e esses mesmos compromissos foram assumidos pelo actual líder do grupo parlamentar. Os partidos são instituições e deveriam manter o seu rumo nas questões de legislatura, independentemente de mudanças internas.

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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