Quarta-feira, 31 de Outubro de 2007
O referendo “porreiro”


No anúncio da assinatura do Tratado de Lisboa, o primeiro-ministro José Sócrates dirigiu-se ao presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, com o já célebre “porreiro, pá!”. Os dois festejavam assim a vitória da presidência portuguesa da União Europeia. Aproveitando a rara boa disposição de José Sócrates, chegou a altura de exigir ao primeiro-ministro que cumpra o compromisso assumido enquanto candidato do Partido Socialista nas últimas eleições legislativas. Porque foi eleito com esse mandato. Utilizando o vernáculo de Sócrates, seria "porreiro" que marcasse o referendo europeu. Há quem, como o Prof. Vital Moreira, passe um atestado de menoridade política ao povo português e duvide da nossa capacidade colectiva para entender e votar o tratado reformador. Seria "porreiro" que Sócrates não alinhasse nessas considerações pouco democráticas, que levadas à letra poderiam colocar em dúvida a própria natureza do regime. Numa próxima ocasião, alguém alegaria que os portugueses só têm uma vaga ideia sobre as implicações teleológicas das eleições legislativas e presidenciais - afinal, a maioria esmagadora nunca leu a Constituição da República. Numa conjuntura em que a classe política conhece um dos pontos mais baixos de credibilidade e é alvo de ataques muitas vezes demagógicos, seria bom que o primeiro-ministro desse finalmente o exemplo, defendendo o seu projecto europeu e calando as vozes radicais de PCP e BE. Como diria José Sócrates, não é "porreiro" faltar às promessas, pá.

[Publicado no Meia Hora]

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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[...] O referendo “porreiro”. Por Paulo Pinto Mascarenhas. Há quem, como o Prof. Vital Moreira, passe um atestado de menoridade política ao povo português e duvide da nossa capacidade colectiva para entender e votar o tratado reformador. Seria “porreiro” que Sócrates não alinhasse nessas considerações pouco democráticas, que levadas à letra poderiam colocar em dúvida a própria natureza do regime. Numa próxima ocasião, alguém alegaria que os portugueses só têm uma vaga ideia sobre as implicações teleológicas das eleições legislativas e presidenciais - afinal, a maioria esmagadora nunca leu a Constituição da República. Numa conjuntura em que a classe política conhece um dos pontos mais baixos de credibilidade e é alvo de ataques muitas vezes demagógicos, seria bom que o primeiro-ministro desse finalmente o exemplo, defendendo o seu projecto europeu e calando as vozes radicais de PCP e BE. Como diria José Sócrates, não é “porreiro” faltar às promessas, pá. [...]


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